terça-feira, 2 de setembro de 2025

A boa política depende de bons cristãos atuando ativamente

 



Hoje em dia a política é vista pelo seu viés pervertido, que envolve escândalos, interesses pessoais, ataques pessoais e discursos confusos que minimizam a importância das ideologias e/ou cosmovisões envolvidas na polarização que hoje é tão evidente, e já adianto que necessária. Ao invés de ser percebido pelo seu viés verdadeiro e honroso de promoção de pessoas idôneas para a condução de decisões e atos que viabilizem a vida em sociedade de forma a promover o bem, a justiça, o belo e o verdadeiro através de uma estrutura acadêmica e de informação que preza por tais valores. Neste cenário o cristão piedoso (não o progressista, seduzido por uma fé acomodada e não centrada nas Escrituras Sagradas) se vê preso em duas possibilidade tentadoras: a indiferença ou a revolta. No entanto, a Palavra de Deus nos chama a um caminho diferente. Há diversas passagens na Bíblia Sagrada que trata sobre governos e a sua função, mas aqui vamos olhar para o texto de 1Timóteo 2.1-4, onde o apóstolo Paulo escreve a Timóteo, considerando o cenário político de sua época, duro e violento, mas direciona para a prática da intercessão pelos governantes, indicando que a retidão na justiça destes seria causa de bem estar de toda a sociedade, enfatizando que o desejo do próprio Deus era que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade"

"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que, tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade."

1Timóteo 2.1-4 

É importante frisar que a exortação de Paulo não traz a ideia de que a oração seja uma fuga da realidade política. Nenhuma oração pode ser feita sem a devida reflexão quanto a realidade vivida para que as deprecações, orações, intercessões e ações de graças possam ser de acordo com o que acontecia, objetivando uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Estes valores só podemos alcançar de forma pura e profunda ao termos uma vida arraigada nos princípios e preceitos de Deus. Portanto, não há na exortação de Paulo um apontamento a concordância com todas as ações feitas pelo poder político, mas que haja no povo de Deus, principalmente, a preocupação de comparar tais ações com o que Deus determina como bom e justo, para que os anseios dos cidadãos seja pelo padrão de Deus. Desta forma, a política pode ser vivida de duas formas: segundo o padrão ideal de Deus, ou de maneira pervertida, quando Ele é excluído do processo.

Em todas as passagens no Novo Testamento, relacionadas a governos e governantes, até onde vejo (vou deixar esta humilde colocação para uma possível falha minha), nenhuma está desprendida do propósito  de governo segundo a perspectiva de Deus. Inclusive, mesmo sendo escritos, tanto o Novo Testamento quanto o Antigo Testamento, ambos se parecem ligar em uma relação direta a fidelidade do povo de Deus aos Seus preceitos e o alinhamento ao bem que o povo está submetido. Ainda que a Bíblia tenha sido escrita em sua totalidade em cenários de reinos e impérios, me parece que há uma direta relação de proporcionalidade de justiça e juízo para o povo quanto a sua própria fidelidade a Deus. Digo o povo de Deus.

O apóstolo Paulo faz uma ligação a ação intencional de orações da Igreja, a uma vida quieta e sossegada, com piedade e honestidade, agradando a Deus. Esta sequência desemboca no que temos como versículo 4 que seria a conclusão desta linha de raciocínio do apóstolo, que diz: "...que quer [Deus] que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade". Ou seja, não são governantes ou ímpios que são instruídos sobre a vontade de Deus sobre SALVAÇÃO E CONHECIMENTO DA VERDADE, mas sim o próprio povo de Deus que é instruído pelos escritos sagrados a assim fazerem. Talvez por isso, cristãos de séculos atrás, movidos por este compromisso, iniciaram faculdades para pesquisa e investigação dos atos da Criação afim de entender melhor a Deus, a natureza e o próprio homem, segundo a verdade que o próprio Deus nos permite alcançar.

Assim sendo, não há como separar a fé cristã da promoção da verdade, bem como da boa prática da política. Acontecendo esta separação, o que podemos colher de frutos é substituição de Deus pela figura do Estado que seria um poder imanente, temporal, efêmero em seus valores e práticas visto que não há uma transcendência e nem um ponto firme e eterno como são os preceitos do Único, Eterno e Soberano Deus. Esta realidade não pode ser alcançada por quem não crê no Senhor, ainda que possa haver atos de bondade no homem, mas os propósitos e virtudes só serão profundos e capazes de resistir a posse do poder ao governar se, e somente se, primeiro: O povo de Deus estiver consciente de suas responsabilidades e serem ativos na percepção, ações como cidadãos da terra, para que, como cidadãos do céu possam elevar a Deus orações objetivas, e; segundo: Os governantes estejam alinhados com os preceitos de Deus, seja por serem servos do Deus altíssimo, seja por reconhecerem o compromisso do povo de Deus com os mais excelentes valores e preceitos que fluem do Senhor. Caso contrário, teremos Juízo e não justiça de Deus operando sobre todos.

Que Deus nos conduza a um tempo de arrependimento e retorno aos princípios de Deus, assim como irmãos piedosos antigamente o fizeram e pudemos ver os avanços de liberdade e justiça nas sociedades do chamado mundo livre, que hoje vemos tão destruídos por uma consciência afogada no pós-modernismo e em uma cultura ateísta e materialista.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.
Davyson Gustavo de Moura Silva.