quarta-feira, 30 de abril de 2025

Sobre o Domingo da Ressurreição - Cremos na Ressurreição?!

 


Quanto você crê na ressureição?!

Claro que esta não é uma pergunta que terá respostas imprevisíveis.

Os que se dizem cristãos, por medo, por cultura ou por devoção, dirão firmemente: Sim! Os que são culturalmente e/ou academicamente descrentes (não diria ateus), estes diriam que a ressurreição é uma crença abstrata dos que se dizem cristãos. Os ditos ateus, estudiosos, tomariam uma postura quanto aos registros da ressurreição que, diga-se de passagem, é mais bem registrada do que, por exemplo, o verdadeiro fim do monstro do século XX, Hitler (confesso que sempre que lembro disto me espanto, também) e diriam que com o passar do tempo houve uma construção mítica como ocorre em todas as culturas.

Demorei a escrever sobre a Ressurreição pois passei este tempo observando os ecos de celebração deste importante acontecimento da fé cristã. E não é uma estória... é a história que muitos tentam refutar, mas não conseguem desprender dos registros históricos que incluem cristãos e não cristãos.

Os eventos celebrados na Semana Santa, que relembram os últimos dias do Nosso Senhor Jesus Cristo, culminam no domingo de Páscoa, dia em que o Senhor revela Seu poder sobre a morte, e nos dá a garantia final de que Ele não é apenas um homem, nem apenas um mestre, nem apenas um profeta... Jesus é O Cristo de Deus! O Deus encarnado! O autor e consumador da vida! Ele é a própria Vida! Aleluia!

É certo que muitos que circulam entre as muitas palavras e pregações cristãs, vão ter estas expressões, acima citadas, como "verdades absolutas" em suas vidas, mas será que realmente é nisso que se crê, ou apenas é um apelo cultural? Como é possível acreditar no ápice da fé cristã, segundo o apóstolo Paulo (I Coríntios 15.14,17), e não viver aguardando com ansiedade o momento de plena reunião com o Senhor na eternidade? Como pode o temor sobre as coisas desta vida (I Coríntios 15.19) reger suas posturas e nos colocar como covardes diante dos desafios? Como é possível alguém saber que a esta vida é passageira e a morte o último empecilho até a glória eterna, sabendo que esta já foi vencida em Cristo, e mesmo assim amar tanto esta vida a ponto de ser negligente com suas obrigações de filho de Deus?

Pois bem! Passei estes dias refletindo e observando os tais efeitos da Ressurreição e o que consigo observar é um multidão de hipócritas. Temos no século XXI um povo cristão apático, separado das verdades bíblicas e totalmente ajoelhados as conveniências mundanas e possiblidades de poder e riqueza que esta vida oferece, sem um pingo de confiança na Vida Eterna já garantida e comprovada pelo próprio Deus.

Temos um mundo carcomido pelo pecado, como sempre esteve, após Adão e Eva desobedecerem a ordem de Deus. Mas vemos nesta geração mais um gigantesco levante de pessoas e sistemas maus (o que também não é novidade), sem que não haja homens íntegros o suficiente para se combater as injustiças e maldades. A história comprovou que o freio dos maus (sejam homens, sejam sistemas), sempre foram homens tementes ao Criador, firmados em seus preceitos e mandamentos, que se levantavam, a custo da própria vida, para fazer o bem... estes sim, sabiam que havia algo mais excelente na Vida Eterna.

O cristianismo jamais foi uma questão apenas filosófica ou cultural, a não ser neste pervertido século XXI, esvaziado de uma grande massa cristã comprometida, cada um, em suas habilidades e talentos em promover o que é bom, belo, justo e verdadeiro. Hoje temos advogados, arquitetos, professores, médicos, matemáticos, físicos, "pastores"(?), e tantos outros comprometidos apenas com ganhos e projeções financeiras, denominacionais e pessoais, sem nenhuma preocupação com as pessoas próximas ou com as que virão, desonrando aqueles que deram a vida para promover boas coisas. (Colossenses 3.22,23 - O pior é saber que muitos vão pesar o serviço apenas pelo dinheiro, e não pelo servir.).

Imaginem vocês, se cada soldado da Segunda Guerra Mundial, que se levantaram contra o nazifacismo, tivesse pensado apenas naquele momento de sua vida e em sua família viva naquele momento, o que seríamos hoje? Eles amaram muito mais em sua atitude de doação e serviço, do que os eruditos covardes e frouxos que matam a virilidade necessária dos homens de hoje. (João 15.12-13)

A Ressurreição de Cristo Jesus nos dá a certeza de nossa fé, e nos garante a Vida Eterna. Mas enquanto estamos nesta vida, parafraseando 1 Coríntios 10.31, quer comamos, quer bebamos ou façamos qualquer outra coisa, façamos tudo para a glória de Deus.

Que a Ressurreição de Jesus, o Cristo de Deus faça sentido em sua vida e você consiga discernir, ao menos, acerca dos 10 mandamentos e seus desdobramentos, para que possam cumprir a terceira característica da religião pura e imaculada lida em Tiago 2.27. Visitar órfãos e viúvas em suas tribulações as ONGs, travestidas de igrejas, tem cumprido, mas multidões têm negligenciado na terceira caracterítica que é a de guardar-se da corrupção do mundo, isto nas questões acadêmicas, filosóficas, profissionais, familiares, culturais e econômicas.

Que Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

Davyson Gustavo de Moura Silva.

domingo, 20 de abril de 2025

Sábado da Paixão - Jesus Sepultado


 No sábado temos o dia de silêncio.

O Senhor da Vida foi morto pelos pecados de muitos. Seu corpo foi retirado da cruz a pedido de José, natural de Arimateia, um discípulo de Jesus, em segredo por medo dos judeus, senador honrado conforme relatado por João e Marcos (Mt 27.57; Mc 15.42,43; Lc 23.50,51; Jo 19.38), pede o corpo de Jesus a Pilatos (Mt 27.58; Mc 15.43; Lc 23.52; Jo 19.38) o qual o permite, ainda que surpreso por já ter Jesus morrido e após confirmar com o centurião a morte do Senhor na cruz, libera o corpo aos cuidados de José de Arimateia (Mc 15,44,45).

Juntamente com José de Arimateia, Nicodemos, aquele que fora ter com Jesus durante a noite (Jo 3.1-15), também colaborou para o sepultamento de Jesus, providenciando cerca de 100 libras de um composto de mirra e aloés para ungir o corpo de Jesus, conforme o costume dos judeus (Jo 19.39). Diante do falecimento do mestre, houve uma mobilização para providenciar todo o costume de sepultamento, ainda que corrido e urgente devido ser já o fim da sexta-feira, e ao cair do sol iniciaria o sábado, quando não poderia haver mais trabalhos, segundo a lei.

Envolveram o Senhor em um lençol novo, e colocaram o corpo de Jesus em um sepulcro que ninguém ainda havia usado, de posse de José de Arimateia, no qual rolaram uma grande pedra para fechar a entrada (Mt 27.59,60; Mc 15.46; Lc 23.53; Jo 19.41).

Algumas mulheres, que seguiam e serviam a Jesus, seguiram para ver onde colocaram o corpo do Senhor para que, após o sábado, pudessem fazer mais calmamente a preparação do corpo do mestre (Mt 27.61; Mc 15.47; Lc 23.55,56).

Mateus registra o temor dos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, no tocante de que não houvesse, por parte dos discípulos, o roubo do corpo do Senhor Jesus, e após levantassem uma narrativa de que tinha Jesus ressussitado no terceiro dia conforme prometido ainda em vida. Diante disto, Pilatos colocou a disposição destes homens soldados e permitiu que os usasse de guarda e fizesse conforme achassem melhor. A esta permissão, seguiu os fariseus e príncipes dos sacerdotes para deixar guardas guardando o túmulo e para selarem a entrada do sepulcro onde estava o corpo do Senhor Jesus (Mt 27. 62-66).

O sepultamento do Senhor após os eventos de humilhação, martírio e morte de Jesus foi traumatizante para os discípulos que O seguiam, mas, na medida do possível cada um acompanhou e participou do momento conforme lhe foi permitido.

Vê O Mestre morto, estendido no madeiro após jorrar sangue e água do Seu corpo (Jo 19.34-37), testemunharem o terremoto, a escuridão, o rasgar do véu do Templo de cima  a baixo, certamente impactou cada um dos seguidores do Senhor Jesus, mas ainda a Obra Redentiva não estava totalmente fechada. A fé dos discípulos ainda não estava totalmente firmada pois tudo que eles tinham, até aquele momento, era um grande testemunho de milagres e do mover de Deus através da vida do homem Jesus, e que agora ele estava morto e a ser sepultado. 

O fim da Sexta-feira para o sábado foi dolorido, e o sábado, conforme mandava a Lei, foi de reflexão e sem trabalhos a realizar. A Bíblia não trata de como foi o sábado, por isso pensamos em um sábado de obediência a Lei, mas em uma profunda dor e sofrimento pela morte daquele que tanto fez em vida com coragem e ousadia. Jesus estava morto, e agora restava cuidar de seu corpo e sepultamento. Mas antes, o sábado de descanso estava no meio. Deus silenciou naquele sábado de sofrimento.

José de Arimateia e Nicodemos, talvez tivesse sido de grande valia utilizando-se de suas relevância naquela sociedade e defendido Jesus. Mas não era este o propósito de Deus. Mas, mesmo assim, naquele sábado, penso que estes homens podem ter refletido profundamente tudo que poderiam ter tido feito para evitar aquele fim, até então, trágico.

Os discípulos, que logo seriam apóstolos, talvez passaram aquele sábado de silêncio pensando se deveriam ter ido adiante no ímpeto de defender com suas vidas o Senhor Jesus, mas não era o momento de assim o fazer... mas, certamente, diante da dor e do sofrimento, podem ter refletido sobre isso.

No momento de sua vida, hoje que temos toda a história da Redenção consumada e tudo revelado, como você dedica sua vida ao Senhor? Como um discípulo 007, tal qual Nicodemos e José? Ou como Pedro ao negar o Senhor em momentos cruciais? Ou como os demais discípulos que fugiram após a proibição pelo Senhor de não reagirem?

Houve um propósito para eles não fazerem nada, nem se posicionarem firmemente. Mas, após toda a história revelada, nos resta escolher a fuga e a negação diante dos desafios da vida, ou a intrepidez e ousadia no Espírito Santo deve ser nossa única escolha? Creio que a última opção é a única opção que, como cristãos, temos.

Que Deus nos permita a ousadia e a coragem necessária, mas que saibamos refletir com sabedoria e discernimento segundo os preceitos de Deus.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

sábado, 19 de abril de 2025

Sexta-feira da Paixão


Passada a noite em oração no Getsemani, ainda na madrugada, os príncipes dos sacerdotes vão pôr em prática o plano de O prenderem longe da movimentação de grandes multidões com a ajuda do traidor Judas Iscariotes (Mc 14. 10,11; Lc 22. 1-6), eles vão até o local de oração já conhecido por Judas (Jo 18. 2) e lá encontram Jesus e os demais discípulos que já os esperava.

Sinalizado com o beijo do traidor (Mt 26. 28,29; Mc 14. 44,45; Lc 22. 47,48), os guardas seguem para prendê-lo. Aqui há um registro importante da disposição de resistência dos discípulos, em defesa do Senhor Jesus, que apenas no Evangelho Segundo Lucas nós podemos ver. Conhecemos já a atitude impetuosa de Pedro ao ferir o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha (Mt 26. 51; Mc 14. 47; Lc 22. 50; Jo 18. 10), mas em Lucas vemos o verso 49 que diz: “E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada?”; não só Pedro, mas os demais discípulos estavam dispostos a lutar por Jesus. Mas aquele momento e os eventos seguintes eram necessários e assim o Senhor os instruí (Mt 26. 52-54; Lc 22. 51; Jo 18. 11). Aquele momento o Senhor precisava cumprir.

Jesus é preso e sua Via Crucis começa.

Ainda pela madrugada Jesus é julgado na casa do sumo sacerdote, diante do Sinédrio, onde os seus algozes utilizam-se de falsas testemunhas, violência e de subterfúgios com vistas a condenar o Senhor Jesus (Mt 26. 57-68; Mc 14. 55-65; Lc 22. 63-71; Jo 18. 19-24). O Sinédrio, com a presença do sumo sacerdote utilizam-se de meios e de ferramentas de total injustiça, injúria e testemunhos sem legitimidade para condenar, não apenas um justo, mas O Justo de Deus.

O abandono total do Senhor para este momento se dá em vistas da concretização da negação de Pedro. Este via o Senhor sendo covardemente acusado por mentirosos, humilhado e espancado, mas, o mesmo discípulo que há pouco cortara a orelha de um oficial, agora se via acovardado pela situação. Isto não para o condenar, mas para que se cumprisse toda a Escritura e pudéssemos ter todo o Plano de Deus cumprido. Pedro nega o Senhor (Mt 26. 69-75; Mc 14.66-72; Lc 22. 54-62; Jo 18. 25-27) para que, sozinho o Senhor fosse, enfim, o Sacrifício Perfeito e Santo de Deus para a remissão definitiva de nossos pecados. Diferentemente do sacrifício incompleto feito por Adão e todos os demais subsequentes. Agora seria o Cordeiro de Deus que estava indo para ser imolado pelos nossos pecados.

Jesus agora é levado diante de Pilatos, governador em Jerusalém, e que seria o responsável pela condenação de morte de cruz, visto que os judeus não poderiam condenar ninguém a morte (Jo 18.31), bem como para que se cumprisse a palavra de Jesus sobre que morte tinha que morrer (Jo 18.32).

No julgamento diante de Pilatos, o governador não vê culpa em Jesus e tenta soltá-lo ao oferecer um conhecido criminoso, o Barrabás (Mt 27. 15-18; Mc 15. 6-10; Lc 23. 17-25), mas não resistiu as petições do povo, incitado pelos sacerdotes do Templo e entregou Jesus a crucificação. Apenas Lucas registra o envio a Herodes que também não viu culpa em Jesus e o devolveu ao julgamento de Pilatos (Lc 23. 7-12).

Sem saber, os soldados romanos, ainda que de forma sarcástica e irônica, tem a oportunidade de saudar o Rei dos reis, e Senhor dos senhores colocando sobre Ele uma capa escarlate, uma coroa de espinhos e entregando-lhe uma cana em lugar de cetro, ajoelham-se em forma de piada e o saúdam ironicamente (Mt 27. 28-31; Mc 15. 16-19), sem saber eles que esta seria a oportunidade de honrar sinceramente o Eterno Deus.

Jesus agora é conduzido pelas ruas de Jerusalém, coroado com uma coroa de espinhos, até o Gólgota, carregando o madeiro que comporia o seu instrumento de martírio final (Mt 27. 32-33; Mc 15. 21-23; Jo 19. 16-18), que seria o palco da incompreensiva separação do Pai e do Filho, sendo ambos a mesma pessoa. O evangelista Lucas registra com mais detalhe o caminho ao Gólgota tendo, além da convocação de Simão, o cireneu, a qual Mateus e Marcos também relatam, Lucas adiciona ainda a fala as mulheres que choravam no caminho (Lc 23. 26-31).

Enfim no Gólgota, agora o Senhor é crucificado. Ele rejeita o torpor do vinho misturado com mirra (Mt 27. 34; Mc 15. 23); sobre Suas vestes foram lançadas sortes para cumprir profecia (Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23. 34; Jo 19. 23,24); sobre Sua cruz puseram a inscrição "Este é Jesus, O Rei dos Judeus" (Mt 27.37; Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19); ainda na Cruz salvou a um dos ladrões mediante arrependimento e reconhecimento de sua divindade e sacrifício (Lc 23.39-43); Jesus, o Filho, foi separado do Pai no derramar da Ira de Deus sobre o Deus-Homem Jesus que bradou: Eloí, Eloí, lemá sabactâni?, ou seja, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46; Mc 15.34).

Após eventos miraculosos como a escuridão por 3 horas (Mt 27. 45; Mc 15.33; Lc 23.44-45a), bem como o véu do Templo foi rasgado, a terra tremeu, mortos ressuscitaram (Mt 27. 51,52; Mc 15. 38), muitos perceberam a divindade do Senhor Jesus e houve tremor ao perceberem que Ele era o Filho de Deus.

Ao morrer nos substituindo na morte e condenação eterna de Deus, naquela cruz, naquela sexta-feira, Jesus cumpriu a promessa feita a Adão, que a semente da mulher viria para que justificasse toda a humanidade, pisando na cabeça da serpente, apesar dela ferir o seu calcanhar (Gn 3.15). Agora, não mais um animal seria morto para cobrir o pecado do homem, mas o próprio Deus se pôs na humilhação da carne, na morte de cruz, recebendo todo o derramar eterno da Ira de Deus sobre si mesmo para que pudéssemos ser reconciliados com Deus mediante arrependimento.

Para que haja remissão de pecados é necessário que haja derramamento de sangue, antes de bois e cordeiros, agora, de forma definitiva e especial se faz pelo sangue de Cristo Jesus (Lv 17.11; Hb 9.22). Como já dito outras vezes, em Adão, Deus sacrificou um animal para cobrir o pecado de Adão e Eva no Éden. Agora, em Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus é imolado para, em definitivo entregar a propiciação dos pecados para todo aquele que nEle crer.

Diferentemente dos soldados que renderam uma adoração irônica e sarcástica ao Senhor, colocando uma falsa coroa, um manto emprestado e um cetro sem valor, ajoelhando-se diante dele e falsamente o adorando, precisamos entender que o Cristo de Deus se revelou e se doou. Que não haja em nós a superficialidade de atos que são embelezados em gestos, mas não significam nada na nossa vida prática. O Filho de Deus, Jesus Cristo, encarnou para nos dar vida e certeza de redenção. A garantia no Seu Sangue que fomos redimidos pelo sacrifício perfeito.

Na sexta-feira da Paixão, vemos Jesus Cristo se entregando para ser morto, mas esse não é o fim da história.

Louvado seja Deus!

Deus abençoe, em nome de Jesus.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Quinta-feira da Paixão




 Na quinta-feira da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, O Senhor se reúne com os discípulos, a parte de multidões, em um cenáculo escolhido para aquele momento, que já era de conhecimento de “um certo homem”, que sabia que o Senhor o requereria o lugar para aquele momento, o qual mostrou aos discípulos enviados para preparar a Última Ceia do Senhor, antes da Sua morte (Mt26.17,18; Mc14.12-16; Lc 22.8-13), e assim, e ali, foi preparada.

Neste momento muitas coisas são reveladas, além de Sua morte iminente:
- O Senhor anuncia a traição (Mt 26.21-25; Mc 14.18-21; Lc 22.21-23; Jo 13.21-30);
- Não mais o Senhor tomaria do fruto da vide até o Dia em que o beber de novo no Reino de Deus (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.16,18);
- A liturgia da Ceia do Senhor é apresentado, como um memorial, mesmo que a forma tenha se perdido com o tempo e com o institucionalismo que a tornou menos orgânica (Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19-21);
- Pedro é avisado que negará ao Senhor (Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38).

Finalizada a Ceia, segundo relata o apóstolo João (Jo 13.2), O Senhor Jesus se coloca como servo, tira as vestes e cinge-se com uma toalha (Jo 13.4), toma uma bacia com água e lava os pés de todos os discípulos (Jo 13. 5-11), mesmo com a onisciente consciência que nem todos estavam limpos (Jo13. 10,11), pois já era consciente de que Satanás tinha posto no coração de Judas traí-lo (Jo 13.2). Apenas Pedro resistiu ao gesto, mas foi convencido pelo Senhor na importância de receber (Jo 13.7-9).

Após a Ceia do Senhor, do Lava Pés, da saída de Judas para o trair, Jesus passa a dar instruções mais específicas e orar pelos discípulos, que agora seriam apóstolos (αποστόλους = mensageiro), permitindo a eles uma percepção mais objetiva da divindade dEle antes de sua prisão e morte (Jo 14-17). Mas, mais profundamente, e de forma a transformar de vez suas mentes, só seria entendido estas instruções após a ressurreição do Senhor.

Cantado um hino, O Senhor leva os discípulos para um local onde iria orar, local chamado de Getsêmani (Mt 26.36; Mc 14.32), que ficava além do ribeiro do Cedrom, onde havia um horto (Jo 18.1) no monte das Oliveiras (Lc 22.39), local já conhecido por eles por muitas vezes ser usado como local de oração de Jesus com Seus discípulos (Jo 18.2). Neste local, Jesus ora ao Pai para que o Cálice da Ira de Deus passasse dEle, se assim fosse possível (Mt 26. 38-44; Mc 14. 34-41; Lc 22. 41-46), mas o Senhor Jesus já estava disposto, desde a fundação do mundo (Ap 13.8), a este sacrifício para remissão dos pecados de todo aquele que nele crê (Jo 3.16).

Jesus, o Cristo de Deus inicia seus últimos dias com um momento de comunhão e de serviço com aqueles que O seguiam. Compartilhou da mesa, inclusive, com aquele que o trairia e seria o responsável, humanamente falando, pela sua prisão e morte mediante a traição por dinheiro.

 Apesar de haver muito a se dizer e se discutir, visto que como homens somos questionadores e obstinados, por vezes, de coração, mas o Senhor revela-se nas Escrituras Sagradas de forma a permitir que todos tenham acesso a história da Salvação, onde Deus vai em busca do pecador perdido, e para pagar pelo inalcançável preço do pecado contra o Eterno e Soberando Deus, Deus mesmo, em Sua forma humana, como Jesus, O Cristo, se colocou como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

 Na quinta da Paixão, O Senhor iniciou a sua caminhada até a Cruz do Calvário onde, o que Ele temia pelo qual orou no Getsêmani, não eram as dores e as humilhações sofridas na chamada Via Crucis, como muito é pregado hoje em dia, em um contexto humanista , mas, sim, o temer do Filho de Deus, o Deus Homem, era derramar da Ira de Deus na carne humana que Ele, o próprio Deus escolheu vir, para que pudesse representar toda a humanidade, mas que só proporcionará a Redenção àqueles que aceitarem o Seu Senhorio, ao arrepender-se dos seus pecados e o receber como Senhor e Salvador na sua vida.

 Boa quinta-feira da Paixão.