quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

A Videira Verdadeira - Estudo Bíblico


ESTUDO BÍBLICO – A VIDEIRA VERDADEIRA (Jo 15.1-8)
Texto Base: João 15.1-8
Introdução
O uso da figura da videira era bastante comum para o judeu que aprendera na sua tradição e pelo ensino dos profetas e da Lei que Deus muitas vezes relacionava o povo, ou parte dele, com a videira, que era uma planta comum na Palestina naquele tempo.
Sl 80.8,14,15
Israel visto como o povo plantado por Deus para que frutificasse
Sl 128.3a
Fertilidade – Uma característica desta planta
Isaias 5.1-7 (7)
Negligência espiritual de Israel em afastar-se de Deus e produzir “uvas bravas”
Ez 17.(1-)8
O próprio Deus (águia 1 – v3) plantou a vinha (Israel – v5) em local propício para muito frutificar, mas ela preferiu estender suas ramagens para a águia 2 (Egito – v7).
Jl 2.22
חיל – Tem a idéia básica de força e influência. A videira estava envolvida na profecia de que haveria fartura em certo tempo.
Para o judeu era bem fácil ligar o crescimento natural e espiritual com a figura da videira e/ou da vide, mas também havia a possibilidade de que as videiras poderiam falhar na função de dar fruto, e isso também era usado para retratar a falha do crescimento espiritual do povo de Deus, como podemos ver
Isaias 5.4
“Que mais se podia fazer à minha vinha, que eu lhe não tenha feito? E como, esperando eu que desse uvas boas, veio a produzir uvas bravas?”
Jeremias 2.21
“Eu mesmo te plantei como vide excelente, uma semente inteiramente fiel; como, pois, te tornaste para mim uma planta degenerada, de vide estranha?”
É importante ter em mente aqui estes pontos para que seja possível uma boa análise do texto exposto por João neste trecho das Escrituras Sagradas.
Este texto é de especial dificuldades até para os estudiosos mais dedicados e geram algumas vertentes, mas o que vamos tentar distinguir é uma diferença entre “discípulos aparentes” e verdadeiros “discípulos do Senhor”.
1.      Porque esta imagem da videira neste momento?
Jesus está neste momento dando as últimas instruções aos seus discípulos antes de iniciar a sua “Via Crucis”. Os discípulos não sabiam, mas João escreve em Jo 13.1, que Jesus já sabia que era chegada a sua hora (“..., sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai,...”). Este era o momento para que Jesus instruísse os seus discípulos e que eles soubessem com antecedência o que aconteceria para que eles se fortalecessem em confiar que Jesus era o Messias (Jo 13.19; 14.29).
Neste momento, em que eles estavam prestes a ver o Mestre sendo preso e levado à julgamento, Jesus vem fortalecê-los para que continuem crendo mesmo após o que virá a acontecer: a traição por Judas.
Que momento para dizer: “Fiquem firmes!” Tenho ouvido isso constantemente de um pastor amigo de Minas Gerais. Às vezes não temos o que conversar, mas ele manda pelo menos um “Como estão as coisas? Fiquem firme!”. Os discípulos precisavam entender que o que iria acontecer, não mudava quem Jesus era e nem quem eles deveriam perseverar em ser. A ligação com o Mestre deveria ser ainda mais forte pois agora eles teriam que caminhar pela fé e pelos Seus mandamentos e assim provar do seu amor pelo Mestre que garantiu em se manifestar aqueles que guardassem os seus mandamentos (João 14.21).
Jesus quer dizer aqui: Independente do que aconteça, permaneçam em mim para que vocês frutifiquem abundantemente. Todas as características que ligadas a videira e ao trato desta planta, agora nos comunicam que Jesus é o substituto pra todas as ilustrações de Israel neste modelo.
15.1 Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador
Deus é a figura do “viticultor”. Israel sabe disso como vimos no texto de Isaías 5.1-3. Mas Jesus aqui vai além em dizer que Ele É A Videira Verdadeira. Toda a imagem que o texto do Antigo Testamento traz sobre esta planta, de força do povo, de fertilidade espiritual, Jesus toma pra Ele de forma clara aos apóstolos. Ele não diz simplesmente que ele comeu ou que ele colheu  da videira verdadeira, mas que Ele é Ela.
Era um anseio natural do povo querer se “alimentar” do fruto da sabedoria para que alcançassem certo nível de intimidade com Deus, mas agora Jesus vem fortalecer aquilo que Ele vem ensinando aos discípulos como em João 14.20 (Naquele dia, conhecereis que estou em meu Pai, e vós, em mim, e eu, em vós)... Que ligação é essa? – talvez os discípulos tenham se perguntado. Mas agora eles são confrontados a pensarem em Jesus, aquele homem que eles estão vendo e ouvindo sem nenhuma coroa de poder, mas que se diz que vê-lo é como ver o Pai (João 14.10).
15.2Toda vara em mim que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.
Temos nesta passagem algo que pode nos instigar a pensar que era possível que houvesse aqueles que estivessem intimamente ligados a Cristo, mesmo imaginando que os judeus ainda não o conheciam, mas a ligação com a frutificação espiritual nos possibilita pensar em algumas direções.
I - Jesus ao servir os discípulos lavando seus pés, instrui que só era preciso lavar os pés pois eles já estavam limpos, mas não todos (João 13,10-11). Jesus sabia que havia de ser traído, e que nem todos estavam produzindo os frutos esperados.
II - O fruto do Espírito tem características bem específicas: “Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança.Galátas 5.22
III – Em Hebreus 12.4-11, temos nos versos 6 e 11 que o “Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho. E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.
Podemos perceber que toda a ação de Deus, mesmo parecendo dolorosa, visa o bem daqueles que permanecem firmes na Videira Verdadeira. Os ramos que não produzem os frutos como deveriam precisam ser cortados para que os ramos recebam melhor suprimento, sendo estes cuidados e limpos para que os frutos que já dão, sejam de forma mais abundantemente frutífero.
15.3Vós já estais limpos pela palavra que vos tenho falado
Pela fé na palavra de Cristo, os onze apóstolos estavam limpos e, como escreveu Paulo, “sendo pois justificados pela fé, temos paz com Deus por nosso Senhor Jesus Cristo;” (Romanos 5.1)
Eles não estavam simplesmente andando com Jesus e se intitulando seus discípulos. Eles creram realmente nas suas palavras e isso Jesus reconheceu e por isso eles continuaram a participar deste momento de partilha íntima do Senhor antes de sua morte. Era o momento dos primeiros crentes ouvirem do Senhor suas ultimas instruções para que fossem fortalecidos para a próxima etapa que viria, pois a primeira eles tinham conquistado: Eles creram!!!
15.4Estai em mim, e eu, em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.
Estai ou permanecei? Estou ou permanecerei?
A NVI e a NTLH traduzem o termo μείνατε como sendo permanecer, já a JFA-RC traduz como sendo ESTAI. A tradução permanecer me deixa mais confortável analisando o termo, mas confesso que estava meio limitado de recursos esta noite. Mas a verificação no léxico que tinha à mão, dirige o termo para um variante de μενω, o que nos traz como sendo a melhor tradução permanecer.
Mas uma vez podemos cair na tentação de pensar aqui na possibilidade de perda de salvação caso não permaneçamos, mas a idéia não pode fugir da idéia imediata do autor no parágrafo, no capítulo, no livro ou na bíblia como um todo. Este é o percurso que devemos percorrer para buscar a informação sobre o que realmente o texto quer dizer. Temos que correr para o que a Bíblia tem em seu contexto próximo ou mais abrangente em toda a sua extensão.
Em João 10.27, 28, 29, Jesus nos diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará das minhas mãos.Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las das mãos de meu Pai”. O autor nos traz uma palavra do próprio Jesus onde a possibilidade de a ovelha se perder não existe, logo, aqui, estamos vendo Jesus tratar a mesma idéia de que a permanência nEle, apesar de ter iniciado com a ação dEle de nos buscar, estar em nosso compromisso continuo de buscá-Lo e nos aprofundarmos em Suas palavras. Lido como em: Colossenses 1.21-23 e Hebreus 2.1; 3.14
Mas o texto continua nos comunicando uma simbiose, uma comunhão tamanha que não é simplesmente pegar um fruto e comer, mas produzir do fruto que a própria videira produz.
Através das varas que estão na videira, que este fruto será produzido e esta analogia Jesus fecha dizendo: “assim também vós, se não estiverdes em mim.”. É necessário estarmos em Cristo para produzirmos dEle. Não é simplesmente conhecer de longe, mas está intimamente e visceralmente ligados a Ele que fará a diferença do fruto que produziremos.
15.5Eu sou a videira, vós, as varas; quem está em mim, e eu nele, esta dá muito fruto porque sem mim nada podereis fazer
Voltando a idéia do versículo primeiro, Jesus agora aponta diretamente para a relação dos ramos com os seus discípulos. Ele é a Videira, e seus discípulos os κλήματα, os ramos da videira.
A permanência nEle aqui é enfatizada com “muito fruto”, não é somente mais fruto, mas muito fruto. Estes frutos são vistos não segundo nossos parâmetros, mas segundos os parâmetros de Deus e é Ele quem avalia o que é fruto.
Não é simplesmente pensar que os que não estão caminhando com Deus não podem produzir, mas muitas vezes se declara e até se anuncia (lembremos o caso de Judas), mas muitas vezes os frutos não são verdadeiros por não virem da Videira Verdadeira. A produção desta vinha depende dEle e não de nós. Não é simplesmente querer produzir, mas está nEle para que Ele produza através da gente, e para isso é preciso estarmos atentos ao que O Senhor nos instrui. Sua Palavra nos mostra como produzir e nos motiva a perseverar nEle, como também vimos nos textos de Colossenses 1.21-23 e Hebreu 2.1;3.14.
15.6Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem (queimam)
Aqueles encontrados como os “discípulos aparentes”, reconhecidos por Deus por não produzirem frutos conforme os Seus padrões, estarão sendo lançados fora como “um simples ramo” e secará, e será colhido para ser lançado no fogo. Mas que fogo é este? João vem tratar de uma possível aniquilação das almas dos não salvos? Tão certo como o céu é estar na eternidade na presença de Deus, é certo também que os que serão encontrados fora de seus parâmetros também terão uma eternidade afastados de Deus onde este lugar é conhecido como um lago de fogo.
Apocalipse 20.15E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo
Apocalipse 20.10 “E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.”
Marcos 9.43...;melhor para ti entrares na vida aleijado do que, tendo duas mãos, ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga
Não há aniquilação. A escatologia de João é, em parte, vista neste momento e a palavra diz que não haverá uma eternidade de refrigério, mas de sofrimento pela escolha do afastamento de Deus.
15.8Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim sereis meus dicípulos.
Mateus 5.16Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus
Filipenses 1.10-11Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais senceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo, cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus” (NVI- por meio de Jesus; NTLH – que só Jesus pode produzir.)
Ser Discípulo de Jesus Cristo. Este é o nosso alvo e Jesus vem fortalecer-nos nesta manhã, assim como fortaleceu seus discípulos naquele dia. Não é maldade de Deus nos dizer que não podemos viver dissolutamente entregues em nossos sistemas pessoais de valores. É uma demonstração de sua abundante graça nos apresentar os preceitos que Ele deseja que sigamos, em uma resposta amorosa por todo amor derramado por Ele através de Jesus Cristo. João 3.16 (Todo que nEle crê. Todo que a Ele ouvir. Todo que a Ele seguir.)


Estudo dado durante a EBD no Retiro Jesus é Real, da Primeira Igreja Batista em Cabedelo da União de Adolescentes e Unijovem.

Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Nascido em berço evangélico?

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo."
2 Coríntios 5. 17


Na Igreja do Senhor temos diversas oportunidades de exercitar dons, desenvolver os frutos do Espírito (Gl 5.22) e crescer espiritualmente de forma que nossas atitudes sejam diferentes das atitudes que tínhamos quando não conhecíamos Jesus.
Mas e quando não se teve a oportunidade de entender que não se estava em Cristo? Quando uma pessoa cresce ouvindo que "já nasceu no Evangelho" e acredita que todas as suas atitudes já eram resultado de sua caminhada cristã?

É assustador perceber que a maior parte dos "homicidas espirituais" de hoje são pessoas que passaram a vida ouvindo e repetindo que "nasceram no Evangelho". Pessoas que não tiveram a percepção da metanoia que só a compreensão do pecado, a necessidade do arrependimento e a confiante entrega da vida nas mãos de Jesus Cristo pode gerar. Estas pessoas acreditam que tudo que fizeram na vida foi caminhar em obediência e suas ações são seguras de estarem segundo a vontade de Deus... mas não é bem assim.

Claro que de pronto nos vem a mente filhos de pastores, presbíteros ou classes (humanamente hierarquizadas) que são superiores a de "meros membros", mas aqueles irmãozinhos, que já seus pais eram convertidos e, que foram criados à ferro e fogo para que criassem esta consciência, de que já são cristãos porque os pais assim o são, têm o grande desafio de compreender o Evangelho da Salvação e se arrependerem de seus atos e se entregarem a Cristo... pra eles esse passo já foi dado pelo seus pais, de tal forma que há muitos que ainda não tiveram um momento de confessar a Jesus como Senhor e Salvador. Talvez até já declararam uma fidelidade a sua instituição religiosa, mas nunca perceberam sua necessidade de relacionamento com Cristo pois isso foi tirado pelos pais que o forçaram a caminhar e ser cristãos, e/ou foi negligenciado pela própria pessoa que escolheu ler as Escrituras com a soberba que sempre aprendeu viver.

O texto em destaque nos traz a reflexão de que nossa condição ao crer em Cristo muda e agora não mais temos uma vida própria, não mais somos o que éramos. Essa consciência de que o que éramos não agradava a Deus só foi possível devido a nossa compreensão de pecado. Estar em Cristo passou pelo crivo de compreender que o preço que deveria ter sido pago por mim, foi pago por Ele naquela cruz, e naquela morte eu estava representado para que agora não tivesse mais o direito de viver por mim (2Co 5.14,15), mas por amor daquele que por mim morreu e ressuscitou... é importante dizer "por mim" porque este presente é pessoal e não pode ser transferido nem de pai para filho.
Ser esta nova criatura não é não ter lembrança do que se fazia na prisão do pecado, desagradando a Deus e não cuidando de que o Criador de todas as coisas estava insatisfeito conosco, mas a lembrança de nossas más atitudes nos faz perceber que, mesmo tendenciosos a continuar fazendo o mal, não há mais alegria nisto e precisamos perseverar em estarmos em um íntimo relacionamento com Jesus Cristo, sabendo qual sua resposta para nossas atitudes e estando prontos para não mais ser como antes, mas agora como Ele deseja que sejamos, afinal, "as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo".

Se me fosse permitido dar alguns conselhos eu diria:
* Irmão, se você hoje se percebe nesta consciência de que "nasceu no Evangelho", repense sua caminhada e se não houve consciência de pecado e necessidade de arrependimento, acredite, algo em você acha que você não necessita tanto assim de Jesus Cristo. Lembre-se, TODOS pecaram e precisam da glória de Deus (Rm 3.23), e esta glória se revela em suas riquezas em Cristo Jesus, riqueza essa manifesta por Deus aos seus santos que os fez conhecer as riquezas da glória que é "Cristo em vós, esperança da glória" (Cl 3.24-27 - destaque para o verso 27);
* Irmão, se o seu caso é que está sendo conduzido desta forma, ainda há tempo de se perceber nesta falha e consertar seu caminho. Arrependa-se pois precisamos deste passo e depois confiar em Cristo como Salvador e Senhor. Só por Ele podemos nos achegar ao Pai confiadamente sem medo e sem dúvidas.

Como nova criatura, será fácil perceber sua nova condição. Os sinais que lhe cercarão e lhe conduziram serão:
Gálatas 5. 22: "Mas o fruto do Espírito é: amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança"
Colossenses 3.12: "Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade, suportando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição."
Romanos 12.9: "O amor não seja fingido. Aborrecei o mal e apegai-vos ao bem" (É válido continuar do verso 9 ao 21)


Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo.