Há algum tempo que não escrevo por aqui, mas não por falta de vontade, é apenas algo que se parece com o tal TDAH e me atrapalho com os muitos pensamentos, programações e obrigações.
Hoje, no entanto, em meu momento de leitura, fui pego no texto de 1Pedro 4.11, e fiquei preso nele. Toscamente montei a imagem que ilustra esta postagem e fiquei a refletir no quanto que há como laço a atenção de quem simplesmente fala bem e bastante, mas, por vezes, o conteúdo é apenas vento e vã doutrina humana. Estes laços certamente embaraçam a muitos visto que a formação "paulofreireana" que temos colhido na sociedade brasileira aponta apenas para a atenção ao falar muito, sem conteúdo de relevância eterna, mas com grande apreço pelas emoções e superficialidades momentâneas da vida... por isso fiquei preso no texto de 1Pedro.
Já tive muitas conversas com várias pessoas acerca deste assunto, e percebo que muita gente me olha como pedante ou soberbo, mas não é nunca esta a intenção, ao ponto que ponho em questionamento o que digo, e gosto muito quando consigo discorrer com alguém sobre os temas que ponho em rodas de conversa. Mas não é comum as pessoas gostarem de "debater" sobre temas difíceis, que apontam quase sempre para a própria pessoa.
Pois bem, sobre o escrito de Pedro, em sua primeira carta, Pedro vem discorrendo acerca de Cristo ter padecido na carne, apontando para a necessidade de nós mesmos abdicarmos de nossa natureza pecaminosa e tendências ao mal, para que possamos viver uma vida renunciando as concupiscências da carne, e nos voltando para a vontade de Deus.
Concupiscências estas que nos levava a viver tal qual os ímpios, nos entregando a devassidão, maus desejos, bebedeiras, orgias, farras e na idolatria repugnante. A nossa condição a parte da escolha intencional e objetiva de agradar e viver para Deus conforme Ele determina é de total perdição. Pedro não segura a pena de escrever tais acusações pois é necessário que o cristão tenha total consciência de quem ele é sem Deus. É impossível um salvo viver em santidade simplesmente matando o pecado, mas sendo incapaz de reconhecê-lo em si mesmo. Reconhecendo assim, sem soberba ou pensamento de poder em si mesmo, o cristão consegue surpreender os ímpios que percebem que, mesmo apesar de sua condição, o cristão escolhe viver o bem que Deus orienta e representa. E isso é mais ofensivo para o ímpio do que chacotar de alguém que vive dizendo que é algo, mas vive outra realidade.
A arma que Pedro instrui é a oração, como posto no verso 7, apontando a prudência e a atenção através da oração. Não que a oração vá fazer uma mágica na vida do crente, mas porque a oração vai levar nossa vontade a se dobrar a vontade de Deus, mesmo que a custo de nossas emoções e desejos. Os critérios humanos não são mais importantes do que o que o Espírito de Deus nos instrui.
No verso 8, após aconselhar a prudência e a atenção por meio da oração, Pedro instrui que nos amemos de forma sincera uns aos outros, falando que o amor perdoa uma multidão de pecados. Lembrando que o amor segundo Deus não é aquele amor rendido aos caprichos alheios, mas um amor atento e prudente pela vontade de Deus. É isto que torna a Igreja luz e sal do mundo. A orientação de amor não é a complacência, seja dolosa ou culposa, mas o amor segundo Deus corrige e instrui como podemos ver em Hebreus 12.6 e Provérbios 3.12, onde lemos respectivamente:
"Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" - Hb12. 6
"Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem" - Pv 3.12
Não, o amor, definitivamente, não tem nada a ver com o tipo de amor complacente e moroso que vemos hoje ser pregado e vivido, o que já dá um "spoiler" de que não vivenciamos o falar segundo as palavras de Deus. Nossa missão é ser bons despenseiros da multiforme graça de Deus, que em nada tem a ver com a multiforme capacidade de o ser o homem ser mau e pecador para com o Senhor.
Daí chegamos ao texto chave, na obrigação que temos de falar segundo as palavras de Deus e administrar segundo a força que Deus nos dá. O que temos na ordem é uma direção de total submissão ao Senhor e Sua providência, mas com a instrução de total atenção ao que o Senhor revela e não ao que nós queremos dizer no lugar de Deus. Eu sempre me perguntei como que as pessoas ouviam cristãos em tempos em que a perversidade sexual e de violência eram tão mais possíveis. E hoje mesmo vemos, no nosso contexto brasileiro, como as facções criminosas se rendem aos ditames da fé cristã permitindo, inclusive, que membros destes grupos possam sair a vida do crime com o compromisso de serem verdadeiros cristãos. Isso se dá porque o mundo sempre desejou, e continua desejando a Verdade que Deus é, e revela-se em Cristo Jesus, bem como a autoridade que Deus tem sobre a Criação que tenha o mínimo de atenção a Sua revelação.
Claro que consideramos a dura e, aparentemente, imparável perseguição aos irmãos cristãos em países de extrema perseguição. Mas lembro quem nestes lugares, o cristianismo foi totalmente subjugado pelo poder estatal, o materialismo foi colocado no lugar juntamente com as diversas vertentes de cosmovisões anti-cristãs e antisemitas existentes no mundo hoje. Mas, mesmo com intensa perseguição, o Senhor continua provando o desejo do povo dEle em conhecê-lo e buscar aproximar-se dEle. A perseguição não prova que Deus não existe ou abandonou o mundo ou a Igreja, só mostra que a Igreja continua avançando e Deus reunindo os Seus. Louvado seja Deus.
Para chegar ao extremos caos de uma total perseguição como vemos em países do continente africano, na Coreia do Norte, na China e em outros lugares assim, penso que o arrefecimento progressivo e constante do ensino e a acomodação ao paternalismo estatal que aceita o poder estatal como sendo um tipo de deus pregando uma redenção e restauração aqui na terra. Paulo nos traz na Carta aos Efésios os dons que Deus deu para o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério e edificação do corpo de Cristo, chegando a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, não sendo nós mais levados em ventos de doutrina de engano de homens, buscando antes seguir a verdade em amor crescendo e sabendo que o cabeça da Igreja é Cristo, senhor nosso, amém! (Efésios 4. 11-16)
Nosso compromisso, quando falar em Deus e de Deus, é falar segundo as palavras que o Senhor nos ensinou quem e como Ele é, não de acordo com as nossas paixões.
Sobretudo, é de extrema necessidade sermos tal qual os bereanos que conferiam nas Escrituras o que Paulo lhes dizia, mostrando que o senhorio jamais virá de títulos ou cargos humanos, mas do compromisso leal e piedoso com a Verdade revelada por Deus.