quinta-feira, 17 de abril de 2025

Quinta-feira da Paixão




 Na quinta-feira da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, O Senhor se reúne com os discípulos, a parte de multidões, em um cenáculo escolhido para aquele momento, que já era de conhecimento de “um certo homem”, que sabia que o Senhor o requereria o lugar para aquele momento, o qual mostrou aos discípulos enviados para preparar a Última Ceia do Senhor, antes da Sua morte (Mt26.17,18; Mc14.12-16; Lc 22.8-13), e assim, e ali, foi preparada.

Neste momento muitas coisas são reveladas, além de Sua morte iminente:
- O Senhor anuncia a traição (Mt 26.21-25; Mc 14.18-21; Lc 22.21-23; Jo 13.21-30);
- Não mais o Senhor tomaria do fruto da vide até o Dia em que o beber de novo no Reino de Deus (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.16,18);
- A liturgia da Ceia do Senhor é apresentado, como um memorial, mesmo que a forma tenha se perdido com o tempo e com o institucionalismo que a tornou menos orgânica (Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19-21);
- Pedro é avisado que negará ao Senhor (Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38).

Finalizada a Ceia, segundo relata o apóstolo João (Jo 13.2), O Senhor Jesus se coloca como servo, tira as vestes e cinge-se com uma toalha (Jo 13.4), toma uma bacia com água e lava os pés de todos os discípulos (Jo 13. 5-11), mesmo com a onisciente consciência que nem todos estavam limpos (Jo13. 10,11), pois já era consciente de que Satanás tinha posto no coração de Judas traí-lo (Jo 13.2). Apenas Pedro resistiu ao gesto, mas foi convencido pelo Senhor na importância de receber (Jo 13.7-9).

Após a Ceia do Senhor, do Lava Pés, da saída de Judas para o trair, Jesus passa a dar instruções mais específicas e orar pelos discípulos, que agora seriam apóstolos (αποστόλους = mensageiro), permitindo a eles uma percepção mais objetiva da divindade dEle antes de sua prisão e morte (Jo 14-17). Mas, mais profundamente, e de forma a transformar de vez suas mentes, só seria entendido estas instruções após a ressurreição do Senhor.

Cantado um hino, O Senhor leva os discípulos para um local onde iria orar, local chamado de Getsêmani (Mt 26.36; Mc 14.32), que ficava além do ribeiro do Cedrom, onde havia um horto (Jo 18.1) no monte das Oliveiras (Lc 22.39), local já conhecido por eles por muitas vezes ser usado como local de oração de Jesus com Seus discípulos (Jo 18.2). Neste local, Jesus ora ao Pai para que o Cálice da Ira de Deus passasse dEle, se assim fosse possível (Mt 26. 38-44; Mc 14. 34-41; Lc 22. 41-46), mas o Senhor Jesus já estava disposto, desde a fundação do mundo (Ap 13.8), a este sacrifício para remissão dos pecados de todo aquele que nele crê (Jo 3.16).

Jesus, o Cristo de Deus inicia seus últimos dias com um momento de comunhão e de serviço com aqueles que O seguiam. Compartilhou da mesa, inclusive, com aquele que o trairia e seria o responsável, humanamente falando, pela sua prisão e morte mediante a traição por dinheiro.

 Apesar de haver muito a se dizer e se discutir, visto que como homens somos questionadores e obstinados, por vezes, de coração, mas o Senhor revela-se nas Escrituras Sagradas de forma a permitir que todos tenham acesso a história da Salvação, onde Deus vai em busca do pecador perdido, e para pagar pelo inalcançável preço do pecado contra o Eterno e Soberando Deus, Deus mesmo, em Sua forma humana, como Jesus, O Cristo, se colocou como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

 Na quinta da Paixão, O Senhor iniciou a sua caminhada até a Cruz do Calvário onde, o que Ele temia pelo qual orou no Getsêmani, não eram as dores e as humilhações sofridas na chamada Via Crucis, como muito é pregado hoje em dia, em um contexto humanista , mas, sim, o temer do Filho de Deus, o Deus Homem, era derramar da Ira de Deus na carne humana que Ele, o próprio Deus escolheu vir, para que pudesse representar toda a humanidade, mas que só proporcionará a Redenção àqueles que aceitarem o Seu Senhorio, ao arrepender-se dos seus pecados e o receber como Senhor e Salvador na sua vida.

 Boa quinta-feira da Paixão.


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