Sinalizado com o beijo do traidor (Mt 26. 28,29; Mc 14.
44,45; Lc 22. 47,48), os guardas seguem para prendê-lo. Aqui há um registro
importante da disposição de resistência dos discípulos, em defesa do Senhor
Jesus, que apenas no Evangelho Segundo Lucas nós podemos ver. Conhecemos já a
atitude impetuosa de Pedro ao ferir o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a
orelha (Mt 26. 51; Mc 14. 47; Lc 22. 50; Jo 18. 10), mas em Lucas vemos o verso
49 que diz: “E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe:
Senhor, feriremos à espada?”; não só Pedro, mas os demais discípulos estavam
dispostos a lutar por Jesus. Mas aquele momento e os eventos seguintes eram
necessários e assim o Senhor os instruí (Mt 26. 52-54; Lc 22. 51; Jo 18. 11).
Aquele momento o Senhor precisava cumprir.
Jesus é preso e sua Via Crucis começa.
Ainda pela madrugada Jesus é julgado na casa do sumo sacerdote, diante do Sinédrio, onde os seus algozes utilizam-se de falsas testemunhas, violência e de subterfúgios com vistas a condenar o Senhor Jesus (Mt 26. 57-68; Mc 14. 55-65; Lc 22. 63-71; Jo 18. 19-24). O Sinédrio, com a presença do sumo sacerdote utilizam-se de meios e de ferramentas de total injustiça, injúria e testemunhos sem legitimidade para condenar, não apenas um justo, mas O Justo de Deus.
O abandono total do Senhor para este momento se dá em vistas da concretização da negação de Pedro. Este via o Senhor sendo covardemente acusado por mentirosos, humilhado e espancado, mas, o mesmo discípulo que há pouco cortara a orelha de um oficial, agora se via acovardado pela situação. Isto não para o condenar, mas para que se cumprisse toda a Escritura e pudéssemos ter todo o Plano de Deus cumprido. Pedro nega o Senhor (Mt 26. 69-75; Mc 14.66-72; Lc 22. 54-62; Jo 18. 25-27) para que, sozinho o Senhor fosse, enfim, o Sacrifício Perfeito e Santo de Deus para a remissão definitiva de nossos pecados. Diferentemente do sacrifício incompleto feito por Adão e todos os demais subsequentes. Agora seria o Cordeiro de Deus que estava indo para ser imolado pelos nossos pecados.
Jesus agora é levado diante de Pilatos, governador em Jerusalém, e que seria o responsável pela condenação de morte de cruz, visto que os judeus não poderiam condenar ninguém a morte (Jo 18.31), bem como para que se cumprisse a palavra de Jesus sobre que morte tinha que morrer (Jo 18.32).
No julgamento diante de Pilatos, o governador não vê culpa em Jesus e tenta soltá-lo ao oferecer um conhecido criminoso, o Barrabás (Mt 27. 15-18; Mc 15. 6-10; Lc 23. 17-25), mas não resistiu as petições do povo, incitado pelos sacerdotes do Templo e entregou Jesus a crucificação. Apenas Lucas registra o envio a Herodes que também não viu culpa em Jesus e o devolveu ao julgamento de Pilatos (Lc 23. 7-12).
Sem saber, os soldados romanos, ainda que de forma sarcástica e irônica, tem a oportunidade de saudar o Rei dos reis, e Senhor dos senhores colocando sobre Ele uma capa escarlate, uma coroa de espinhos e entregando-lhe uma cana em lugar de cetro, ajoelham-se em forma de piada e o saúdam ironicamente (Mt 27. 28-31; Mc 15. 16-19), sem saber eles que esta seria a oportunidade de honrar sinceramente o Eterno Deus.
Jesus agora é conduzido pelas ruas de Jerusalém, coroado com uma coroa de espinhos, até o Gólgota, carregando o madeiro que comporia o seu instrumento de martírio final (Mt 27. 32-33; Mc 15. 21-23; Jo 19. 16-18), que seria o palco da incompreensiva separação do Pai e do Filho, sendo ambos a mesma pessoa. O evangelista Lucas registra com mais detalhe o caminho ao Gólgota tendo, além da convocação de Simão, o cireneu, a qual Mateus e Marcos também relatam, Lucas adiciona ainda a fala as mulheres que choravam no caminho (Lc 23. 26-31).
Enfim no Gólgota, agora o Senhor é crucificado. Ele rejeita o torpor do vinho misturado com mirra (Mt 27. 34; Mc 15. 23); sobre Suas vestes foram lançadas sortes para cumprir profecia (Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23. 34; Jo 19. 23,24); sobre Sua cruz puseram a inscrição "Este é Jesus, O Rei dos Judeus" (Mt 27.37; Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19); ainda na Cruz salvou a um dos ladrões mediante arrependimento e reconhecimento de sua divindade e sacrifício (Lc 23.39-43); Jesus, o Filho, foi separado do Pai no derramar da Ira de Deus sobre o Deus-Homem Jesus que bradou: Eloí, Eloí, lemá sabactâni?, ou seja, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46; Mc 15.34).
Após eventos miraculosos como a escuridão por 3 horas (Mt 27. 45; Mc 15.33; Lc 23.44-45a), bem como o véu do Templo foi rasgado, a terra tremeu, mortos ressuscitaram (Mt 27. 51,52; Mc 15. 38), muitos perceberam a divindade do Senhor Jesus e houve tremor ao perceberem que Ele era o Filho de Deus.
Ao morrer nos substituindo na morte e condenação eterna de Deus, naquela cruz, naquela sexta-feira, Jesus cumpriu a promessa feita a Adão, que a semente da mulher viria para que justificasse toda a humanidade, pisando na cabeça da serpente, apesar dela ferir o seu calcanhar (Gn 3.15). Agora, não mais um animal seria morto para cobrir o pecado do homem, mas o próprio Deus se pôs na humilhação da carne, na morte de cruz, recebendo todo o derramar eterno da Ira de Deus sobre si mesmo para que pudéssemos ser reconciliados com Deus mediante arrependimento.
Para que haja remissão de pecados é necessário que haja derramamento de sangue, antes de bois e cordeiros, agora, de forma definitiva e especial se faz pelo sangue de Cristo Jesus (Lv 17.11; Hb 9.22). Como já dito outras vezes, em Adão, Deus sacrificou um animal para cobrir o pecado de Adão e Eva no Éden. Agora, em Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus é imolado para, em definitivo entregar a propiciação dos pecados para todo aquele que nEle crer.
Diferentemente dos soldados que renderam uma adoração irônica e sarcástica ao Senhor, colocando uma falsa coroa, um manto emprestado e um cetro sem valor, ajoelhando-se diante dele e falsamente o adorando, precisamos entender que o Cristo de Deus se revelou e se doou. Que não haja em nós a superficialidade de atos que são embelezados em gestos, mas não significam nada na nossa vida prática. O Filho de Deus, Jesus Cristo, encarnou para nos dar vida e certeza de redenção. A garantia no Seu Sangue que fomos redimidos pelo sacrifício perfeito.
Na sexta-feira da Paixão, vemos Jesus Cristo se entregando para ser morto, mas esse não é o fim da história.
Louvado seja Deus!
Deus abençoe, em nome de Jesus.
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