quinta-feira, 23 de outubro de 2025

O dom não é falar, é falar segundo as palavras de Deus


 "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!" 1Pedro 4.11

Há algum tempo que não escrevo por aqui, mas não por falta de vontade, é apenas algo que se parece com o tal TDAH e me atrapalho com os muitos pensamentos, programações e obrigações.

Hoje, no entanto, em meu momento de leitura, fui pego no texto de 1Pedro 4.11, e fiquei preso nele. Toscamente montei a imagem que ilustra esta postagem e fiquei a refletir no quanto que há como laço a atenção de quem simplesmente fala bem e bastante, mas, por vezes, o conteúdo é apenas vento e vã doutrina humana. Estes laços certamente embaraçam a muitos visto que a formação "paulofreireana" que temos colhido na sociedade brasileira aponta apenas para a atenção ao falar muito, sem conteúdo de relevância eterna, mas com grande apreço pelas emoções e superficialidades momentâneas da vida... por isso fiquei preso no texto de 1Pedro.

Já tive muitas conversas com várias pessoas acerca deste assunto, e percebo que muita gente me olha como pedante ou soberbo, mas não é nunca esta a intenção, ao ponto que ponho em questionamento o que digo, e gosto muito quando consigo discorrer com alguém sobre os temas que ponho em rodas de conversa. Mas não é comum as pessoas gostarem de "debater" sobre temas difíceis, que apontam quase sempre para a própria pessoa.

Pois bem, sobre o escrito de Pedro, em sua primeira carta, Pedro vem discorrendo acerca de Cristo ter padecido na carne, apontando para a necessidade de nós mesmos abdicarmos de nossa natureza pecaminosa e tendências ao mal, para que possamos viver uma vida renunciando as concupiscências da carne, e nos voltando para a vontade de Deus.

Concupiscências estas que nos levava a viver tal qual os ímpios, nos entregando a devassidão, maus desejos, bebedeiras, orgias, farras e na idolatria repugnante. A nossa condição a parte da escolha intencional e objetiva de agradar e viver para Deus conforme Ele determina é de total perdição. Pedro não segura a pena de escrever tais acusações pois é necessário que o cristão tenha total consciência de quem ele é sem Deus. É impossível um salvo viver em santidade simplesmente matando o pecado, mas sendo incapaz de reconhecê-lo em si mesmo. Reconhecendo assim, sem soberba ou pensamento de poder em si mesmo, o cristão consegue surpreender os ímpios que percebem que, mesmo apesar de sua condição, o cristão escolhe viver o bem que Deus orienta e representa. E isso é mais ofensivo para o ímpio do que chacotar de alguém que vive dizendo que é algo, mas vive outra realidade.

A arma que Pedro instrui é a oração, como posto no verso 7, apontando a prudência e a atenção através da oração. Não que a oração vá fazer uma mágica na vida do crente, mas porque a oração vai levar nossa vontade a se dobrar a vontade de Deus, mesmo que a custo de nossas emoções e desejos. Os critérios humanos não são mais importantes do que o que o Espírito de Deus nos instrui. 

No verso 8, após aconselhar a prudência e a atenção por meio da oração, Pedro instrui que nos amemos de forma sincera uns aos outros, falando que o amor perdoa uma multidão de pecados. Lembrando que o amor segundo Deus não é aquele amor rendido aos caprichos alheios, mas um amor atento e prudente pela vontade de Deus. É isto que torna a Igreja luz e sal do mundo. A orientação de amor não é a complacência, seja dolosa ou culposa, mas o amor segundo Deus corrige e instrui como podemos ver em Hebreus 12.6 e Provérbios 3.12, onde lemos respectivamente:

"Porque o Senhor corrige o que ama, e açoita a qualquer que recebe por filho" - Hb12. 6

"Porque o Senhor repreende aquele a quem ama, assim como o pai ao filho a quem quer bem" - Pv 3.12

Não, o amor, definitivamente, não tem nada a ver com o tipo de amor complacente e moroso que vemos hoje ser pregado e vivido, o que já dá um "spoiler" de que não vivenciamos o falar segundo as palavras de Deus. Nossa missão é ser bons despenseiros da multiforme graça de Deus, que em nada tem a ver com a multiforme capacidade de o ser o homem ser mau e pecador para com o Senhor.

Daí chegamos ao texto chave, na obrigação que temos de falar segundo as palavras de Deus e administrar segundo a força que Deus nos dá. O que temos na ordem é uma direção de total submissão ao Senhor e Sua providência, mas com a instrução de total atenção ao que o Senhor revela e não ao que nós queremos dizer no lugar de Deus. Eu sempre me perguntei como que as pessoas ouviam cristãos em tempos em que a perversidade sexual e de violência eram tão mais possíveis. E hoje mesmo vemos, no nosso contexto brasileiro, como as facções criminosas se rendem aos ditames da fé cristã permitindo, inclusive, que membros destes grupos possam sair a vida do crime com o compromisso de serem verdadeiros cristãos. Isso se dá porque o mundo sempre desejou, e continua desejando a Verdade que Deus é, e revela-se em Cristo Jesus, bem como a autoridade que Deus tem sobre a Criação que tenha o mínimo de atenção a Sua revelação.

Claro que consideramos a dura e, aparentemente, imparável perseguição aos irmãos cristãos em países de extrema perseguição. Mas lembro quem nestes lugares, o cristianismo foi totalmente subjugado pelo poder estatal, o materialismo foi colocado no lugar juntamente com as diversas vertentes de cosmovisões anti-cristãs e antisemitas existentes no mundo hoje. Mas, mesmo com intensa perseguição, o Senhor continua provando o desejo do povo dEle em conhecê-lo e buscar aproximar-se dEle. A perseguição não prova que Deus não existe ou abandonou o mundo ou a Igreja, só mostra que a Igreja continua avançando e Deus reunindo os Seus. Louvado seja Deus.

Para chegar ao extremos caos de uma total perseguição como vemos em países do continente africano, na Coreia do Norte, na China e em outros lugares assim, penso que o arrefecimento progressivo e constante do ensino e a acomodação ao paternalismo estatal que aceita o poder estatal como sendo um tipo de deus pregando uma redenção e restauração aqui na terra. Paulo nos traz na Carta aos Efésios os dons que Deus deu para o aperfeiçoamento dos santos para a obra do ministério e edificação do corpo de Cristo, chegando a unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, não sendo nós mais levados em ventos de doutrina de engano de homens, buscando antes seguir a verdade em amor crescendo e sabendo que o cabeça da Igreja é Cristo, senhor nosso, amém! (Efésios 4. 11-16)

Nosso compromisso, quando falar em Deus e de Deus, é falar segundo as palavras que o Senhor nos ensinou quem e como Ele é, não de acordo com as nossas paixões.

Sobretudo, é de extrema necessidade sermos tal qual os bereanos que conferiam nas Escrituras o que Paulo lhes dizia, mostrando que o senhorio jamais virá de títulos ou cargos humanos, mas do compromisso leal e piedoso com a Verdade revelada por Deus.

Deus abençoe a todos.
Davyson Gustavo de Moura Silva

terça-feira, 2 de setembro de 2025

A boa política depende de bons cristãos atuando ativamente

 



Hoje em dia a política é vista pelo seu viés pervertido, que envolve escândalos, interesses pessoais, ataques pessoais e discursos confusos que minimizam a importância das ideologias e/ou cosmovisões envolvidas na polarização que hoje é tão evidente, e já adianto que necessária. Ao invés de ser percebido pelo seu viés verdadeiro e honroso de promoção de pessoas idôneas para a condução de decisões e atos que viabilizem a vida em sociedade de forma a promover o bem, a justiça, o belo e o verdadeiro através de uma estrutura acadêmica e de informação que preza por tais valores. Neste cenário o cristão piedoso (não o progressista, seduzido por uma fé acomodada e não centrada nas Escrituras Sagradas) se vê preso em duas possibilidade tentadoras: a indiferença ou a revolta. No entanto, a Palavra de Deus nos chama a um caminho diferente. Há diversas passagens na Bíblia Sagrada que trata sobre governos e a sua função, mas aqui vamos olhar para o texto de 1Timóteo 2.1-4, onde o apóstolo Paulo escreve a Timóteo, considerando o cenário político de sua época, duro e violento, mas direciona para a prática da intercessão pelos governantes, indicando que a retidão na justiça destes seria causa de bem estar de toda a sociedade, enfatizando que o desejo do próprio Deus era que "todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade"

"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens, pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que, tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Porque isso é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade."

1Timóteo 2.1-4 

É importante frisar que a exortação de Paulo não traz a ideia de que a oração seja uma fuga da realidade política. Nenhuma oração pode ser feita sem a devida reflexão quanto a realidade vivida para que as deprecações, orações, intercessões e ações de graças possam ser de acordo com o que acontecia, objetivando uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade. Estes valores só podemos alcançar de forma pura e profunda ao termos uma vida arraigada nos princípios e preceitos de Deus. Portanto, não há na exortação de Paulo um apontamento a concordância com todas as ações feitas pelo poder político, mas que haja no povo de Deus, principalmente, a preocupação de comparar tais ações com o que Deus determina como bom e justo, para que os anseios dos cidadãos seja pelo padrão de Deus. Desta forma, a política pode ser vivida de duas formas: segundo o padrão ideal de Deus, ou de maneira pervertida, quando Ele é excluído do processo.

Em todas as passagens no Novo Testamento, relacionadas a governos e governantes, até onde vejo (vou deixar esta humilde colocação para uma possível falha minha), nenhuma está desprendida do propósito  de governo segundo a perspectiva de Deus. Inclusive, mesmo sendo escritos, tanto o Novo Testamento quanto o Antigo Testamento, ambos se parecem ligar em uma relação direta a fidelidade do povo de Deus aos Seus preceitos e o alinhamento ao bem que o povo está submetido. Ainda que a Bíblia tenha sido escrita em sua totalidade em cenários de reinos e impérios, me parece que há uma direta relação de proporcionalidade de justiça e juízo para o povo quanto a sua própria fidelidade a Deus. Digo o povo de Deus.

O apóstolo Paulo faz uma ligação a ação intencional de orações da Igreja, a uma vida quieta e sossegada, com piedade e honestidade, agradando a Deus. Esta sequência desemboca no que temos como versículo 4 que seria a conclusão desta linha de raciocínio do apóstolo, que diz: "...que quer [Deus] que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade". Ou seja, não são governantes ou ímpios que são instruídos sobre a vontade de Deus sobre SALVAÇÃO E CONHECIMENTO DA VERDADE, mas sim o próprio povo de Deus que é instruído pelos escritos sagrados a assim fazerem. Talvez por isso, cristãos de séculos atrás, movidos por este compromisso, iniciaram faculdades para pesquisa e investigação dos atos da Criação afim de entender melhor a Deus, a natureza e o próprio homem, segundo a verdade que o próprio Deus nos permite alcançar.

Assim sendo, não há como separar a fé cristã da promoção da verdade, bem como da boa prática da política. Acontecendo esta separação, o que podemos colher de frutos é substituição de Deus pela figura do Estado que seria um poder imanente, temporal, efêmero em seus valores e práticas visto que não há uma transcendência e nem um ponto firme e eterno como são os preceitos do Único, Eterno e Soberano Deus. Esta realidade não pode ser alcançada por quem não crê no Senhor, ainda que possa haver atos de bondade no homem, mas os propósitos e virtudes só serão profundos e capazes de resistir a posse do poder ao governar se, e somente se, primeiro: O povo de Deus estiver consciente de suas responsabilidades e serem ativos na percepção, ações como cidadãos da terra, para que, como cidadãos do céu possam elevar a Deus orações objetivas, e; segundo: Os governantes estejam alinhados com os preceitos de Deus, seja por serem servos do Deus altíssimo, seja por reconhecerem o compromisso do povo de Deus com os mais excelentes valores e preceitos que fluem do Senhor. Caso contrário, teremos Juízo e não justiça de Deus operando sobre todos.

Que Deus nos conduza a um tempo de arrependimento e retorno aos princípios de Deus, assim como irmãos piedosos antigamente o fizeram e pudemos ver os avanços de liberdade e justiça nas sociedades do chamado mundo livre, que hoje vemos tão destruídos por uma consciência afogada no pós-modernismo e em uma cultura ateísta e materialista.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.
Davyson Gustavo de Moura Silva. 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Em Cristo, as feridas e perdas valem a pena!

 

#SemUmPedaçoDeMim


"Tempo que conta, tempo que cura?! Não! Mas o tempo ajuda. Ou atrapalha? As vezes é difícil saber, mas em tudo é bom saber que Deus continuará no Seu Alto e Sublime Trono, Soberano e Eternamente.
Em tudo, louvado seja Deus."

Foi assim que fiz a minha primeira reflexão após a separação violenta que sofremos na família. Não de cônjuges, mas da nossa filha. A imagem adaptei para representar o fato. Não que tenha acontecido do dia pra noite, não! Ela foi separando-se aos poucos. Afastou-se. Escolheu as amizades e o mundo secreto dela, sem nos compartilhar sua "verdadeira vida".

Eu não queria escrever sobre esta experiência ruim na minha família (e não é parentela, é a minha própria Família), mas decidi fazê-lo por hoje, dia 30 de julho de 2025, eu ter em meu ouvido uma voz sussurrando que eu era "um falido na vida". Me destruiu de primeira mão! Me fez querer ficar na cama até morrer! Mas lembrei o que é VIDA!

A vida não é mais apenas o ato de respirar, comer, procriar e morrer. Não! "Conheci a fonte que alimenta o sol e me enche de paz" (Música: Minha Maior Riqueza - Rodolfo Abrantes - 2006), e por a Vida ter se revelado para mim, a ofensa, que veio do diabo, se transformou em honra e alegria (Mateus 5. 11). A Vida é uma pessoa (João 14.6) que é Senhor e Deus de todas as coisas, até mesmo dos que não O conhecem, ou mesmo não O aceitam como tal. Para aqueles é uma bênção, para estes Juízo. Mas o ponto é: a ofensa se tornou em elogio!

Como eu poderia me ofender oferecendo tudo a Ele! Ele que é a Vida!

Não é difícil de identificar o quanto as pessoas escolheram não a Deus, mas aos seus desejos e paixões. O ponto de vista não é mais O Centro de toda a Verdade que é o próprio Deus, mas as falíveis particularidades de cada um. Mesmo no meio dito cristão, não é difícil ouvir coisas do tipo: "Cada um tem a sua verdade", ou "esta é a sua verdade", ou "o importante é ter fé". Se no meio do que seria a Igreja vemos isto, não é difícil compreender que qualquer debate ou discussão não tem por intenção final chegar a "verdadeira Verdade", como diz Francis Schaeffer, mas cada um dizer a verdade que melhor lhe convém. Assim sendo, as feridas que tantos hoje choram, não são feridas que ferem a Deus, mas são chagas aos próprios egos inflamados que se fantasiam de pequenos deuses, tentando mostrar um amor melhor do que o Justo e Zeloso amor de Deus. E aí estamos neste poço que parece sem fim.

Ao ser resgatado por Jesus toda a minha vida mudou e ganhei a Vida da qual decidi, desde então, jamais largar dela. Mas como meu Senhor me ensina em Sua Palavra, isso tem um custo, e custa muito . Custa tudo (Gálatas 2.20) em um mundo que está totalmente avesso ao que Ele, Senhor e Deus, determinou desde a eternidade. Ele não é só Senhor da vida, Ele é a própria Vida! Aleluia!

Eu tinha um excelente relacionamento com quase que a totalidade de minha parentela materna (a paterna eu mal tinha contato), mas isso mudou quando absorvi os princípios de Deus. Não os amo menos por isso, mas aprendi a amar muito mais ao Senhor.

Profissionalmente tive que fazer muitas escolhas, entre valores e valorização do meu trabalho por questões de dignidade. Por estar em Cristo pude contemplar uma realidade que não era o dinheiro quem definia minhas escolhas, mas os princípios que Ele determina para a dignidade humana e o fruto do trabalho. Sempre provi serviços, nas diferenças áreas que já trabalhei, com qualidade e excelência, servindo como que ao Senhor (Efésios 6. 5-8; Colossenses 3. 23,24), executando as atividades e, na grande maioria, melhorando os processos.

Religiosamente consegui passar por momentos de ativismo, possibilidades de submissão por privilégios, mas escolhi alimentar um forte fundamento de honestidade intelectual de forma que honrasse ao Senhor Jesus, ao invés de alimentar companheirismos e submissão a líderes que escravizam e oprimem, por meio de emocionalismos vazios sustentados por sofismas. Eu escolhi a Verdade que, inclusive, também é uma Pessoa, e a mesma Pessoa: Jesus Cristo.

Eclesiasticamente poderia hoje ser um pastor, com título e apoios, mas isso me custaria a honestidade intelectual e o compromisso com a Verdade que deve se revelar nos contextos contemporâneos, de forma a não quebrar os princípios de Deus , isso porque nunca abri mão do que a Bíblia diz, nem para que me fosse facilitado acessos ou recursos, confrontando os absurdos na condução de pessoas nas formas como se apresentavam. Como disse, certa vez, Martinho Lutero:

"Se eu professar com a voz mais alta e com a mais clara exposição cada pormenor da verdade de Deus, exceto precisamente aquele pequeno ponto ao qual o mundo e o demônio estão naquele momento atacando, eu não estou confessando Cristo, ainda que ousadamente eu possa estar professando a Cristo."

Martinho Lutero 

Politicamente, área da qual gosto muito, tive todos a minha fundamentação modificada, literalmente, graças a Deus e a Sua Palavra. Quem me conhece sabe o quanto sou belicoso no campo político (hoje um pouco mais comedido, peso da maturidade), e isso foi sempre assim. Mas, no Seminário, durante as aulas de Filosofia, no ano de 2018, quando estava latente o levante de perspectivas mais conservadoras no Brasil, o professor da matéria nos trouxe uma Filosofia Política do ponto de vista Bíblico, e isto transformou minha mentalidade que, até então, era muito socialista para comunista, me trazendo para um direcionamento em total oposição. Saí de perspectivas extremamente socialista para uma perspectiva conservadora, que é o extremo oposto do mal esquerdista (uma redundância necessária). Mas mesmo hoje como, politicamente falando, conservador nato, não me submeto aos direcionamentos "direitistas" que é uma forma prostituída, assim defino, de pessoas que não se identificam com a esquerda, mas que se declaram conservadoras. A Bíblia define os fundamentos, não as manobras políticas. Isto define quem é conservador e quem é direitista.

Na família, no meu ramo pessoal de colaboração com a sociedade e com Deus, sempre busquei fazer o melhor em conselhos e exemplos. Deus me permitiu uma esposa abençoada e sábia e filhos, cada um deles com suas características pessoais, mas com um bom nível de sinceridade. Neste campo fui atingido mais duramente. De forma orgulhosa um dos pedaços resolveu se desligar e andar sozinha com suas próprias escolhas. Se Deus permitiu que nós, seres humanos tomássemos esta decisão, como posso eu querer ser melhor do que Deus. Mas aqui sim, tomei o golpe mais forte.

A Bíblia nos instrui a confiar no Senhor, a render graças em todas as circunstâncias, e a buscá-Lo diligentemente independente do que nos acontece. Assim sigo! Assim seguirei!

Como escrevi em uma publicação: "Ao Senhor me submeto! Em Cristo me fortaleço! No Espírito me consolo!"

A Parábola do Filho Pródigo (Lucas 15. 11-32) me fala muito neste momento, em lições que preciso aceitar, não mudar. Em um tempo onde a ofensa só se dá pela questão pessoal, mas poucos se ofendem com as ofensas a Deus. Eu escolho abdicar de mim e me dobrar ao Pai, da forma que Ele me instrui, e não como as pessoas "sentem" como deve ser.

1. A escolha do filho, é a escolha dele, não uma imposição do pai;
2. O pai não sabe mais do filho, pois os caminhos o levou para longe (física, espiritual e moralmente);
3. O filho vive uma liberdade que o alegra, até que ele não pode mais;
4. O filho reflete no cuidado do pai até com os servos e, humilde, como um servo deseja voltar. Ele escolhe;
5. Na volta do filho, o pai estava sempre a esperar, e nem cobra, mas o filho já lhe declara o arrependimento e quebrantamento;
6. O pai está para o receber e o amar como sempre o fora;
7. A morte é transformada em vida. O choro em alegria. A saudade substituída pela presença.

Mas não posso esquecer que um filho pródigo não é o mesmo que uma ovelha perdida! As dores e as alegrias do reencontro são similares, mas os processos são diferentes. Confundir os quadros perverte princípios de Deus.

O diabo vai querer se aproveitar das suas dores, mas se você estiver firmado naquele que É sobre todas as coisas, nada lhe abalará. Mesmo no pior dos quadros, Deus continuará Soberano! Aleluia!

#SemUmPedaçoDeMim

Deus abençoe a todos.
Davyson Gustavo de Moura Silva.

quinta-feira, 15 de maio de 2025

A Verdade vista sem a hipocrisia do ativismo religioso

 



"E disse ele: É o SENHOR; faça o que bem parecer aos seus olhos"
1Samuel 3.18b

Bem que este texto poderia ser um motivacional, baseado na história do chamado e vocação de Samuel. Mas não! A nossa proposta é trazer percepções que são pouco apresentadas nas Escrituras Sagradas, e que nos ensina de forma contundente que não há nenhum outro perfeito, senão Jesus Cristo.

Falaremos aqui acerca de Eli, sacerdote no tempo em que o tabernáculo estava em Siló, que tinha dois filhos, Hofni e Fineias, os quais também eram sacerdotes e serviam no tabernáculo.

Sabemos por regras culturais e piedosas, que os que servem ao Senhor com responsabilidades maiores, precisam ter uma vida de conduta reta, dando bom testemunho e sendo exemplo para os demais, sabendo que há uma relação diretamente proporcional entre responsabilidade e o Juízo (Tiago 3.1). Aprendemos isso de forma natural compreendendo que quanto maior o cargo, melhor a pessoa deve ser, mesmo que na prática, hoje em dia, muito disto tem se perdido em valores práticos.

Nos tempos idos de Eli e seus filhos, esta postura reta era ainda mais necessária, não por Deus ser outro, mas pelo contato ainda mais próximo e latente de Deus com o Seu povo. Apesar do sacerdote Eli buscar retidão e piedade no serviço ao Senhor, seus filhos não tinha zelo algum.

"Eram, porém, os filhos de Eli filhos de belial e não conheciam o Senhor" (1Samuel 2.12)

Assim começa a porção que fala da postura dos filhos de Eli, Hofni e Fineias, se estendendo até o verso 17 do capítulo 2 do livro de 1Samuel, onde apresenta-se o desprezo pelo serviço a Deus e pelas ofertas oferecidas ao Senhor pelo povo. Também, ainda no capítulo 2, no verso 22, ainda se adiciona aos pecados dos filhos de Eli o deitar-se com mulheres que se ajuntavam na porta da tenda da congregação (1Samuel 2.22)

Nesta última referência do texto sagrado, temos o início de uma exortação dada por Eli a seus filhos, em sinal de preocupação e cuidado com eles, mas os mesmos não davam ouvidos, mesmo Eli mostrando que não haveria perdão àqueles que pecassem diretamente contra Deus, e o texto apresenta o porquê: "Porque o Senhor os queria matar." (1Samuel 2.25)

Por vezes vemos o endurecimento dos corações de muitas pessoas, mesmo mediante a Verdade transcendente que flui dos princípios e preceitos de Deus. Isto pode nos soar de diversas formas. Para alguns é uma simples liberalidade que Deus permite aos que já são eternamente condenados; para outros, é apenas resultado da livre escolha que cada um tem, e que, Deus já sabendo de seus corações obstinados, permite aos escritores das Sagradas escrituras esta percepção do todo e que nenhum deles escapariam impunes e Deus os mataria. Seja de um lado ou de outro, em todas as coisas vemos expresso as virtudes e atributos de Deus em todo o relato bíblico, e a inclinação ao arrependimento ou não, identifica os que pertecem a Deus e os que não pertencem.

Neste contexto, Deus envia um servo Seu ao encontro do sacerdote Eli (1Samuel 2.27), o qual lhe declara uma palavra de Juízo de Deus contra ele e sua casa, isto porque havia negligência com a oferta ao Senhor, bem como o sacerdote escolhera honrar mais a seus filhos do que ao próprio Deus (1Samuel 2.29).

Entre os ditos pelo homem de Deus, sob comando do próprio Deus, está uma coisa que deveria mexer muito com as convicções construídas com as pregações neste século. Diz assim em 1Samuel 2.30b: "(...) porém, agora diz o Senhor: Longe de mim tal coisa, porque aos que me honram honrarei, porém os que me desprezam serão envilecidos."

Perceba que Deus está falando ao sacerdote Eli (através do homem de Deus), que tinha dois filhos ativos no serviço da Tenda da Congregação. Deus não está olhando para a superfície do serviço, nem preocupado em haver apenas uma continuidade da atividade sacerdotal, mas, como foi com Caim (Gênesis 4.5), assim foi avaliado a honra prestada pelos sacerdotes Eli, e seus filhos Hofni e Fineias. Algo que hoje é desprezado, em todos os sentidos, na condução da vida cristã, onde muitos separam a sua "vida na igreja", da sua "vida no mundo", sob a sombra de uma auto justificação pelas obras, erro perpétuo do ser humano que deseja servir a Deus, mas ignora a verdadeira virtude do serviço que vem de dentro e não o é apenas exteriormente. O maior erro está justamente em que aqueles que deveriam ensinar o caminho correto, estes, se perdem em suas vaidades, prevaricando no serviço real da "circuncisão do coração" da qual Paulo fala em Romanos 2.28,29 e, desta forma, levam muitos a uma vida cristã cerimonialística e sem profundidade na vida comum.

É nesta mesma profecia que o Senhor revela a Eli o fim dos seus filhos (1Samuel 2.34), que eles morreriam no mesmo dia. Isto vem a acontecer no capítulo 4. Em guerra contra os filisteus, mesmo com a Arca da Aliança no arraial, e o temor dos filisteus diante da presença da Arca, que representava o próprio Deus, Israel é ferido e são mortos os filhos de Eli, Hofni e Fineias.

Mas, diante da palavra do homem de Deus, aparentemente há em Eli uma postura de submissão, visto que o texto Sagrado não registra reação ou recusa do Juízo de Deus anunciado a ele. Dá para se entender que o próprio Eli já tinha a postura de aceitação, mesmo diante da condenação profetizada contra seus filhos e vemos o texto ir para o registro do chamado de Samuel no capítulo 3. Deus chama Samuel a noite e por três vezes Samuel acha que seria o sacerdote Eli lhe chamando. Neste tempo a Palavra do Senhor era rara e não havia visão manifesta (1Samuel 3.1). Na terceira vez que Samuel vai até Eli, o sacerdote entende que é Deus chamando o menino e o instrui a responder ao Senhor.

Perceba: O sacerdote que já tinha tido a morte de seus filhos decretada por Deus, que sabia que sua família seria tirada do sacerdócio, não mantém uma postura de orgulho ou soberba. Pelo contrário, ele continua instruindo o jovem Samuel a entender e responder ao chamado de Deus. Louvado seja Deus. Quantos e quantos ministros do Evangelho, hoje, excluem vocacionados de suas comunidades para promover ministros segundo os seus corações, mas não segundo a vontade de Deus. Caso parecido se vê em Jeroboão, rei posto sobre as 10 tribos de Israel, e que ergueu altares de adoração e elegeu sacerdotes segundo a sua vontade, a revelia das instruções do Senhor (1Reis 12. 28-31). Nada novo debaixo do sol.

Samuel não é o foco, mas ele recebe o chamado e, no seu chamado, ouvindo do próprio Deus, Samuel sabe que Eli e seus filhos serão tirados do sacerdócio (1Samuel 3. 10-14). Dado o teor da revelação, Samuel evita falar a Eli sobre o que ouviu de Deus, mas Eli, sedento por ouvir o que da parte de Deus veio, questionou a Samuel e este lhe revelou com fidelidade tudo o que ouvira (1Samuel 3.17). E aí vem o estabelecimento textual da total submissão de Eli ao Senhor. Em 1Samuel 3.18, temos: "Então, Samuel lhe contou todas aquelas palavras e nada lhe encobriu. E disse ele: É o Senhor; faça o que bem parecer aos seus olhos."

Ainda dá para dizer que, depois disto, ficou conhecido em todo Israel, desde Dã até Berseba, que Samuel estava confirmado como profeta do Senhor (1Samuel 3. 20,21) Mas o que quero mais deixar claro é a submissão a vontade de Deus por parte do profeta Eli. Ainda que tenha recebido o juízo de Deus, e já sabido da sua retirada do Serviço ao Senhor, continuou com zelo pelas coisas de Deus e, ainda que tenha falhado no trato com seus filhos, o seu cuidado com a presença de Deus perseverava. Isto se vê quando ele, aguardando notícias da guerra contra os filisteus, "estava assentado sobre uma cadeira, vigiando ao pé do caminho; porquanto o seu coração estava tremendo pela Arca de Deus" (1Samuel 4. 13).

Eli assumiu a sua culpa, onde o seu cuidado de pai o fez prevaricar com a Glória de Deus. Segue-se esta lição para a história da Igreja e nos é necessário refletir sobre os altares e ídolos que erguemos e que nos faz cegar da Glória de Deus. Por vezes é o templo, a doutrina institucional, os filhos, a denominação, o próprio poder ministerial (ordem distorcida de mérito e poder), e tantos outros que faz com que o servo de Deus se perca na sua caminhada, mas se auto justifique pelo seu ativismo religioso ou mesmo pelo ativismo de outros que ele conduz.

Deus nos quer em um serviço constante, sincero e pleno. Os preceitos de Deus são irrevogáveis e, apesar de hoje o Seu Juízo não ser prontamente ouvido, e na vida da Igreja a perseguição ser algo mais comum do que momentos de paz devido o mundo pervertido que vivemos, a palavra dita pelo próprio Senhor Jesus nos comunica o aviso que assim seria, mas também nos conforta na certeza do que será, assim como Ele desejava que fosse:

"Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo."

João 16.33

O mundo precisa ver uma Igreja que vive o que fala, e não só fale o que seria bom viver. Alguém já disse que nós somos a Bíblia que o mundo vai ler, e nós precisamos ser fiel ao Autor que é o próprio Deus. Digo isto como significando abandonar nossos filhos? Não! Mas também não podemos comprometer a verdade do Evangelho nem os preceitos de Deus para buscar cobrir ocasional rebeldia ou aversão a vontade de Deus.

Que o Espírito Santo transborde seus preceitos na vida de cada um que já decidiu servir e seguir ao Senhor. Que haja sabedoria e discernimento no meio da Igreja para que vivamos plena e retamente diante de Deus, sabendo que a perfeição é só do Senhor, mas a nós cabe a busca perseverante de ser parecidos com Ele, nos permitindo o urgente arrependimento e um avivamento profundo.


Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.
Davyson Gustavo de Moura Silva.

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Sobre o Domingo da Ressurreição - Cremos na Ressurreição?!

 


Quanto você crê na ressureição?!

Claro que esta não é uma pergunta que terá respostas imprevisíveis.

Os que se dizem cristãos, por medo, por cultura ou por devoção, dirão firmemente: Sim! Os que são culturalmente e/ou academicamente descrentes (não diria ateus), estes diriam que a ressurreição é uma crença abstrata dos que se dizem cristãos. Os ditos ateus, estudiosos, tomariam uma postura quanto aos registros da ressurreição que, diga-se de passagem, é mais bem registrada do que, por exemplo, o verdadeiro fim do monstro do século XX, Hitler (confesso que sempre que lembro disto me espanto, também) e diriam que com o passar do tempo houve uma construção mítica como ocorre em todas as culturas.

Demorei a escrever sobre a Ressurreição pois passei este tempo observando os ecos de celebração deste importante acontecimento da fé cristã. E não é uma estória... é a história que muitos tentam refutar, mas não conseguem desprender dos registros históricos que incluem cristãos e não cristãos.

Os eventos celebrados na Semana Santa, que relembram os últimos dias do Nosso Senhor Jesus Cristo, culminam no domingo de Páscoa, dia em que o Senhor revela Seu poder sobre a morte, e nos dá a garantia final de que Ele não é apenas um homem, nem apenas um mestre, nem apenas um profeta... Jesus é O Cristo de Deus! O Deus encarnado! O autor e consumador da vida! Ele é a própria Vida! Aleluia!

É certo que muitos que circulam entre as muitas palavras e pregações cristãs, vão ter estas expressões, acima citadas, como "verdades absolutas" em suas vidas, mas será que realmente é nisso que se crê, ou apenas é um apelo cultural? Como é possível acreditar no ápice da fé cristã, segundo o apóstolo Paulo (I Coríntios 15.14,17), e não viver aguardando com ansiedade o momento de plena reunião com o Senhor na eternidade? Como pode o temor sobre as coisas desta vida (I Coríntios 15.19) reger suas posturas e nos colocar como covardes diante dos desafios? Como é possível alguém saber que a esta vida é passageira e a morte o último empecilho até a glória eterna, sabendo que esta já foi vencida em Cristo, e mesmo assim amar tanto esta vida a ponto de ser negligente com suas obrigações de filho de Deus?

Pois bem! Passei estes dias refletindo e observando os tais efeitos da Ressurreição e o que consigo observar é um multidão de hipócritas. Temos no século XXI um povo cristão apático, separado das verdades bíblicas e totalmente ajoelhados as conveniências mundanas e possiblidades de poder e riqueza que esta vida oferece, sem um pingo de confiança na Vida Eterna já garantida e comprovada pelo próprio Deus.

Temos um mundo carcomido pelo pecado, como sempre esteve, após Adão e Eva desobedecerem a ordem de Deus. Mas vemos nesta geração mais um gigantesco levante de pessoas e sistemas maus (o que também não é novidade), sem que não haja homens íntegros o suficiente para se combater as injustiças e maldades. A história comprovou que o freio dos maus (sejam homens, sejam sistemas), sempre foram homens tementes ao Criador, firmados em seus preceitos e mandamentos, que se levantavam, a custo da própria vida, para fazer o bem... estes sim, sabiam que havia algo mais excelente na Vida Eterna.

O cristianismo jamais foi uma questão apenas filosófica ou cultural, a não ser neste pervertido século XXI, esvaziado de uma grande massa cristã comprometida, cada um, em suas habilidades e talentos em promover o que é bom, belo, justo e verdadeiro. Hoje temos advogados, arquitetos, professores, médicos, matemáticos, físicos, "pastores"(?), e tantos outros comprometidos apenas com ganhos e projeções financeiras, denominacionais e pessoais, sem nenhuma preocupação com as pessoas próximas ou com as que virão, desonrando aqueles que deram a vida para promover boas coisas. (Colossenses 3.22,23 - O pior é saber que muitos vão pesar o serviço apenas pelo dinheiro, e não pelo servir.).

Imaginem vocês, se cada soldado da Segunda Guerra Mundial, que se levantaram contra o nazifacismo, tivesse pensado apenas naquele momento de sua vida e em sua família viva naquele momento, o que seríamos hoje? Eles amaram muito mais em sua atitude de doação e serviço, do que os eruditos covardes e frouxos que matam a virilidade necessária dos homens de hoje. (João 15.12-13)

A Ressurreição de Cristo Jesus nos dá a certeza de nossa fé, e nos garante a Vida Eterna. Mas enquanto estamos nesta vida, parafraseando 1 Coríntios 10.31, quer comamos, quer bebamos ou façamos qualquer outra coisa, façamos tudo para a glória de Deus.

Que a Ressurreição de Jesus, o Cristo de Deus faça sentido em sua vida e você consiga discernir, ao menos, acerca dos 10 mandamentos e seus desdobramentos, para que possam cumprir a terceira característica da religião pura e imaculada lida em Tiago 2.27. Visitar órfãos e viúvas em suas tribulações as ONGs, travestidas de igrejas, tem cumprido, mas multidões têm negligenciado na terceira caracterítica que é a de guardar-se da corrupção do mundo, isto nas questões acadêmicas, filosóficas, profissionais, familiares, culturais e econômicas.

Que Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

Davyson Gustavo de Moura Silva.

domingo, 20 de abril de 2025

Sábado da Paixão - Jesus Sepultado


 No sábado temos o dia de silêncio.

O Senhor da Vida foi morto pelos pecados de muitos. Seu corpo foi retirado da cruz a pedido de José, natural de Arimateia, um discípulo de Jesus, em segredo por medo dos judeus, senador honrado conforme relatado por João e Marcos (Mt 27.57; Mc 15.42,43; Lc 23.50,51; Jo 19.38), pede o corpo de Jesus a Pilatos (Mt 27.58; Mc 15.43; Lc 23.52; Jo 19.38) o qual o permite, ainda que surpreso por já ter Jesus morrido e após confirmar com o centurião a morte do Senhor na cruz, libera o corpo aos cuidados de José de Arimateia (Mc 15,44,45).

Juntamente com José de Arimateia, Nicodemos, aquele que fora ter com Jesus durante a noite (Jo 3.1-15), também colaborou para o sepultamento de Jesus, providenciando cerca de 100 libras de um composto de mirra e aloés para ungir o corpo de Jesus, conforme o costume dos judeus (Jo 19.39). Diante do falecimento do mestre, houve uma mobilização para providenciar todo o costume de sepultamento, ainda que corrido e urgente devido ser já o fim da sexta-feira, e ao cair do sol iniciaria o sábado, quando não poderia haver mais trabalhos, segundo a lei.

Envolveram o Senhor em um lençol novo, e colocaram o corpo de Jesus em um sepulcro que ninguém ainda havia usado, de posse de José de Arimateia, no qual rolaram uma grande pedra para fechar a entrada (Mt 27.59,60; Mc 15.46; Lc 23.53; Jo 19.41).

Algumas mulheres, que seguiam e serviam a Jesus, seguiram para ver onde colocaram o corpo do Senhor para que, após o sábado, pudessem fazer mais calmamente a preparação do corpo do mestre (Mt 27.61; Mc 15.47; Lc 23.55,56).

Mateus registra o temor dos príncipes dos sacerdotes e dos fariseus, no tocante de que não houvesse, por parte dos discípulos, o roubo do corpo do Senhor Jesus, e após levantassem uma narrativa de que tinha Jesus ressussitado no terceiro dia conforme prometido ainda em vida. Diante disto, Pilatos colocou a disposição destes homens soldados e permitiu que os usasse de guarda e fizesse conforme achassem melhor. A esta permissão, seguiu os fariseus e príncipes dos sacerdotes para deixar guardas guardando o túmulo e para selarem a entrada do sepulcro onde estava o corpo do Senhor Jesus (Mt 27. 62-66).

O sepultamento do Senhor após os eventos de humilhação, martírio e morte de Jesus foi traumatizante para os discípulos que O seguiam, mas, na medida do possível cada um acompanhou e participou do momento conforme lhe foi permitido.

Vê O Mestre morto, estendido no madeiro após jorrar sangue e água do Seu corpo (Jo 19.34-37), testemunharem o terremoto, a escuridão, o rasgar do véu do Templo de cima  a baixo, certamente impactou cada um dos seguidores do Senhor Jesus, mas ainda a Obra Redentiva não estava totalmente fechada. A fé dos discípulos ainda não estava totalmente firmada pois tudo que eles tinham, até aquele momento, era um grande testemunho de milagres e do mover de Deus através da vida do homem Jesus, e que agora ele estava morto e a ser sepultado. 

O fim da Sexta-feira para o sábado foi dolorido, e o sábado, conforme mandava a Lei, foi de reflexão e sem trabalhos a realizar. A Bíblia não trata de como foi o sábado, por isso pensamos em um sábado de obediência a Lei, mas em uma profunda dor e sofrimento pela morte daquele que tanto fez em vida com coragem e ousadia. Jesus estava morto, e agora restava cuidar de seu corpo e sepultamento. Mas antes, o sábado de descanso estava no meio. Deus silenciou naquele sábado de sofrimento.

José de Arimateia e Nicodemos, talvez tivesse sido de grande valia utilizando-se de suas relevância naquela sociedade e defendido Jesus. Mas não era este o propósito de Deus. Mas, mesmo assim, naquele sábado, penso que estes homens podem ter refletido profundamente tudo que poderiam ter tido feito para evitar aquele fim, até então, trágico.

Os discípulos, que logo seriam apóstolos, talvez passaram aquele sábado de silêncio pensando se deveriam ter ido adiante no ímpeto de defender com suas vidas o Senhor Jesus, mas não era o momento de assim o fazer... mas, certamente, diante da dor e do sofrimento, podem ter refletido sobre isso.

No momento de sua vida, hoje que temos toda a história da Redenção consumada e tudo revelado, como você dedica sua vida ao Senhor? Como um discípulo 007, tal qual Nicodemos e José? Ou como Pedro ao negar o Senhor em momentos cruciais? Ou como os demais discípulos que fugiram após a proibição pelo Senhor de não reagirem?

Houve um propósito para eles não fazerem nada, nem se posicionarem firmemente. Mas, após toda a história revelada, nos resta escolher a fuga e a negação diante dos desafios da vida, ou a intrepidez e ousadia no Espírito Santo deve ser nossa única escolha? Creio que a última opção é a única opção que, como cristãos, temos.

Que Deus nos permita a ousadia e a coragem necessária, mas que saibamos refletir com sabedoria e discernimento segundo os preceitos de Deus.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

sábado, 19 de abril de 2025

Sexta-feira da Paixão


Passada a noite em oração no Getsemani, ainda na madrugada, os príncipes dos sacerdotes vão pôr em prática o plano de O prenderem longe da movimentação de grandes multidões com a ajuda do traidor Judas Iscariotes (Mc 14. 10,11; Lc 22. 1-6), eles vão até o local de oração já conhecido por Judas (Jo 18. 2) e lá encontram Jesus e os demais discípulos que já os esperava.

Sinalizado com o beijo do traidor (Mt 26. 28,29; Mc 14. 44,45; Lc 22. 47,48), os guardas seguem para prendê-lo. Aqui há um registro importante da disposição de resistência dos discípulos, em defesa do Senhor Jesus, que apenas no Evangelho Segundo Lucas nós podemos ver. Conhecemos já a atitude impetuosa de Pedro ao ferir o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha (Mt 26. 51; Mc 14. 47; Lc 22. 50; Jo 18. 10), mas em Lucas vemos o verso 49 que diz: “E, vendo os que estavam com ele o que ia suceder, disseram-lhe: Senhor, feriremos à espada?”; não só Pedro, mas os demais discípulos estavam dispostos a lutar por Jesus. Mas aquele momento e os eventos seguintes eram necessários e assim o Senhor os instruí (Mt 26. 52-54; Lc 22. 51; Jo 18. 11). Aquele momento o Senhor precisava cumprir.

Jesus é preso e sua Via Crucis começa.

Ainda pela madrugada Jesus é julgado na casa do sumo sacerdote, diante do Sinédrio, onde os seus algozes utilizam-se de falsas testemunhas, violência e de subterfúgios com vistas a condenar o Senhor Jesus (Mt 26. 57-68; Mc 14. 55-65; Lc 22. 63-71; Jo 18. 19-24). O Sinédrio, com a presença do sumo sacerdote utilizam-se de meios e de ferramentas de total injustiça, injúria e testemunhos sem legitimidade para condenar, não apenas um justo, mas O Justo de Deus.

O abandono total do Senhor para este momento se dá em vistas da concretização da negação de Pedro. Este via o Senhor sendo covardemente acusado por mentirosos, humilhado e espancado, mas, o mesmo discípulo que há pouco cortara a orelha de um oficial, agora se via acovardado pela situação. Isto não para o condenar, mas para que se cumprisse toda a Escritura e pudéssemos ter todo o Plano de Deus cumprido. Pedro nega o Senhor (Mt 26. 69-75; Mc 14.66-72; Lc 22. 54-62; Jo 18. 25-27) para que, sozinho o Senhor fosse, enfim, o Sacrifício Perfeito e Santo de Deus para a remissão definitiva de nossos pecados. Diferentemente do sacrifício incompleto feito por Adão e todos os demais subsequentes. Agora seria o Cordeiro de Deus que estava indo para ser imolado pelos nossos pecados.

Jesus agora é levado diante de Pilatos, governador em Jerusalém, e que seria o responsável pela condenação de morte de cruz, visto que os judeus não poderiam condenar ninguém a morte (Jo 18.31), bem como para que se cumprisse a palavra de Jesus sobre que morte tinha que morrer (Jo 18.32).

No julgamento diante de Pilatos, o governador não vê culpa em Jesus e tenta soltá-lo ao oferecer um conhecido criminoso, o Barrabás (Mt 27. 15-18; Mc 15. 6-10; Lc 23. 17-25), mas não resistiu as petições do povo, incitado pelos sacerdotes do Templo e entregou Jesus a crucificação. Apenas Lucas registra o envio a Herodes que também não viu culpa em Jesus e o devolveu ao julgamento de Pilatos (Lc 23. 7-12).

Sem saber, os soldados romanos, ainda que de forma sarcástica e irônica, tem a oportunidade de saudar o Rei dos reis, e Senhor dos senhores colocando sobre Ele uma capa escarlate, uma coroa de espinhos e entregando-lhe uma cana em lugar de cetro, ajoelham-se em forma de piada e o saúdam ironicamente (Mt 27. 28-31; Mc 15. 16-19), sem saber eles que esta seria a oportunidade de honrar sinceramente o Eterno Deus.

Jesus agora é conduzido pelas ruas de Jerusalém, coroado com uma coroa de espinhos, até o Gólgota, carregando o madeiro que comporia o seu instrumento de martírio final (Mt 27. 32-33; Mc 15. 21-23; Jo 19. 16-18), que seria o palco da incompreensiva separação do Pai e do Filho, sendo ambos a mesma pessoa. O evangelista Lucas registra com mais detalhe o caminho ao Gólgota tendo, além da convocação de Simão, o cireneu, a qual Mateus e Marcos também relatam, Lucas adiciona ainda a fala as mulheres que choravam no caminho (Lc 23. 26-31).

Enfim no Gólgota, agora o Senhor é crucificado. Ele rejeita o torpor do vinho misturado com mirra (Mt 27. 34; Mc 15. 23); sobre Suas vestes foram lançadas sortes para cumprir profecia (Mt 27.35; Mc 15.24; Lc 23. 34; Jo 19. 23,24); sobre Sua cruz puseram a inscrição "Este é Jesus, O Rei dos Judeus" (Mt 27.37; Mc 15.26; Lc 23.38; Jo 19.19); ainda na Cruz salvou a um dos ladrões mediante arrependimento e reconhecimento de sua divindade e sacrifício (Lc 23.39-43); Jesus, o Filho, foi separado do Pai no derramar da Ira de Deus sobre o Deus-Homem Jesus que bradou: Eloí, Eloí, lemá sabactâni?, ou seja, "Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? (Mt 27.46; Mc 15.34).

Após eventos miraculosos como a escuridão por 3 horas (Mt 27. 45; Mc 15.33; Lc 23.44-45a), bem como o véu do Templo foi rasgado, a terra tremeu, mortos ressuscitaram (Mt 27. 51,52; Mc 15. 38), muitos perceberam a divindade do Senhor Jesus e houve tremor ao perceberem que Ele era o Filho de Deus.

Ao morrer nos substituindo na morte e condenação eterna de Deus, naquela cruz, naquela sexta-feira, Jesus cumpriu a promessa feita a Adão, que a semente da mulher viria para que justificasse toda a humanidade, pisando na cabeça da serpente, apesar dela ferir o seu calcanhar (Gn 3.15). Agora, não mais um animal seria morto para cobrir o pecado do homem, mas o próprio Deus se pôs na humilhação da carne, na morte de cruz, recebendo todo o derramar eterno da Ira de Deus sobre si mesmo para que pudéssemos ser reconciliados com Deus mediante arrependimento.

Para que haja remissão de pecados é necessário que haja derramamento de sangue, antes de bois e cordeiros, agora, de forma definitiva e especial se faz pelo sangue de Cristo Jesus (Lv 17.11; Hb 9.22). Como já dito outras vezes, em Adão, Deus sacrificou um animal para cobrir o pecado de Adão e Eva no Éden. Agora, em Cristo Jesus, o Cordeiro de Deus é imolado para, em definitivo entregar a propiciação dos pecados para todo aquele que nEle crer.

Diferentemente dos soldados que renderam uma adoração irônica e sarcástica ao Senhor, colocando uma falsa coroa, um manto emprestado e um cetro sem valor, ajoelhando-se diante dele e falsamente o adorando, precisamos entender que o Cristo de Deus se revelou e se doou. Que não haja em nós a superficialidade de atos que são embelezados em gestos, mas não significam nada na nossa vida prática. O Filho de Deus, Jesus Cristo, encarnou para nos dar vida e certeza de redenção. A garantia no Seu Sangue que fomos redimidos pelo sacrifício perfeito.

Na sexta-feira da Paixão, vemos Jesus Cristo se entregando para ser morto, mas esse não é o fim da história.

Louvado seja Deus!

Deus abençoe, em nome de Jesus.

quinta-feira, 17 de abril de 2025

Quinta-feira da Paixão




 Na quinta-feira da Paixão de nosso Senhor Jesus Cristo, O Senhor se reúne com os discípulos, a parte de multidões, em um cenáculo escolhido para aquele momento, que já era de conhecimento de “um certo homem”, que sabia que o Senhor o requereria o lugar para aquele momento, o qual mostrou aos discípulos enviados para preparar a Última Ceia do Senhor, antes da Sua morte (Mt26.17,18; Mc14.12-16; Lc 22.8-13), e assim, e ali, foi preparada.

Neste momento muitas coisas são reveladas, além de Sua morte iminente:
- O Senhor anuncia a traição (Mt 26.21-25; Mc 14.18-21; Lc 22.21-23; Jo 13.21-30);
- Não mais o Senhor tomaria do fruto da vide até o Dia em que o beber de novo no Reino de Deus (Mt 26.29; Mc 14.25; Lc 22.16,18);
- A liturgia da Ceia do Senhor é apresentado, como um memorial, mesmo que a forma tenha se perdido com o tempo e com o institucionalismo que a tornou menos orgânica (Mt 26.26-28; Mc 14.22-24; Lc 22.19-21);
- Pedro é avisado que negará ao Senhor (Mt 26.31-35; Mc 14.27-31; Lc 22.31-34; Jo 13.36-38).

Finalizada a Ceia, segundo relata o apóstolo João (Jo 13.2), O Senhor Jesus se coloca como servo, tira as vestes e cinge-se com uma toalha (Jo 13.4), toma uma bacia com água e lava os pés de todos os discípulos (Jo 13. 5-11), mesmo com a onisciente consciência que nem todos estavam limpos (Jo13. 10,11), pois já era consciente de que Satanás tinha posto no coração de Judas traí-lo (Jo 13.2). Apenas Pedro resistiu ao gesto, mas foi convencido pelo Senhor na importância de receber (Jo 13.7-9).

Após a Ceia do Senhor, do Lava Pés, da saída de Judas para o trair, Jesus passa a dar instruções mais específicas e orar pelos discípulos, que agora seriam apóstolos (αποστόλους = mensageiro), permitindo a eles uma percepção mais objetiva da divindade dEle antes de sua prisão e morte (Jo 14-17). Mas, mais profundamente, e de forma a transformar de vez suas mentes, só seria entendido estas instruções após a ressurreição do Senhor.

Cantado um hino, O Senhor leva os discípulos para um local onde iria orar, local chamado de Getsêmani (Mt 26.36; Mc 14.32), que ficava além do ribeiro do Cedrom, onde havia um horto (Jo 18.1) no monte das Oliveiras (Lc 22.39), local já conhecido por eles por muitas vezes ser usado como local de oração de Jesus com Seus discípulos (Jo 18.2). Neste local, Jesus ora ao Pai para que o Cálice da Ira de Deus passasse dEle, se assim fosse possível (Mt 26. 38-44; Mc 14. 34-41; Lc 22. 41-46), mas o Senhor Jesus já estava disposto, desde a fundação do mundo (Ap 13.8), a este sacrifício para remissão dos pecados de todo aquele que nele crê (Jo 3.16).

Jesus, o Cristo de Deus inicia seus últimos dias com um momento de comunhão e de serviço com aqueles que O seguiam. Compartilhou da mesa, inclusive, com aquele que o trairia e seria o responsável, humanamente falando, pela sua prisão e morte mediante a traição por dinheiro.

 Apesar de haver muito a se dizer e se discutir, visto que como homens somos questionadores e obstinados, por vezes, de coração, mas o Senhor revela-se nas Escrituras Sagradas de forma a permitir que todos tenham acesso a história da Salvação, onde Deus vai em busca do pecador perdido, e para pagar pelo inalcançável preço do pecado contra o Eterno e Soberando Deus, Deus mesmo, em Sua forma humana, como Jesus, O Cristo, se colocou como “O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29).

 Na quinta da Paixão, O Senhor iniciou a sua caminhada até a Cruz do Calvário onde, o que Ele temia pelo qual orou no Getsêmani, não eram as dores e as humilhações sofridas na chamada Via Crucis, como muito é pregado hoje em dia, em um contexto humanista , mas, sim, o temer do Filho de Deus, o Deus Homem, era derramar da Ira de Deus na carne humana que Ele, o próprio Deus escolheu vir, para que pudesse representar toda a humanidade, mas que só proporcionará a Redenção àqueles que aceitarem o Seu Senhorio, ao arrepender-se dos seus pecados e o receber como Senhor e Salvador na sua vida.

 Boa quinta-feira da Paixão.


sexta-feira, 21 de março de 2025

Ser ou não ser? Fazer ou não fazer? O que fazer?

 


"E vossos meninos, de que dissestes: Por presa serão; e vossos filhos, que hoje nem bem nem mal sabem, ali entrarão, e a eles a darei, e eles a possuirão."

Deuteronômio 2.39

"Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR a sua confiança e que não respeita os soberbos, nem os que se desviam para a mentira."

Salmo 40.4

Por vezes nos vemos em dias de crises existenciais. As dúvidas se levantam e nos encurralam de forma a nos imobilizar por um tempo, e para este tempo deve ser escolhido as melhores opções para passá-lo. O melhor sempre será a reflexão diante dos preceitos de Deus.

Servir em busca de justiça e verdade para preservação da sociedade que deixaremos para nossos filhos e netos? Mas Deus cuida dos nossos descendentes e é o Senhor da história e das eras. Ele não encontra limites para seu Poder e ação. De toda forma, somos impulsionados a sermos agentes do Reino de Deus neste tempo, convocados a ser sal e luz para este mundo, sendo povo de Deus. Mas, diante de tantas autoridades e lideranças com valores e princípios pervertidos, como atuar para a COmissão que Deus nos entregou?

Quando William Shakespeare, em Hamlet, uma tragédia escrita em 1599, levanta esta famosa frase "Ser ou não ser? Eis a questão...", há em seu personagem um profundo conflito existencial, pois o príncipe Hamlet pensa em vingar a morte de seu pai, o rei Hamlet. Este foi morto pelo próprio irmão que, após o assassinato tomou o trono e casou-se com a rainha, mãe do príncipe Hamlet. A peça explora temas sensíveis como traição, vingança, corrupção e moralidade.

Não se faz diferente a vida cristã. Os desafios oriundos da vivencia diária como cristão, em um mundo absurdamente corrompido em sua base, em especial no século XXI, onde até mesmo o conceito de Deus se perverteu na sociedade, e a consciência da Pessoa de Deus dificilmente se alcança, mesmo dentro das instituições que são chamadas igrejas, nos consomem em uma profunda confusão entre pensamentos filosóficos e teológicos deturpados.

O que somos afinal? O que almejamos como seres viventes? Como se perdeu os conceitos humanamente alcançáveis de verdade, justiça, de beleza? Como não se há mais a instigação à desejar-se o que verdadeiramente é bom, ou, ao menos, se aproxima disto?

Penso que pela trivialidade de uma vida comum, que busca apenas realizações materiais e afetivas, o cristianismo atual, perdeu-se totalmente. Não por ter sido mudado a pessoa do Cristo de Deus, ou a pessoa do Eterno e Único Deus que se revela em Três Pessoas (Pai, Filho e Espírito Santo), mas pelo fato de que aqueles que conduziram a ciência sobre Deus, que seriam usados para apascentar a fome dos sinceros filósofos ateus que buscavam com afinco a verdade absoluta, se perderam em suas gananciosas vaidades teológicas achando que a teologia alcançaria o pleno entendimento da Pessoa do Infinito Deus.

Se somos cristãos, servos do Deus Altíssimo, nos conformamos com a Sua Revelação e nos atentamos a buscar discernir naquilo que Ele nos revela claramente, e naquilo que o Senhor cala na revelação, temos apenas que nos dobrar humildemente na dúvida e nos submeter aos percalços. Assim como Paulo, que ousada e humildemente disse em Filipenses 4.13:  "Posso todas as coisas naquele que me fortalece." Paulo escreve esta carta, provavelmente, em seu primeiro aprisionamento em Roma (aprox. 60-62d.C.), mostrando assim que a condição de servo e seguidor de Cristo nos põe em um nível muito mais elevado do que a simples aceitação daqueles que nos cerca. Não é a aceitação ou a aprovação social que conduz o cristão, mas a certeza de estar em Cristo  todas as suas escolhas de vida, sabendo que a glória dEle é que é buscada e não a nossa.


Fatalmente seremos algo nesta vida, mas a condição e a forma mais excelente de "ser" nesta período terreno é ser aquilo que o Senhor nos chamou a ser, apesar das consequências. Consequências estas que virão inevitavelmente, mas as consequências deverão espelhar o nosso Senhor, dentro do contexto que estivermos. Se estivermos em uma sociedade absolutamente pervertida e decidida a afrontar o nosso Deus, estaremos em perseguição; Se estivermos em uma sociedade a perverter-se e carente de ser iluminada com bons valores e princípios, estaremos em luta pela verdade e justiça; Se estivermos em uma sociedade submetida a uma cultura que nos eleva em valores de justiça, verdade e beleza, seremos prósperos e deveremos somar para a perpetuação dos valores que vem de Deus.

As implicações de nossas crenças nos colocam em posturas objetivas diante de certos desafios. Seja na escola, na faculdade, no trabalho, no clube, ou em qualquer círculo que estivermos, o que cremos é o que nos conduz na escolha do que vamos fazer e dizer. Dentro dos textos que temos nas Escrituras Sagradas sobre dons, há um que me chama muito a atenção por não determinar exatamente o que seria os dons, mas em nos comissionar a pensar em todas as nossas atividades como sendo para a glória de Deus.

"Cada um administre aos outros o dom como o recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá, para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e o poder para todo o sempre. Amém!1Pedro 4.10,11 

Seja no falar, seja no administrar, o "fazer" é condicionado a glorificar a Deus. Observar os frutos do "fazer" de cada um, é possível observar a que está a glorificar: A Deus ou a homens!

Se a decisão de "ser" foi tomada no sentido de ser aquilo que o Senhor quer que sejamos, ou seja, se já há uma decisão pessoal de aceitar o senhorio de Cristo sobre a sua vida, então há uma decisão irrevogável de se "fazer" aquilo que Cristo Jesus deseja na sua vida. Para tanto, a decisão de "ser" cobra do decidido de conhecer aquilo que ele deseja ser, e, com relação a ser cristão, as Escrituras Sagradas são o caminho mais curto deste conhecimento, somado, claro, à comunhão como Igreja (que é diferente de amizade ou clube de afinidades), desta forma o "fazer vai se configurando naturalmente, a medida que se escolhe morrer para o mundo, e viver para Deus (Romanos 6.8-14; Gl 2.20).

Assim como o "ser" é uma condição inevitável, também o "fazer" é inevitável. Se estamos vivos, consequentemente estamos fazendo algo. Seja ativamente ou passivamente, estamos a fazer algo de acordo com o que cremos, mas em que cremos? A omissão talvez seja o que mais atentamente devemos nos preocupar. Em Tiago temos avisos quanto a omissão. Considerando que o que deseja "ser" em Cristo, e não mais no mundo, busca nas Escrituras os preceitos para a vida, ele torna-se conhecedor dos preceitos de Deus que o separa, ou santifica, do mundo, recebendo assim a incumbência de viver uma vida que glorifica a Deus através de seus atos e decisões. Assim, duas orientações de Tiago são objetivas:

"E sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não cumpridor, é semelhante ao varão que contempla ao espelho o seu rosto natural; porque se contempla a si mesmo, e foi-se e logo se esqueceu de como era. Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito.Tiago 1.22-25

 "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e o não faz comete pecado.Tiago 4.17 

Assim sendo, o "ser" e o "fazer" para quem decidiu seguir a Cristo, tendo-O como seu Senhor e Salvador, está de forma diretamente proporcional interligados. Certo é que não haverá uma retidão absoluta na vida do cristão, visto que a perfeição jamais será encontrada em nenhum daqueles que o seguem, mas, apresentado ao seu erro, assim como o exemplo de Davi e de tantos outros, o cristão deve arrepender-se continuamente de seus erros e voltar-se para o Senhor. Um exemplo neotestamentário é o publicano Zaqueu, que ao receber Jesus em sua casa e, percebe-se implícito no texto, em sua vida, teve um ato de arrependimento e restituição diante de seus pecados de abusos como servidor público daquele tempo, determinando em seu coração que restituiria a todos quanto havia defraudado:

"E, levantando-se Zaqueu, disse ao Senhor: Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado." Lucas 19.8

Mas, e o que fazer? O que decidir diante de tantas opções e possibilidades? Qual o caminho de ações a se tomar em momentos em que as circunstâncias se erguem contra nossa consciência e desejo de fazer algo?

Não é possível uma definição exata da religião de William Shakespeare, autor da peça Hamlet. Há uma maior possibilidade de ele ser Católico Romano, mas esta tese tem perdido força ultimamente. O fato de perder força em um contexto de pós-cristianização do mundo, me leva a crer mais fortemente que ele era realmente cristão, confesso. Mas na sua peça, o conflito levantado para a pergunta que inicia o título deste artigo: "Ser ou não ser?", define que havia valores excelentes em conflito. Justiça, vingança, moral, são exemplos de questões que as mentes mais puramente angustiadas pela profundidade da vida buscavam.

Hamlet acaba assassinando o tio que assassinou seu pai, e há várias análises da personagem Hamlet, tanto do ponto de vista psicanalítico, por Freud, que usa toda a sua perversão sexual em esta análise, dizendo ser Hamlet desejoso da mãe e que gostaria de ter feito o que o tio fez para tomar o trono e a sua própria mãe como esposa; como também há uma análise filosófica deste personagem o colocando como um relativista, incrédulo, um pessimista e um fatalista; também há uma análise política que o faz como um "político florentino" que buscava uma restituição e manutenção cívica pela sua atuação direta, como estadista, sendo duro e obstinado em cuidados contra traições; enfim, as perspectivas observadas de Hamlet podem variar em diversos sentidos, mas como falei no início, prefiro reflexões diante dos ditames e preceitos de Deus.

Como um cristão, diante de arroubos imorais, no que diz respeito ao distanciamento de uma ética cristã, decidir o que fazer passa a ser uma necessidade constante em todos os aspectos da vida. O dia-a-dia passa ser o desafio constante para cada um que decide pelo senhorio do Senhor Jesus, visto que, comumente, o ser humano comum, criatura de Deus, busca os caminhos mais fáceis de conquistas e manutenção de uma vida confortável. Como dizia um amigo missionário, ex-paraquedista de guerra, em uma expressão trazida da caserna: "A carcaça só quer mordomia.".

Lembrando-nos da busca nas Escrituras pelos preceitos que precisamos, cada um, conforme a fé e vocação que o Senhor nos providencia, precisa refletir no que fazer sem ferir os preceitos de Deus. Isto pode parecer simples, mas não o é em atos e escolhas extremas. Penso eu o quanto foi desafiador para Paulo, diante de muitos irmãos pedindo o contrário, depois de ouvirem uma profecia de que certamente ele seria preso e morto, decidiu ir para Jerusalém (Atos 21.10-14). Como seria fácil para Paulo escolher fazer o menos pesado, o menos doloroso, o menos angustiante, visto que teria o apoio de todos aqueles que o amavam e o respeitavam, mas mesmo assim ele responde:

"Mas Paulo respondeu: Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração? Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do senhor Jesus." Atos 21.13

Que decisão diferente de muitos líderes de hoje, hein? Que hoje parece, assim como Hamlet que a vida eterna parecia ser um desconhecido total, por isso um escolha temerosa, para o por sob uma "vida acabrunhadora", como se lê em parte de seu monólogo que se inicia pelo famoso "Ser ou não Ser":

"Quem quizera carregar com estes fardos, resmonear e suar debaixo de uma vida acabrunhadora, se o receio de alguma coisa depois da morte, d'essa região inexplorada, d'onde viajante algum voltou, não turvasse a vontade, e nos não fizesse supportar os males, que temos, com receio de nos arremeçarmos aos que nos são desconhecidos? É assim que a consciencia nos torna a todos em covardes; é assim, que as côres nativas de uma resolução amarellecem sob os pallidos reflexos do pensamento; é assim, que as empresas mais energicas e mais importantes se desviam de seu curso, a esta idéa, e perdem o nome de acção."

Acto III - Cena I (Obs.: Deixei o português conforme  a tradução que utilizei de Hamlet.)

Escolher o que fazer, nas mais diversas circunstâncias, para um cristão, invariavelmente passa pelo crivo dos preceitos de Deus. Aqui não julgo a escolha de Hamlet na obra de Shakspeare, mas o ligo pela aparente verossimilhança na reflexão. Mesmo percebendo a diferença de convicções sobre a eternidade entre Shakspeare, expressa pelo seu personagem Hamlet, e Paulo. Hamlet não tinha convicção do que o esperava após a morte, certamente pela convicção católica romana de que somos salvos pelas nossas obras, mas Paulo sabia que o viver sendo Cristo, o morrer era lucro (Filipenses 1.21), assim como o padecer por Cristo era uma das bençãos que nos foi concedida como cristãos (Filipenses 1.29,30).

Na escolha do "o que fazer" não se deve perder de vista de que TODO poder pertence ao Senhor Jesus, e que TUDO está sujeito a Sua Soberania Eterna. NADA sai do Seu controle e NADA se perde de Seu olhar e Onisciência. Não podemos escolher fazer o que é egoísta, egocêntrico ou sob avareza. Não se pode colocar em posição de superioridade a custas da comunidade e/ou sociedade, e jamais usurpar para si o conceito de justiça e verdade para validação de vantagens pessoais ou de grupos de privilégios. O que deve sobrepor-se é a justiça e verdade que plenamente se revelam na vontade de Deus, aos quais todos devem temer e se dobrar.

Mas, estamos em uma sociedade que ao menos se preocupa em temer o conceito de Deus, ou seguir o que significa justiça e verdade segundo seus preceitos? Se não estamos, sendo nós os responsáveis por esta geração, somos responsáveis em nos submeter a perseguição, não como masoquistas religiosos, mas em total doação à Comissão dada por Deus em que devemos SER SAL DA TERRA E LUZ DO MUNDO (Mateus 5.13-16), FAZER DISCÍPULOS (Mateus 29.19-20), ALEGRAR-SE NAS PERSEGUIÇÕES (Mateus 5.10-12), conscientes de que TODO PODER É DO SENHOR (Mateus 28.18), que O SENHOR ESTARÁ CONOSCO ATÉ A CONSUMAÇÃO DOS SÉCULOS (Mateus 28.20) e que RESSUSCITAREMOS NELE NO ÚLTIMO DIA:

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados, num momento, num abrir  fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que insto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade. E, quando isto que é corruptível se revestir da incorruptibilidade, e isto que é mortal se revestir da imortalidade, então, cumprir-se-á a palavra que está escrita: Tragada foi a morte na vitória. Onde está, ó morte o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor."

1Coríntios 15-50-58

Escolha sempre fazer a vontade de Deus e não a de homens. Assim seguiremos em paz como povo de Deus, apesar de perseguições e lutas.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025

Alianças corruptivas e corruptoras


Fonte da imagem: https://www.martureo.com.br/a-outra-pandemia-de-covid-e-o-custo-da-corrupcao/

"Se disserem: Vem conosco, espiemos o sangue, espreitemos sem razão os inocentes, traguemo-los vivos, como a sepultura, e inteiros, como os que descem à cova; acharemos toda sorte de fazenda preciosa; encheremos as nossas casas de despojos; lançarás a tua sorte entre nós; teremos todos uma só bolsa."
Provérbios 1.11-14

Muito se discute hoje sobre a entrada da Igreja no cenário político, visto que houve uma demonização desta ciência, e também as instituições religiosas ganharam um contorno de recurso de controle da sociedade. Assim sendo, muitos líderes religiosos, conscientemente ou não, acabaram caindo na afirmativa atribuída a Karl Marx, lida na obra "Crítica da Filosofia do Direito" de Hegel, onde se lê que "a religião é o ópio do povo", no sentido de que a religião é um meio de entorpecer as massas. E a religião contemporânea, especialmente as que se dizem cristãs, saíram do palco de proeminência de grandes transformações na sociedade, para meros expectadores de acontecimentos políticos, chegando ao ponto inicial de demonização desta tão importante área da vida humana. Mas isto não sem as marcas da corrupção.

O texto do livro de Provérbios que abriu este artigo, refere-se a uma instrução de cuidado paternal com o caráter da caminhada do filho. A atenção não é apenas ao que diretamente é dito, mas ao princípio oferecido, e o caráter de quem oferece. Dentro de uma conjuntura de muito relativismo, como vemos hoje, é quase que irrelevante tratarmos de princípios, pois muitos perderam a noção do que isso significa e, talvez por isso, ao invés do cuidado com as marcas de pecado, negligenciam esperando apenas quando o pecado é declaradamente exposto. Quem gosta disso é o próprio diabo, que rege muitos em suas desatenções visto que ele não busca nenhum tipo de culto consciente, apenas ações de ofensa à Lei de Deus, de seus mandamentos e preceitos.

Claramente esta fala refere-se ao cuidado de não se quebrar o 8º Mandamento: "Não furtarás" (Êxodo 20.15). Lendo com atenção (e nem é preciso tanta atenção assim para se perceber, caso você tenha o mínimo de caráter) fica claro que o convite é para que se evite se juntar com quem busca causar dano a outros, e não sem violência (Pv 1.11,12), mas com o propósito final de ganhos e lucros, unindo-se em riquezas com aqueles que visam tirar de inocentes os seus recursos (Pv 1.13,14).

A violência precisa de resistência para chegar as vias de fato. Mas a agressividade ela é imposta em níveis graduais, que vão escalando de acordo com a necessidade para se alcançar um propósito. A importunação emocional e o terror causado pela ameaça armada, ainda mais quando estatal, é uma arma poderosa no controle de grandes grupos. Não é uma prática pouco vista na humanidade, mas que só vê recuo quando os oprimidos, geralmente a maioria, percebe que os opressores, geralmente em menor número, os temem pelo número. Mas isto precisa de um trabalho de despertamento, ou apenas quando extrapolado os recursos de agressividade contra as massas, há uma grande reviravolta na percepção de poder.

Por que digo isto?

Historicamente a Igreja Cristã foi responsável pelo grande despertamento da população. Foi o cristianismo que possibilitou a leitura e o aprendizado no mundo ocidental. Cristãos famosos trabalharam forte, muitos com preço da própria vida e liberdade, para trazer ao povo a consciência do valor da vida humana que Deus nos revela. Esta apropriação de valor permitiu às nações do mundo ocidental libertar-se de governos tiranos e sistemas que oprimiam o povo em diversos aspectos. 

Não vou defender aqui nenhum sistema de governo, especificamente. O que defendo é a possibilidade de visão de princípios do povo. E a Igreja tem grande responsabilidade nisto, como sempre falo. A Igreja recebeu a incumbência de ser "sal da terra e luz do mundo"(Mt 5.13-16), mas o que podemos fazer quando o sal perde o sabor, e a luz é escondida? 

O que vemos hoje é um grande sistema de apatia e de falta de compromisso com o Reino de Deus, mediante a desculpa de que "Igreja e Estado devem ser separados", uma perspectiva interessante, histórica, mas pessimamente lida hoje, e hipocritamente vivenciada por muitos líderes.

A tal separação entre Igreja e Estado é cobrada quando a Igreja (e digo povo de Deus, não instituições) deveria intervir democraticamente em decisões abusivas do Estado, sendo imposto por líderes que a Igreja não deve se meter com política. Mas é esquecida quando muitos líderes buscam benesses do Estado para suas atividades e vantagens, sejam pessoais, sejam institucionais. Com muita tristeza digo que A IGREJA DO SÉCULO XXI ESTÁ COOPERANDO PARA A CRIAÇÃO E SUSTENTAÇÃO DE UM ESTADO-DEUS.

Concordamos que o Estado não deve se meter nas questões de fé, salvo se isto fere a dignidade humana e ou o direito a vida e liberdade (não libertinagem), mas a Igreja deve sim se envolver e intervir nas decisões do Estado/Governo que ferem a manutenção da vida, da moral, da ética e da justiça (não a relativa de um judiciário pervertido, mas do verdadeiro sentido de justo, bom e verdadeiro). 

No momento em que líderes, ou mesmo grupos de religiosos aceitam vantagens, presentes, ofertas, empregos e qualquer outra forma de benefício de pessoas ligadas ao Estado, em troca de corroborarem com a manutenção de poder deles, a tais líderes e/ou grupos, tornam-se cúmplices de corrupção, visto que o Estado nada produz, e para manter a estrutura de benesses e vantagens para os aliados dos que estão no poder, tiram dos inocentes, em forma de tributos e impostos, o que é necessário para pagar aos corruptos seja ativos, sejam passivos.

A Igreja deve gozar de uma profunda percepção de princípios e valores de Deus e, no momento que negligenciam com esta percepção, aliando-se por presentes e favores a grupos que extorquem inocentes, sob a clara ameaça da máquina do Estado, atacam diretamente os preceitos do próprio Deus, mostrando total falta de comunhão com o Pai, Senhor e Deus.

Um claro modelo de corrupção hoje na sociedade, envolvendo a relação entre instituições religiosas e estrutura estatal é a distribuição de vagas de emprego para certas instituições que se negam a apontar os erros, e se levantarem contra os abusos do governo posto. O simples fato de sobrecarregar a estrutura estatal por favores empregatícios ou vantagens de eventos, já faz com que a instituição religiosa concorde com o excesso de tributação necessário contra os inocentes. Fuja de instituições com grande número de favores no meio político.



As Instituições Religiosas, que se dizem cristãs, podem e devem promover uma grande mudança de mentes desde a base da sociedade, não continuar "abençoando" as formas abusivas de controle do Estado sobre a sociedade. Só assim podem ser vistas como Igrejas, e não apenas pelo fato de carregarem e falarem sobre doutrinas bíblicas, visto que: "Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta." Tiago 2.17

É preciso haver um profundo comprometimento de não só dizer o que se crê, mas de se viver aquilo que se professa. Nisto consiste o verdadeiro discipulado de Jesus Cristo. Muito embora muitos líderes defendam uma alienada afirmação que diz: "Para o Brasil, só Deus intervindo para mudar"; mas como esta mudança pode ser se os que são dEle não estão dispostos a serem agentes de transformação nem por ação, nem por testemunho. Suas vidas, apesar de muitos belos argumentos e doces palavras, não espelham os preceitos de Deus, nem tão pouco estão dispostos a sofrer o necessário para que o que bom, justo e verdadeiro prevaleça. Mordomos infiéis e que, fatalmente, levam outros a negligência.

Cada um dará conta de si, mas os pastores darão conta da vida das ovelhas (Hebreus 13.17), mas as ovelhas também terão sua responsabilidade. Que todos estejam alinhados com Deus em humildade e intrepidez nestes tempos difíceis, suportando-vos uns aos outros em amor, e honrando o Pai que está no céu.

Finalizo com a continuação da perícope do texto de provérbios, acerca daqueles que convidam "os filhos" para fazer o mal aos inocentes:

 "Filho meu, não te ponhas a caminho com eles; desvia o teu pé das suas veredas. Porque os pés deles correm para o mal e se apressam a derramar sangue. Na verdade, debalde se estenderia a rede perante os olhos de qualquer ave. E estes armam ciladas contra o seu próprio sangue; e a sua própria vida espreitam. Tais são as veredas de todo aquele que se entrega à cobiça; ela prenderá a alma dos que a possuem."

Provérbios 1. 15-19 

Não feche os olhos para a corrupção posta neste século. Deus não dorme!

Deus abençoe a todos.
Davyson Gustavo de Moura Silva.