domingo, 20 de abril de 2025

Sábado da Paixão - Jesus Sepultado


 No sábado temos o dia de silêncio.

O Senhor da Vida foi morto pelos pecados de muitos. Seu corpo foi retirado da cruz a pedido de José, natural de Arimateia, um discípulo de Jesus, em segredo por medo dos judeus, senador honrado conforme relatado por João e Marcos (Mt 27.57; Mc 15.42,43; Lc 23.50,51; Jo 19.38), pede o corpo de Jesus a Pilatos (Mt 27.58; Mc 15.43; Lc 23.52; Jo 19.38) o qual o permite, ainda que surpreso por já ter Jesus morrido e após confirmar com o centurião a morte do Senhor na cruz, libera o corpo aos cuidados de José de Arimateia (Mc 15,44,45).

Juntamente com José de Arimateia, Nicodemos, aquele que fora ter com Jesus durante a noite (Jo 3.1-15), também colaborou para o sepultamento de Jesus, providenciando cerca de 100 libras de um composto de mirra e aloés para ungir o corpo de Jesus, conforme o costume dos judeus (Jo 19.39). Diante do falecimento do mestre, houve uma mobilização para providenciar todo o costume de sepultamento, ainda que corrido e urgente devido ser já o fim da sexta-feira, e ao cair do sol iniciaria o sábado, quando não poderia haver mais trabalhos, segundo a lei.

Envolveram o Senhor em um lençol novo, e colocaram o corpo de Jesus em um sepulcro que ninguém ainda havia usado, de posse de José de Arimateia, no qual rolaram uma grande pedra para fechar a entrada (Mt 27.59,60; Mc 15.46; Lc 23.53; Jo 19.41).

Algumas mulheres, que seguiam e serviam a Jesus, seguiram para ver onde colocaram o corpo do Senhor para que, após o sábado, pudessem fazer mais calmamente a preparação do corpo do mestre (Mt 27.61; Mc 15.47; Lc 23.55,56).

Mateus registra o temor dos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, no tocante de que não houvesse, por parte dos discípulos, o roubo do corpo do Senhor Jesus, e após levantassem uma narrativa de que tinha Jesus ressussitado no terceiro dia conforme prometido ainda em vida. Diante disto, Pilatos colocou a disposição destes homens soldados e permitiu que os usasse de guarda e fizesse conforme achassem melhor. A esta permissão, seguiu os fariseus e príncipes dos sacerdotes para deixar guardas guardando o túmulo e para selarem a entrada do sepulcro onde estava o corpo do Senhor Jesus (Mt 27. 62-66).

O sepultamento do Senhor após os eventos de humilhação, martírio e morte de Jesus foi traumatizante para os discípulos que O seguiam, mas, na medida do possível cada um acompanhou e participou do momento conforme lhe foi permitido.

Vê O Mestre morto, estendido no madeiro após jorrar sangue e água do Seu corpo (Jo 19.34-37), testemunharem o terremoto, a escuridão, o rasgar do véu do Templo de cima  a baixo, certamente impactou cada um dos seguidores do Senhor Jesus, mas ainda a Obra Redentiva não estava totalmente fechada. A fé dos discípulos ainda não estava totalmente firmada pois tudo que eles tinham, até aquele momento, era um grande testemunho de milagres e do mover de Deus através da vida do homem Jesus, e que agora ele estava morto e a ser sepultado. 

O fim da Sexta-feira para o sábado foi dolorido, e o sábado, conforme mandava a Lei, foi de reflexão e sem trabalhos a realizar. A Bíblia não trata de como foi o sábado, por isso pensamos em um sábado de obediência a Lei, mas em uma profunda dor e sofrimento pela morte daquele que tanto fez em vida com coragem e ousadia. Jesus estava morto, e agora restava cuidar de seu corpo e sepultamento. Mas antes, o sábado de descanso estava no meio. Deus silenciou naquele sábado de sofrimento.

José de Arimateia e Nicodemos, talvez tivesse sido de grande valia utilizando-se de suas relevância naquela sociedade e defendido Jesus. Mas não era este o propósito de Deus. Mas, mesmo assim, naquele sábado, penso que estes homens podem ter refletido profundamente tudo que poderiam ter tido feito para evitar aquele fim, até então, trágico.

Os discípulos, que logo seriam apóstolos, talvez passaram aquele sábado de silêncio pensando se deveriam ter ido adiante no ímpeto de defender com suas vidas o Senhor Jesus, mas não era o momento de assim o fazer... mas, certamente, diante da dor e do sofrimento, podem ter refletido sobre isso.

No momento de sua vida, hoje que temos toda a história da Redenção consumada e tudo revelado, como você dedica sua vida ao Senhor? Como um discípulo 007, tal qual Nicodemos e José? Ou como Pedro ao negar o Senhor em momentos cruciais? Ou como os demais discípulos que fugiram após a proibição pelo Senhor de não reagirem?

Houve um propósito para eles não fazerem nada, nem se posicionarem firmemente. Mas, após toda a história revelada, nos resta escolher a fuga e a negação diante dos desafios da vida, ou a intrepidez e ousadia no Espírito Santo deve ser nossa única escolha? Creio que a última opção é a única opção que, como cristãos, temos.

Que Deus nos permita a ousadia e a coragem necessária, mas que saibamos refletir com sabedoria e discernimento segundo os preceitos de Deus.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

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