quinta-feira, 13 de junho de 2019

Deus revela-se em meio a dor para Jó


Deus revela-se em meio a dor para Jó.
Estudo Bíblico Evangelístico em Produção Textual

Texto base: Jó 42, 5-6
"Com os ouvidos eu ouvira falar de ti; mas agora te vêem os meus olhos. Pelo que me abomino, e me arrependo no pó e na cinza."

É impossível uma apropriação de Cristo sem que entendamos a grandeza de Deus e a dimensão de nosso pecado, partindo do referencial relevante à Salvação: A Santidade de Deus. É extremamente necessário sermos confrontados quanto a nossa condição de pecadores e que esta condição nos torna inimigos de Deus nos impossibilitando o acesso a sua presença e misericórdia através de sua Graça Redentora.
Jó estava passando por uma grande tribulação em sua vida, onde Deus permitiu que várias coisas ruins acontecessem com ele para que sua fé fosse posta à prova bem como o seu testemunho. Isso porque naquele tempo, era comum o pensamento de que Deus recompensava os bons e punia os maus, ou seja, ele está passando por aquela situação, seria pelo fato de ele está sob o efeito de algum pecado não perdoado por Deus.
A consciência de nossa condição diante de Deus não será possível sem o intermédio da Lei que nos descreve todos os aspectos de nossas falhas diante do Senhor. Todo o contexto em que estamos inseridos nos levam a nos afastar do Pai que nos criou à sua imagem e semelhança, fazendo com que nossas atitudes e escolhas nos façam perder a noção de que fomos criados para adorá-lo.
Isaías teve esta sensação ao estar diante do Senhor dos Exércitos (Is 6.5: "Então disse eu: Ai de mim! pois estou perdido; porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio dum povo de impuros lábios; e os meus olhos viram o rei, o Senhor dos exércitos!"), onde ele reconheceu ser homem de lábios impuros e que habitava no meio de homens de impuros lábios. Esta percepção nos permite encontrar em Deus nosso único refugio (Sl 46.1: "Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.") para uma vida verdadeiramente separada ao Senhor, de forma a não nos influenciarmos pelo mal que nos cerca e tenta nos consumir em todo tempo. Isso não se trata apenas de palavras (pensando na referência a lábios), mas de tudo aquilo que nos induz a pecar contra o Senhor. O simples fato de não reverenciarmos sua presença, sua autoridade, de sermos rebeldes, da falta de amor, da falta de compromisso com as tarefas a nós impostas, negligência na atenção aos líderes... ou seja, tudo aquilo que faz com que desagrademos a Deus é uma forma de evidenciarmos nossa impureza espiritual e de afirmar, mesmo que inconscientemente, que somos independentes de Deus.
Tudo aquilo que fazemos à parte da influência do Espírito Santo de Deus faz com que nos tornemos uma afronta à sua Santidade, isso porque somos tendenciosos a darmos mais vez a carne do que ao Espírito. Precisamos está em constante vigília e em oração para que o Espírito nos exorte e nos guie sempre pelas veredas da Justiça para que não caiamos em tentação.
Muitas vezes nos enchemos de jargões e frases de efeito para tentarmos externar uma religiosidade que não condiz com a verdade que vivemos. Somos resistentes aos princípios de Deus pelo fato de que, quase sempre, somos confrontados com suas ordenanças. Infelizmente o que hoje chamam de religião, é apenas uma forma de grupos de pessoas criarem métodos onde as pessoas se sintam a vontade sob o pretexto de estarem cultuando a Deus, quando na verdade estão cultuando apenas aos seus devaneios e desejos devido aos moldes de pensamentos, de motivação e de comportamento que o mundo tem imposto às comunidades que se dizem cristãs.
Jó estava firme quanto a sua postura diante de Deus, mesmo não O tendo conhecido antes, mas nesse momento, ao final (mesmo ele ainda não sabendo que estava perto de terminar seu “tempo de prova”) Deus lhe concede um profundo conhecimento de sua grandeza e soberania sobre diversas coisas onde Jó percebe-se quão pequeno é diante de Deus.
Uma consciência, hoje, muitas vezes ignoradas pelo fato de que, diante de toda profundidade de conhecimento que temos através das Escrituras Sagradas, nos leva a crer que podemos julgar, nos rebelar, desistir ou afrontar de forma depreciativa autoridades. Esse contexto de independência que o mundo hoje insere em nosso pensamento, diante de um “avanço” filosófico e cultural, onde segundo Lovelace (2004, p. 59) “[...] a convicção de que os homens podem ser eticamente justos e respeitáveis, sem referência a Deus”1.
Diante de tudo isso, percebemos que tudo nos leva a pecar contra a Deus. Seja nosso próprio eu (carne), como também o mundo (que nos cerca), estamos em freqüente declínio espiritual à parte da instrução do Espírito Santo, sendo este o Consolador que o Filho, Jesus Cristo, nos enviou ao cumprir a Obra que o Pai lhe entregou. Desta forma, como encontrar uma saída, um meio de escapar deste laço permanente que nos leva a nos afastar de Deus? O segredo está na Cruz  do Calvário onde Cristo se doou para nos libertar e nos dar a motivação de buscarmos a santidade para tentarmos agradar ao Senhor.
A cruz é o ponto em que a ira de Deus contra o pecado se desvencilha e permite a separação do profundo amor que Deus tem pelo pecador, dando-lhe uma saída para sua condição de afastamento de sua presença. Mas esta saída é condicional à aceitação de Cristo, não só como Salvador, mas também como Senhor de nossas vidas, sendo Ele o referencial para nossas escolhas e atitudes diante de toda e qualquer situação imposta.
Maravilhosamente Jó demonstra um coração inclinado à aceitação da autoridade, senhorio e soberania de Deus sobre sua vida, mesmo não tendo ele a referência que temos do Amor de Deus expresso na Cruz de Cristo, como temos hoje. Ele entendeu em plenitude o que Deus significava para sua vida e se entregou ao Deus que até então só tinha ouvido falar, e que agora ele tinha visto com seus próprios olhos. Isso o comoveu a total humilhação diante do Senhor.
Hoje temos a expressão de Cristo e seu testemunho como homem que viveu, morreu mas ressuscitou para que fôssemos salvos através de seu sacrifício. Não há outra forma de reagirmos a esta atitude de Deus senão com uma total entrega de nossas vidas a seus propósitos tendo um coração e uma vida, que é o mais importante, inclinados às suas ordenanças.


Deus abençoe a todos.
Graça e paz da parte do nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo

PS.: Este estudo foi concebido ainda no início da minha caminhada no seminário em 2015.

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Clamando por restauração


"Restaura-nos, ó Deus dos Exércitos; faze resplandecer o teu rosto, e seremos salvos."

Salmos 80.7


O Salmo 80 nos remete a um pano de fundo da invasão assíria contra o Reino do Norte. O povo de Deus, plantado e já bem estruturado em um território estratégico e com muros estabelecidos, com uma herança histórica de vitórias e conquistas incríveis agora se vêem atemorizados e ameaçados por um grande império que, inclusive, havia sido profetizado a sua derrota por este povo vindo do norte.

O Reino do Norte, neste salmo representado pelas tribos de Efraim, Benjamim e Manassés, vem a Jerusalém clamar por livramento do domínio deste povo que os invade. Desesperados e percebendo-se entregues de vez devido as suas rebeldias contra Deus, o Senhor dos Exércitos, agora clamam pelo livramento que sua obediência os teria poupado. Eles vêem que o Santo Deus não poupa o povo em troca de Sua Santidade... eles clamam e pedem para ser ouvidos.

Um povo que reconhece tudo que foi feito e lembram do grande livramento do Egito. Uma nação que foi plantada em bom terreno tendo nações expulsas para a sua fixação naquele território. Um povo escravo feito em nação com terra e nome. Estenderam-se do mar ao rio com a poderosa mão do Senhor lhes plantando e lhes apoiando, mas eles agora olham e vêem que os que protegiam e lhes guardavam não era o poderio humano ou as fortificações de pedra. A sua obediência e a sua fidelidade em resplandecer a glória de Deus lhes garantiam sua identidade territorial e como povo. Tudo agora é facilmente derribado e roubado. A grande série de reis rebeldes e dinastias avessas à vontade de Deus, agora pesam contra eles mesmos.

"Ó Deus dos Exércitos, vota-te, nós te rogamos, olha do céu, e vê, e visita esta vinha; protege o que a tua mão direita plantou, o sarmento  que para ti fortaleceste." v. 14-15

É consciente no povo que eles são uma ramagem especial de toda a humanidade, que havia sido convocada para "produzir" o melhor de Deus. O Messias viria desta nação para a bênção de toda a criação, mas não de qualquer jeito. O povo deveria entender que Deus não se misturaria com todo e qualquer tipo de adoração e nem com a idolatria a outros deuses. Este povo era especial e deveria ser exclusivo de Deus. O castigo e o cativeiro seriam didáticos para o povo de Deus e para todos os demais povos para que ficasse claro que Deus é um Deus Santo e não condescendente com práticas avessas aos Seus princípios.

Israel estava prestes a perceber que as promessas de Deus são atemporais e não ligadas a momentos específicos ou apegadas a pessoas em especial. A eternidade está nas mãos de Deus e os dias, e anos, e eras são muito pouco diante da majestade e transcendência dEle no que diz respeito a tempo. 

Eles clamaram para que Deus julgasse e os cobrisse mais uma vez em livramento, mas neste episódio, o Reino do Norte é disperso diante do império assírio e as 10 tribos se perdem na história. Ainda há o remanescente que fica. Há, na verdade, os que serão usados para que o culto seja restaurado e venha o Cristo de Deus, louvado seja Deus.

Aquela grande nação, registrada nas Escrituras Sagradas nos mostra o quanto é impossível ao homem ser santificado por simplesmente ser uma ferramenta de Deus para a glória dEle. Eles tinham tudo em mãos para manter-se, pela fé, em comunhão e obediência ao Deus Criador pois sua história mostrava e revelava as grandes maravilhas que o Senhor tinha feito através deles e por eles, mas nem isto foi suficiente.


Hoje vivemos após a vinda do Cristo de Deus, Jesus. O Espírito Santo de Deus, nos dado em nossa conversão, mediante arrependimento sincero e entrega de vida ao senhorio de Cristo, nos fortalece em nossa caminhada e precisamos estar atentos a Sua orientação constante. Não somos perfeitos em vida, mas aperfeiçoados diariamente diante de nossas lutas. Assim como o autor da Carta aos Hebreus fala no capítulo 10, no verso 14: "Porque, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre quantos estão sendo santificados" [grifo meu]; Apesar de sermos representados em definitivo pela Obra Graciosa e perfeita do sacrifício de Cristo, estamos ainda sendo santificados e constantemente aperfeiçoados nEle.

"E disto nos dá testemunho também o Espírito Santo; porquanto, após ter dito: Esta é a aliança que farei com eles, depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei no seu coração as minhas leis e sobre a sua mente as inscreverei, acrescenta: Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre." Hebreus 10.15-17

Glória a Deus que, hoje, temos o Espírito Santo de Deus em nossas vidas, digo aqui, não todos os seres humanos, mas todos aqueles que se renderam a Cristo em arrependimento e que atendem a Sua Palavra soberana em todos os dias de sua vida, não misturando remorso e arrependimento.

O sacrifício de Jesus é a única forma de reconciliarmo-nos com Deus porque Ele mesmo se entregou por nós na Cruz do Calvário, e ressuscitou, e vive, e reina eternamente. Aleluia!


Deus abençoe a todos.
Graça e paz da parte do nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo