"Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus" Mateus 10. 33
O evangelho segundo Mateus foi compilado de forma a apresentar a pessoa de Jesus como o Cristo para os judeus. Em seu inicio nos informa o cumprimento de várias profecias destinadas ao Messias e de como Ele seria conhecido quando viesse enviado pelo Pai.
A porção que o versículo em destaque se encontra, está em um discurso de Jesus quando fala aos discípulos para, naquele momento não ir "...pelo caminho das gentes..." (Mateus 10. 5), mas que eles deveriam ir "às ovelhas perdidas da casa de Israel;" (Mateus 10. 6).
Os judeus não seriam chamados a culpa de negação sem o devido anúncio da vinda do Messias de forma clara e rodeada de sinais que o comprovasse. Deus em Sua misericórdia preparou todo o palco para que o povo escolhido fosse o primeiro a receber a noticia da sua encarnação e do propósito de libertação da humanidade da escravidão do pecado. Mas Ele "veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1. 11)
A culpabilidade não surge da ignorância, mas do conhecimento e da não aceitação. Somos culpados desde a desobediência que em Gênesis temos o registro da Queda, mas temos responsabilidade pessoal quando percebemos a nossa culpa diante de Deus e o quanto estamos avesso a Ele e o quanto somos inimigos de Deus por conta de nosso pecado, e mesmo diante da tão grande prova de amor de Deus nos recusamos a segui-lo em obediência piedosa.
A negação tratada em Mateus 10. 33 (destaque), é relacionada a negação mediante o anuncio e conhecimento do que Deus fizera em favor daqueles que, agora, negarão. A condição de se dizer conhecedores e não seguir a Verdade revelada em Cristo, faz de si não simplesmente pecador, mas indesculpável do pecado de, com suas atitudes de rebeldia contra Deus, negar diante dos homens o senhorio de Cristo sobre sua vida.
Embora Mateus estivesse relatando uma instrução direta de Jesus aos discípulos quando, naquele momento, estavam sendo enviados aos judeus, este texto também se aplica a nós, cristãos de hoje que, mesmo diante de todo acesso à leitura bíblica, nos fixamos em viver diante dos outros de forma dissoluta e contrária aos princípios bíblicos e como Jesus nos ensinou a viver o cumprimento da Lei que é: Amando a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo. (cf. Mateus 22. 34-40)
Não falo aqui como criatura de Deus, mas como filho adotado pelo sangue de Jesus que foi o preço pago pela remissão de nossos pecados diante de Deus para o povo que hoje conhecemos como Igreja do Senhor, mediante arrependimento e confissão do senhorio de Cristo sobre nossa vida. Esta condição de Igreja do Senhor, não como instituição humana, mas como edifício espiritual erguido pelo próprio Deus que nos vivificou em Cristo Jesus, nos dá a responsabilidade e dever de, enquanto vivemos neste tempo, estejamos testemunhando constantemente e intensamente a nova criação que fomos feito mediante a Justificação em Cristo e, por estar unidos com Ele, precisamos anunciá-Lo àqueles que ainda não o conhece. Mas se damos mal testemunho diante dos homens, não é que tenhamos perdido a Salvação, mas que nunca a tivemos e por isso o negamos em nossas atitudes pois quem quer que seja tocado pelo Senhor, é transformado para uma vida de santificação dia após dia.
Não temos dados bíblicos que nos dê 100% de certeza do testemunho de cada um dos doze apóstolos, mas os que temos percebemos que a chamada aos doze não foi direcionada a pessoas perfeitas, mas os relatos nos mostram que a intimidade com o Mestre lhes deu a possibilidade de serem usados de forma poderosa para anunciar a muitos a Salvação em Cristo, e pelo menos um, que teve o mesmo acesso de todos os outros se perdeu e ficou conhecido como filho do diabo.
Que, como Igreja do Senhor, caminhando em fidelidade às Escrituras Sagradas e não à tradições e estatutos criados por homens, possamos testemunhar a este mundo perdido a tão grande prova de amor de Deus por aqueles que creem e crerão no Evangelho de Jesus Cristo.
Graça e paz do Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo de Moura Silva