domingo, 31 de dezembro de 2017

Lendo errado a Bíblia



Há um tempo atrás, havia recebido um texto que me intrigou e até respondi ao remetente na mesma linha que estarei colocando abaixo, mas antes transcrevo o texto recebido:

"Quem matou Abel? - Seu irmão.
Quem vendeu José? - Seus irmãos.
Quem expulsou Jefté? - Seus irmãos.
Quem sentiu inveja de Davi? - Seus irmãos.
Quem não ficou contente com a volta do Filho Pródigo? - Seu irmão. 

Enfim, entre tantos exemplos na Bíblia, percebemos que todos os TRAÍDOS e MALTRATADOS pelos seus próprios IRMÃOS foram muito ABENÇOADOS e GUARDADOS POR DEUS. 

Portanto, NÃO PARE DE CONGREGAR EM SUA IGREJA e NÃO DESISTA DE BUSCAR A SUA COMUNHÃO COM CRISTO porque algum IRMÃO te feriu. Lembre-se que o seu negócio é com o PAI, e não com o IRMÃO!"


Tive a oportunidade de receber este mesmo texto hoje, e agora deixarei aqui um registro do que acredito ser mais coerente em perceber nos personagens citados e seus respectivos contextos.

Sei que o que se tem aprendido é a ideia do "eu e Deus", mas isso não é da parte de Deus.
Deus nos chamou a sermos UM na coletividade da Igreja.
Não deixe que as ideias do inimigo corrompa o princípios que Deus deixou.

- Caim matou Abel, mas Deus permitiu que sua descendência desenvolvesse muitas áreas importantes para a humanidade, começando pela agropecuária, artes e “industria,” (Gn 4.19-23);
- Os irmãos de José foram perdoados pelo próprio José,  quando este entendeu o propósito maior de Deus (Gn 45.5);
- Jefté foi expulso pelos seus irmãos,  mas foi ele quem liderou o povo nas vitórias que o Senhor permitiu (Jz 11.6);
- O filho pródigo foi rejeitado pelo seu irmão,  mas esta FOI UMA PARÁBOLA que só retrata a nossa tendência à condenar SEMPRE os "mais fracos" na caminhada... e continua tendo muita razão, inclusive nos mostrando que na maioria das vezes somos "bons" irmãos mais velhos; 
- Davi  foi "invejado" por seus irmãos? Na verdade foi mais subjulgado do que invejado, isso porque Davi foi escolhido e pra eles era inadmissível alguém ser escolhido por Deus sendo, aos olhos dos homens, tão inferior... eles não sabiam que DEUS TEM ACESSO TOTAL ao mais escondido de cada um, não precisamos DAR ACESSO precisamos nos arrepender de ter nos afastado de Deus e Ele vem nos ajudar no processo de volta.

Temos a revelação de Deus completa e todo o plano eterno da salvação consumado, mas mesmo assim a inveja, a indiferença,  a falsidade e a covardia do maiores contra os menores continua... isso porque as pessoas são mais preocupadas com a Obra de Deus (ou deus?) do que com o Deus da Obra.

Ele nos deixou claro os dois grandes mandamentos:
Amar a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo. Isto quando inquirido apenas sobre o maior de todos os mandamentos. Mas Jesus não desvincula um do outro. (Mt 22. 34-40)

Não digo que nenhum dos citados acima sejam melhores do que aqueles que fizeram algo contra eles, ressalto apenas que o que Deus tem pra fazer, ele sempre cobra a pior parte dos que são dEle, e os que são dEle sabem buscar nEle a força necessária para continuar.

Jesus não precisa abençoar e nem fazer mais milagre nenhum para sustentar a sua Igreja. A Igreja dEle foi salva pela mensagem da Cruz, e é esta mensagem que nos dá esperança... ela inclui o “suportai-vos uns aos outros em amor” (Ef 4.2), afinal é uma ordem “abençoai aos que vos perseguem; abençoai e não amaldiçoeis” (Rm 12.14) e “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Rm 12.21)

A Salvação em Cristo foi planejada por Deus, desde a eternidade (IPe 1.20; Tt 1.2; ICo 2.7),  para todos os povos, e não só para o povo escolhido para anunciar (Gn 12.3)... nós mesmos somos adotados graças a todo o percurso da história salvífica de Deus que se cumpriu em Cristo Jesus nosso Senhor.

Que o amor de Cristo nos una, cada dia mais... mesmo sendo MUITO difícil.


Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Resumo Crítico: Capítulo 11 - Introdução ao Aconselhamento Bíblico

MACK, Wayne A. Introdução ao Aconselhamento Bíblico. São Paulo: Hagnos, 2004.

Wayne Mack é graduado na Faculdade Wheaton e no Seminário Reformado Episcopal. Obteve seu doutorado no Seminário Teológico de Westminster. É um conferencista em aconselhamento bíblico e também um associado da Fundação Educacional para o Aconselhamento Cristão de Laveock, Pensilvania.

A esperança como recurso para nos conduzir à fé e na fé

Este resumo trata do capítulo 11 do livro em questão. Capítulo este que vem assinado pelo doutor Wayne A. Mack e que vem como título: Dando esperança para o Aconselhado.
Diante dos diferentes problemas enfrentados pelas pessoas, onde o que interfere com os relacionamentos é a falta de esperança, é necessário que seja ministrado da forma correta a esperança na vida de cada indivíduo que passa por determinados problemas. Esta necessidade não pode e não deve ser subestimada pois a própria bíblia apresenta muitos textos sobre a importância desta abordagem.
O autor nos trás vários textos sobre o assunto como: Provérbios 10.28; Romanos 5.2,3; Romanos 8.24, 25; Colossenses 1.4,5; entre outros que nos aponta diversos efeitos que o texto bíblico promove em nós.
Há uma observação, também, referente a confrontação sobre a falsa esperança e a verdadeira esperança que é um desafio para o processo de aconselhamento visto que muitos conselheiros, que não tem o objetivo de um processo bíblico no apoio àqueles necessitados de aconselhamento, utilizam recursos que não apresentam uma esperança consistente e alguns destes são tratados como os efeitos da falsa esperança primeiramente, que são: A falsa esperança se baseia em idéias humanas quanto ao que é agradável e desejável; A falsa esperança se baseia em uma negação da realidade; A falsa esperança se baseia em pensamentos mágicos e místicos; A falsa esperança se baseia em uma visão não bíblica da oração; e A falsa esperança se baseia em uma interpretação inadequada das Escrituras. Cada ponto deste o autor nos traz uma explicação de como a falsa esperança se torna prejudicial no processo de aconselhamento.
Também há a apresentação das benesses da verdadeira esperança para este processo, sendo os pontos tratados: A verdadeira esperança está biblicamente baseada na expectativa do bem; A verdadeira esperança surge da verdadeira salvação; a verdadeira esperança é holística em seu enfoque; A verdadeira esperança é realista; A verdadeira esperança deve ser renovada diariamente; A verdadeira esperança é inseparável de um estudo diligente e preciso da Palavra de Deus; A verdadeira esperança é uma questão de vontade; e A verdadeira esperança se baseia no conhecimento. Como no bloco anterior, passamos por cada ponto vislumbrando as situações em versículos e com alguns casos reais para que seja melhor percebido as conseqüências de um bom processo bíblico de aconselhamento, que visa direcionar o aconselhado para a percepção de suas necessidades no que as Escrituras nos revela da parte de Deus e que pode nos preencher de forma eficiente e nos trazendo a paz que só pode ser recebido mediante o tratamento pela Palavra de Deus.
Além de nos conduzir no conhecimento do da falsa e verdadeira esperança, também nos é possível acompanhar as orientações de como prover para o aconselhado a esperança que ele precisa no seu problema especificado no acompanhamento.
O autor se preocupa em conduzir o aconselhamento realmente com uma abordagem bíblica e para dar esperança já nos é instruído que o relacionamento verdadeiro e constante com Jesus Cristo é o único caminho para o preenchimento da necessidade de qualquer pessoa, pois só Ele é a nossa esperança, conforme vemos em Timóteo 1.1.
Um outro meio de fazer com que o aconselhado encontre uma saída para o seu estado de necessidade espiritual é ensinando o aconselhado a pensar biblicamente introduzindo a consciência de situações semelhantes abordada nas Escrituras de forma que o caráter de Deus e as possíveis soluções que a Bíblia nos traz venham a fazer sentido para o aconselhado. Neste ponto de ensinar a pensar biblicamente temos alguns itens que o autor vem apresentar para conduzirmos o aconselhado e para isso ele nos diz: Pense biblicamente acerca das possibilidades para o bem; Pense biblicamente acerca dos recursos divinos; Pense biblicamente acerca da natureza e da causa do problema; e Pense biblicamente acerca do que eles dizem.
Um grande recurso também, e o autor trata no fim do capítulo é fornecermos exemplos piedosos para o aconselhado, sendo estes: Nosso próprio exemplo de esperança; e O exemplo de esperança nos outros. Quando o aconselhado olha para o conselheiro como alguém que se identifica e observa que outros já mostraram empatia com o seu tipo de problema, isso os estimula a terem esperança e encontrar nas Escrituras a solução de seus problemas que Deus já providenciou.
Deus é quem prover todo o necessário para o crescimento de cada um de nós, mas Deus nos permitiu homens e mulheres para inspirar e encorajar pessoas sem esperança.
O autor nos traz uma abordagem que utiliza sim recursos da psicologia, mas não enfatizando os recursos psicológicos, mas sim os recursos bíblicos ao ponto de que diretamente o autor afirma que é muito importante comunicar para o aconselhado a necessidade de Jesus Cristo e da convicção de fé em Cristo Jesus que faz com que podemos ter toda a cobertura necessária para superar nossas debilidades emocionais. De maneira nenhuma temos a psicologia como base para o trabalho de aconselhamento então, ao menos este capítulo não pode ser entendido como um recurso acadêmico para a psicologia, mas como um recurso ministerial para a igreja cristã que percebe esta necessidade.

O material se mostra extremamente útil para o crescimento do obreiro que deseja se dedicar ao acompanhamento de outras pessoas e acredito que todo o livro deve nos dá recursos neste sentido. Uma área que precisamos fortalecer em cada igreja local para que haja uma maior saúde emocional, partindo do princípio espiritual de cada irmão que, precisamos continuamente, dia-a-dia nos fortalecer na fé em Cristo Jesus.

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O objetivo é servir ao próximo, não se exaltar.

"Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida a medida da fé que Deus repartiu a cada um."
Romanos 12. 3

Há um bom tempo não venho aqui escrever. Os dias estão bem corridos e tenho tentado dedicar-me a aprender discipular discipulando, e confesso que a experiência tem sido de muito crescimento pessoal. Agradeço a Deus pela oportunidade de ser ministrado com os irmãos e irmãs que tenho compartilhado momentos de crescimento no conhecimento do Senhor. Louvado seja Deus.

Hoje senti a necessidade de vim recobrar um pensamento que havia deixado como rascunho há um tempo atrás e, meditando, o Senhor me conduziu ao texto em destaque, no inicio do post, da carta do apóstolo Paulo aos Romanos.
Neste trecho da carta aos Romanos, Paulo parece se dirigir as irmãos daquela igreja para instruí-los a não se sentirem maiores do que os outros quando na dispensação dos dons segundo o Espírito Santo de Deus dava a cada um deles. Este cuidado era necessário para que estes irmãos não se perdessem na condução de seus relacionamentos uns com os outros criando níveis de robustez espiritual.

Ouvindo este conselho de Paulo, que fala segundo a graça que lhe foi concedida, temos que nos sentir obrigados a olhar para o outro realmente o considerando sempre maior do que nós mesmos como vemos em Filipenses 2. 3b: "...cada um considere, com toda a humildade, as demais pessoas superiores a si mesmo"; esta inclinação à humildade despertará na comunidade cristã uma nova forma de reagir e de interagir. Pode até demorar, mas com a perseverança virá a recompensa.
Quando o apóstolo nos diz para "não saber mais do que nos convém saber" (μὴ ὑπερφρονεῑν), ele nos invoca a realmente a não ter pensamentos grandiosos nem sermos presunçosos por causa daquilo que recebemos do Senhor. O que recebemos de Deus deve ser usado da posição de servo em favor do povo de Deus. Estando diferente disso, estamos contra o projeto de Deus e isso é rebeldia.

Precisamos nos comprometer em pensar de forma moderada, tendo uma mente modesta e humilde (σωφρονεῑν). Esta mente não pode vir da nossa própria natureza. A atitude aqui é de alguém que passou por uma transformação de mente, mediante a total entrega a Deus de sua vida, conforme o início do capítulo 12 da carta aos Romanos nos exorta: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Romanos 12. 2
A humildade precisa ser verdadeira, e não uma humildade que o homem desenha com o propósito de se auto-promover. Deus chama sua Igreja para que o Seu povo o louve em tudo o que faz, e esta motivação humilde precisa vir dele para que o fruto da humildade o glorifique em todos os aspectos.

É fato que Deus encherá e derramará dons sobre a igreja dEle, isto não é negociável. Mas a Igreja tem a obrigação de cuidar e zelar bem destes dons fazendo uso de forma que a Igreja seja edificada como um todo. Mesmo no meio das diferenças interpessoais, a unidade em Cristo deve ser visível e comunicável para que as pessoas que ainda não comungam da mesma fé e não conhecem o Evangelho da Salvação em Cristo Jesus, tenham condições de perceber que Jesus Cristo nos transforma totalmente.

A principal função dos dons é para a edificação da Igreja. Proclamar o Evangelho é resultado da Missão, que NÃO É Evangelizar, MAS SIM fazer Discípulos. O problema é que não temos discípulos suficientes, e se não tem discípulos, consequentemente não se tem Obra local.

É preciso nos comprometermos com o IDE do Senhor e fazer discípulos ensinando-os a se relacionarem com Deus para que estejam sensíveis à renovação de nosso entendimento para que estejamos, dia após dia, experimentando a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.

Graça e paz da parte de nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo.



sexta-feira, 21 de julho de 2017

Viver reafirmando-se em Cristo

"Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus" Mateus 10. 33

O evangelho segundo Mateus foi compilado de forma a apresentar a pessoa de Jesus como o Cristo para os judeus. Em seu inicio nos informa o cumprimento de várias profecias destinadas ao Messias e de como Ele seria conhecido quando viesse enviado pelo Pai.
A porção que o versículo em destaque se encontra, está em um discurso de Jesus quando fala aos discípulos para, naquele momento não ir "...pelo caminho das gentes..." (Mateus 10. 5), mas que eles deveriam ir "às ovelhas perdidas da casa de Israel;" (Mateus 10. 6).
Os judeus não seriam chamados a culpa de negação sem o devido anúncio da vinda do Messias de forma clara e rodeada de sinais que o comprovasse. Deus em Sua misericórdia preparou todo o palco para que o povo escolhido fosse o primeiro a receber a noticia da sua encarnação e do propósito de libertação da humanidade da escravidão do pecado. Mas Ele "veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1. 11)

A culpabilidade não surge da ignorância, mas do conhecimento e da não aceitação. Somos culpados desde a desobediência que em Gênesis temos o registro da Queda, mas temos responsabilidade pessoal quando percebemos a nossa culpa diante de Deus e o quanto estamos avesso a Ele e o quanto somos inimigos de Deus por conta de nosso pecado, e mesmo diante da tão grande prova de amor de Deus nos recusamos a segui-lo em obediência piedosa.
A negação tratada em Mateus 10. 33 (destaque), é relacionada a negação mediante o anuncio e conhecimento do que Deus fizera em favor daqueles que, agora, negarão. A condição de se dizer conhecedores e não seguir a Verdade revelada em Cristo, faz de si não simplesmente pecador, mas indesculpável do pecado de, com suas atitudes de rebeldia contra Deus, negar diante dos homens o senhorio de Cristo sobre sua vida.

Embora Mateus estivesse relatando uma instrução direta de Jesus aos discípulos quando, naquele momento, estavam sendo enviados aos judeus, este texto também se aplica a nós, cristãos de hoje que, mesmo diante de todo acesso à leitura bíblica, nos fixamos em viver diante dos outros de forma dissoluta e contrária aos princípios bíblicos e como Jesus nos ensinou a viver o cumprimento da Lei que é: Amando a Deus sobre todas as coisas, e ao próximo como a si mesmo. (cf. Mateus 22. 34-40)

Não falo aqui como criatura de Deus, mas como filho adotado pelo sangue de Jesus que foi o preço pago pela remissão de nossos pecados diante de Deus para o povo que hoje conhecemos como Igreja do Senhor, mediante arrependimento e confissão do senhorio de Cristo sobre nossa vida. Esta condição de Igreja do Senhor, não como instituição humana, mas como edifício espiritual erguido pelo próprio Deus que nos vivificou em Cristo Jesus, nos dá a responsabilidade e dever de, enquanto vivemos neste tempo, estejamos testemunhando constantemente e intensamente a nova criação que fomos feito mediante a Justificação em Cristo e, por estar unidos com Ele, precisamos anunciá-Lo àqueles que ainda não o conhece. Mas se damos mal testemunho diante dos homens, não é que tenhamos perdido a Salvação, mas que nunca a tivemos e por isso o negamos em nossas atitudes pois quem quer que seja tocado pelo Senhor, é transformado para uma vida de santificação dia após dia.

Não temos dados bíblicos que nos dê 100% de certeza do testemunho de cada um dos doze apóstolos, mas os que temos percebemos que a chamada aos doze não foi direcionada a pessoas perfeitas, mas os relatos nos mostram que a intimidade com o Mestre lhes deu a possibilidade de serem usados de forma poderosa para anunciar a muitos a Salvação em Cristo, e pelo menos um, que teve o mesmo acesso de todos os outros se perdeu e ficou conhecido como filho do diabo.

Que, como Igreja do Senhor, caminhando em fidelidade às Escrituras Sagradas e não à tradições e estatutos criados por homens, possamos testemunhar a este mundo perdido a tão grande prova de amor de Deus por aqueles que creem e crerão no Evangelho de Jesus Cristo.

Graça e paz do Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo de Moura Silva

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Viver pelo outro. Viver por Cristo.

Mas nós que somos fortes devemos suportar as fraquezas dos fracos e não agradar a nós mesmos.Romanos 15, 1
A força do cristão está além de si mesmo e do que ele pode realizar. Nossa força está em Cristo e nosso exemplo precisa ser de doação pelo bem do outro, sempre olhando pra Jesus que é o Princípio e o Fim de todas as coisas.

As fraquezas que por vezes vemos, não podem ser alvo de ofensas ou de injúrias. Estamos quase sempre caindo nas mesmas ou em outras fraquezas e precisamos plantar a semente da compaixão e do perdão, nunca retribuindo o mal com o mal, mas sempre o mal com o bem, seja quando o mal vem contra nós, ou quando é algo que não nos atinge diretamente, mas é preciso que o irmão compreenda, através das Escrituras Sagradas que precisa mudar de atitude (Romanos 12:17ss). Quando percebemos estas fraquezas no outro - porque somos compassivos com as nossas próprias fraquezas, com nossas traves no olho (Mateus 7. 3) - devemos fazer orações e súplicas diante de Deus e mudar nossas atitudes visando sempre edificar o próximo buscando sabedoria em Deus.



Não somos pessoas completas em nós mesmos. Antes de ser cristãos, somos criaturas com um vazio tremendo e que completamos com coisas mundanas que suprem as necessidades pecaminosas que temos. Encontramos a alegria passageira quando nos realizamos nestas futilidades. Mas quando Cristo entra em nossas vidas e o Espírito Santo de Deus faz morada em nos, percebemos que somos parte de algo maior e o desprendimento de si mesmo é uma necessidade pois percebemos que não somos de nós mesmos, mas agora somos posse de Deus comprados por valor precioso (1 Coríntios 6. 19-20)

Por vezes somos fortes em algumas coisas, mas quase sempre somos fracos em algum aspecto pois nos entregamos muito mais as dúvidas que temos do que à certeza que o Senhor nos dá em Sua Palavra (Romanos 8. 37). Busquemos incansavelmente desistir de nosso bem visando sempre o bem do próximo levando nossa consciência sempre a estar de acordo com a vontade de Deus, amando ao próximo de forma a edificá-lo em Cristo e tendo comunhão com Deus através da nossa capacidade de comunhão, de dividir o que temos de melhor, com o nosso irmão.

Que esse melhor seja o conhecimento e a intimidade com Deus. Graça e paz do nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Não movemos Deus, Ele é quem nos move

"Tudo o que o SENHOR quis, fez, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos." Salmos 135. 6

Certa vez, na oportunidade de aconselhar um jovem sobre um assunto relacionado a relacionamento, ouvi dele que ele tinha um desejo que aquecia o seu coração e que ele estava orando para que Deus concordasse com aquele desejo de namorar com uma garota. É óbvio que quando se trata de jovens e adolescentes, temos a facilidade de saber que as paixões que temos nestas idades podem ser passageiras, em sua grande maioria, graças aos hormônios que estão a pino em nosso organismo. Mas não só as paixões voltadas a relacionamentos costumam nos mover em atitudes e palavras que visam "encostar Deus na parede", e que não largam "até que Ele nos dê a bênção", parafraseando, aqui, a atitude de Jacó em Gênesis 32. 36. Mas será que esta atitude tem relação com a atitude de Jacó? Será que agindo assim estamos em nosso direito?

A Soberania de Deus é algo incontestável na teologia, mas é fato que, dia após dia, vemos pessoas distorcendo este atributo de Deus em suas pregações ou conselhos que estimulam grupos de pessoas a pensarem que suas orações podem mudar os planos de Deus de acordo com suas necessidades imediatas.

O texto em destaque nesta postagem, Salmos 135. 6, nos apresenta o salmista numa declaração reflexiva da soberania de Deus que fez tudo o que quis, não de forma limitada, mas absolutamente em todos os lugares que Ele desejou. 

Céus, terra, mares e abismos eram o que os homens daquele tempo poderiam compreender de forma muito próxima a eles, mas nós hoje compreendemos o céu, por exemplo como uma extensão quase que infinita pois se expande constantemente, mas sabemos que até o céu tem seu limite e que um dia morrerá, mas Deus É além deste céu. 

Os mares e abismos eram inalcançáveis para aqueles homens que salmodiavam com harpa, e guerreavam com armas primitivas. Hoje temos a possibilidade de rebuscar muito, mas ainda muito limitado de nossos abismos nos mares. Há regiões no fundo dos oceanos que nem conseguimos chegar (ainda?) com nossas engenhosas máquinas e recursos, mas o salmista fala ainda hoje para nós que "Tudo o que o Senhor quis, ele o fez" até nos mais distantes abismos e mais distante dos céus.

Não sei se fica a mesma impressão para todos, mas para mim fica uma sensação de que eu sou muito pequeno para que Deus mova a história em meu favor. Não sei se fica claro o tamanho da Majestade de Deus em TODA a criação, mas todo o seu fazer tem um objetivo muito maior do que a simples existência de uma pessoa. Eu não posso imaginar que o mundo deve girar ao meu favor porque o mundo e tudo que existe foi criado por Deus para Seus próprios propósitos ("Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas;" Romanos 11. 36), e que encontra a consumação nEle mesmo quando, na pessoa do Filho, Ele redime a humanidade, nos que creem ("Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna."João 3. 16), e toda a criação (Romanos 8. 19-22).

É bem verdade que estaremos continuamente, como humanidade caída e/ou como filhos de Deus que dependem dEle em tudo, sempre orando sobre nossas fraquezas, desejos e necessidades, mas estas orações não devem ser para adequar Deus aos nossos padrões de "eu quero". Que nossas orações sejam contínuas e cada vez mais fervorosas, mas para que os nossos desejos e necessidades se adequem aos planos de Deus. Que seja sempre em busca de compreendermos os seus propósitos naqueles momentos difíceis ou não, mas que nunca esqueçamos de que nosso Deus, o Único Deus, é soberano em todos os Seus planos e que o que devemos desejar é estar tão íntimos com Ele de forma a percebermos como Ele quer que nos venhamos a agir frente às circunstâncias.

O Getsêmani não é a nossa realidade, comumente. O cálice que Cristo tomou, não é o cálice que vamos tomar, glória a Deus! Mas que nossa atitude e desejo seja como a de Cristo: "... não seja como eu quero, mas como tu [Deus] queres." Mateus 26. 39.

Que a graça e a paz do Senhor Jesus seja contigo.
Davyson Gustavo

sábado, 17 de junho de 2017

Leia sua Bíblia mais e mais (by John Piper)

Não descanse em leituras passadas. Leia sua Bíblia mais e mais todo ano. Leia a Bíblia quer você queira ou não. E ore sem cessar para que a alegria retorne e para que os prazeres cresçam.

Três razões de que isto não é legalismo:

  1. Você está confessando sua falta de desejo como pecado, e suplicando como uma criança desamparada pelo desejo que você quer ter. Legalistas não clamam assim. Eles se maqueiam.

  2. Você está lendo por desespero pelos efeitos deste remédio celestial. Leitura da Bíblia não é uma cura para uma consciência má; é a quimioterapia para seu câncer. Legalistas se sentem melhor por que marcaram a tarefa como feita. Santos se sentem melhor quando a cegueira deles é retirada, e eles vêem Jesus na palavra. Vamos "cair na real." Nós estamos desesperadamente doentes com mundanismo, e apenas o Espírito Santo, pela palavra de Deus, pode curar esta doença terminal.

  3. Não é legalismo por que apenas pessoas justificadas podem ver a preciosidade e poder da Palavra de Deus. Legalistas se arrastam com suas Bíblias no caminho para a justificação. Santos sentam-se na sombra da cruz e suplicam por prazeres comprados por sangue.

Então vamos dar maior atenção para o Sr. Ryle e nunca nos cansarmos do lento e regular crescimento que vem do diário, disciplinado, crescente, caso de amor com a leitura da Bíblia.

Não pense que você não está recebendo bem algum da Bíblia, meramente por que você não vê este bem dia após dia. Os maiores efeitos não são de forma alguma os que fazem maior barulho, e são mais facilmente observados. Os maiores efeitos são geralmente silenciosos, quietos, e difíceis de detectar no momento em que estão sendo produzidos.

Pense na influência da lua na terra, e do ar nos pulmões humanos. Lembre como silenciosamente o orvalho cái, e como impercebivelmente a grama cresce. Deve haver muito mais coisas sendo produzidas em sua alma pela sua leitura Bíblica. (J. C. Ryle, Religião Prática (original em inglês Practical Religion), 136)


Este texto foi retirado do aplicativo Biblia Sagrada da Life.Church, no plano de leitura descrito abaixo:
Plano de Leitura: 15 dias na Palavra com John Piper
Dia: 6
Url: https://play.google.com/store/apps/details?id=com.sirma.mobile.bible.android&hl=pt-BR#details-reviews

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Uma vez em Cristo, sempre salvo

"Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao filho, perfeito para sempre." Hebreus 7. 28


Gosto muito de evangelizar pessoalmente, mas confesso que tenho estado um pouco apático para esta atividade de forma mais cotidiana. No ônibus, quando estou indo ao seminário para trabalhar ou estudar, não tenho me concentrado em começar uma conversa evangelística com quem senta do meu lado. Sempre tenho alguma coisa na cabeça que me toma todo o tempo e a capacidade de reação às oportunidades, ultimamente.
Hoje foi um dia como este. Estava na minha cadeira no ônibus, pensando em uma solução numa planilha que estou desenvolvendo e também nas minhas atividades do seminário que tenho que entregar. Daí senta uma jovem e junto a ela uma outra jovem estava de pé e um homem que parecia ser seu líder de célula ou dirigente da sua igreja que parece ser nova.
Eles estavam tratando de uma desavença entre duas das meninas que subiram no ônibus, e após uma delas relatar o seu argumento para estar chateada com a amiga, o homem diz para ela: "Vocês estão correndo o risco de perder a salvação. Vocês precisam parar de brigar. Mulher é assim mesmo."
Aquilo me chocou profundamente. Mas o que mais me chocou foi a minha morosidade em não me expressar, o que fatalmente teria terminado em um debate teológico que talvez não fosse produtivo naquele momento, mas confesso que fiquei preso na minha covardia e também na preocupação de afrontar aquele líder que demonstrava ter todo o carinho daquelas jovens que, pelo que conversavam, mostravam muito prazer em tê-lo à frente delas.
Mas como podemos colocar em risco nossa salvação? Seria realmente isso possível?

Alguns mais aficionados por uma teologia legalista e posturas condenatórias sem muita profundidade diriam logo que se pode perder a salvação. Eu também já disse isso, baseado em uma leitura superficial e que não respeitava o todo das Escrituras. 
É fato que este tipo de argumento tem sido usado para escravizar muitos cristãos que não aprenderam a se achegar a Deus percebendo sua Graça e Misericórdia. Historicamente vemos religiões que dominam pelo medo e pelo terrorismo espiritual, visto que esta é a maior e mais densa necessidade humana: se reconciliar com Deus, e a linha tênue entre conduzir e dominar tem sido quebrada pela idolatria do ego.

O texto de Hebreus nos traz o direcionamento de Salvação em uma defesa teológica muito acessível quanto compreendemos o que a Bíblia fala de como eram os sacrifícios e de como funcionava a atividade sacerdotal dos da tribo de Levi. Mas aí o autor de Hebreus vem nos fazendo uma demonstração de que aquela forma de sacerdócio não foi suficiente para nós, humanidade, nos achegarmos de novo a Deus através de nossas ações (Hebreus 7. 18-19), e por isso este sacerdócio foi mudado. Agora não mais a tribo de Levi seria usada, mas UM da tribo de Judá, que nem Moisés tinha previsto.
Agora, este sacerdócio não mais era segundo a Lei que instituía homens falhos, os quais precisavam sacrificar por si antes de sacrificar pelo povo, mas agora o sacerdócio vinha por aquele que é sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7. 17).

O sacrifício feito por Jesus Cristo, o sacerdote perfeito e perpétuo, é oferecido para que, todos aqueles que se chegam a Deus por ele, sejam perfeitamente e perpetuamente salvos. Ora, este não é um decreto de homens falhos e passageiros, mas é o determinação de Deus que já em Salmos 110. 4, nos afirma o que é reafirmado em Hebreus.

Não somos salvos por nossas obras, e sim pela fé como nos traz Efésios 2. 8-9. Glória a Deus por isso!!! Somos passageiros e falhos e nossas obras não são eternas. Mas aquele que nos chamou à Salvação por meio do seu Sacrifício, não nos deixará nos perder jamais. 
Mas há uma observação a se fazer. Quando não temos a Salvação por convicção de fé e selagem pelo Espírito Santo, é porque não confiamos de todo coração na Salvação e Senhorio de Cristo sobre nossas vidas, e temos outros recursos de fé seja espiritual, seja material... Números 23. 19: "deus não é home, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?"

Como disse doutor Russel Shedd (in memorian) ao responder quando questionado se era possível perder a salvação: "Depende de quem lhe salvou. Se foi Jesus Cristo, é impossível.".

Finalizo como comecei: "Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre" (grifo meu)

Aleluia!

A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos.
Davyson Gustavo

terça-feira, 13 de junho de 2017

Amar e confiar verdairamente

"Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas."
João 21. 17

Como se sentir frente a uma fraqueza? Frente a uma queda?
Comumente vemos ações desproporcionais de comunidades que não conseguem administrar a forma de disciplinar seus membros, ou pais que não conseguem aplicar em justa medida a correção a seus filhos, ou casais que passam tempos e tempos se agredindo das mais diferentes formas.

Incluo os dois outros casos apontados que se referem a pessoas cristãs realmente. Que conhecem a Palavra, o sentido do perdão e as características do fruto do Espírito Santo como vemos em Gálatas 5. 22.
Parece que fica mais difícil agir de forma cristã pois há um afastamento da essência de ser imitador de Cristo em todas as nossas atitudes. É claro que é muito fácil ser cristão quando tudo está bem, mas quando as coisas não vão tão bem e, principalmente há uma afronta direta a nós, geralmente agimos de forma impetuosa, seja para proteger nossa honra, nosso ego ou uma estrutura institucional que é temporal.

O texto em destaque de hoje fala de um momento especial na vida de Simão Pedro. Este apóstolo impetuoso, extremamente expressivo em suas palavras e atitudes, que mostrou está realmente pronto para ir até a morte com o Mestre quando puxa a espada e fere o servo do sumo sacerdote (Jo 18. 10), mas que na hora final vive o momento mais duro de seu ministério quando vê o Mestre sendo humilhado e maltratado sem nada poder fazer, ele agora precisava ser restaurado pelo Senhor para que ele cumprisse a sua vocação de apascentar aqueles à quem o Senhor levaria à Salvação.

Pedro nunca negou sua postura de ser altamente leal e crente fiel. Assumiu sua posição de líder dos demais, mas para que se cumprisse toda a Escritura foi preciso que ele conhecesse a fraqueza de não ser capaz de reagir e de lutar. Foi preciso que ele compreendesse que naquele momento ele deveria calar-se em suas atitudes para que o Senhor agisse em sua providência auto-suficiente de Eu Sou. Aquele momento não cabia a nenhum outro para compartilhar tais sofrimentos, mas apenas ao Cordeiro de Deus.

O amor que Pedro tinha por Jesus, e a fé que ele demonstrara no decorrer do ministério dEle, nos apresenta alguém que aparentemente não precisaria ser firmado. Seria uma muralha de fé e de convicção. Por isso era tão necessário que ele fosse minimizado para que dependesse apenas da providência do Senhor.

Nesta terceira vez que Pedro é confrontado a responder se ama o Senhor, que agora se apresenta ressurreto, vivo, em carne e após ter jantado com eles, há um sentimento de tristeza em Pedro como se percebesse no Senhor uma frustração pela sua ação em negá-lo por três vezes. Mas o Senhor mostra toda sua preocupação em reafirmá-lo em continuar o seu ministério ao qual ele fora chamado: Ser pescador de homens. Jesus não foi lá para "jogar na cara" de Pedro o seu erro, mas foi para fortalecê-lo em saber que a vitória do Senhor era completa e que esta vitória Ele tinha conquistado por amor de cada um de nós, inclusive do próprio Pedro.

É fácil compreender que houve uma Palavra muito particular para Pedro, mas que também podemos e devemos aplicar para nós, os que entenderam o Evangelho da Salvação em que Cristo é o Filho de Deus e que ressuscitou dos mortos após ter morrido morte de cruz para nos declarar justo a todos os que creem no Seu nome. Sendo este povo, temos a mesma vocação de Pedro, mas não na mesma proporção, claro, mas somos responsáveis em proporcionar aos que nos cercam uma experiência com a proximidade do Evangelho através de nossas vidas.

Não podemos simplesmente agir como pessoas que esmorecem e desistem. Certamente vamos nos encontrar tristes, mas jamais abatidos pois sabemos que já somos vitoriosos em Cristo Jesus. Sabendo que tudo Ele conhece e que nosso coração é declaradamente e incondicionalmente dEle, mesmo com nossas fraquezas. Mas que estas fraquezas estejam constantemente entregues nas mãos do Senhor para que o Espírito Santo ache em nós caminho livre e corações quebrantados para que Ele confirme continuamente e nos molde incessantemente para "que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo." Efésios 4. 13

Olhando do ponto de vista de ser um Pedro restaurado, todos nós aceitamos e sempre queremos... mas, na verdade, este post de hoje visa trazer você não simplesmente a ser o Pedro da história, mas ser o Jesus que sofreu o dano; que por três vezes insistiu, não só na pergunta, mas em ir resgatar os seus (Jo 21. 14); e que mesmo frente a fraqueza de Pedro lhe confiou a missão de apascentar suas ovelhas.

Queremos sempre ser perdoados e sermos confiáveis, mas o exemplo de Cristo foi perdoar sempre e confiar.

Graça e paz da parte do Senhor Jesus Cristo seja com você.
Davyson Gustavo.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Prevaricar X Perseverar


"Todo aquele que prevarica e não persevera na doutrina de Cristo não tem a Deus; quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto o Pai como o Filho."
2João 9

É fato que hoje vivemos dias de sérias dificuldades e embates teológicos entre denominações (e mesmo dentro delas) e isto tem dificultado nosso crescimento como um só corpo. As Sagradas Escrituras continuam e continuarão sendo nosso ponto de interseção, mas precisamos caminhar para que ela seja nossa raiz e que todo o resto seja apenas detalhes.
Começar este Blog com este texto foi uma dádiva do Senhor em me abençoar durante todo este dia pensando e meditando no sentido de prevaricar e de perseverar. Em um dia que, particularmente, precisei desta orientação do Senhor, e confesso que ainda estarei orando para que tudo seja bem esclarecido em meu coração e eu não esmoreça na caminhada.

Este embate entre estes dois termos que o apóstolo João levanta neste versículo é de grande relevância para a Igreja hoje. A Igreja do Senhor está dentro de igrejas que não compreenderam o sentido de unidade que nosso Senhor desejava e as lutas em defesa dos estatutos têm levado o funcionamento e, vou até além em dizer que, as regras de relacionamento cristão nas igrejas à patamares desesperadoramente distantes do que Jesus nos ensinou.

O prevaricar que nesta versão (JFA-RC) é colocado  na tradução do termo παραβαίνων (parabainon - texto majoritário) e de προάγοων (proagoon - texto alexandrino), vem passar a mesma ideia do presente do grego de quem passa a transgredir ou violar os ensinamentos de Jesus, indo além do que Deus determinou para que vivêssemos em obediência a Ele. 
Estamos no ano que comemoraremos 500 anos da reforma protestante e não dificilmente encontramos discussões sobre se a igreja cristã precisa ou não de uma nova reforma no Brasil. Esta tendência a um pensamento reformista, como o que entendemos que teve início na prática com Lutero em 1517, se dá pelo fato de que as igrejas tem prevaricado, pois tem se apoiado muito mais em seus estatutos e padrões criados, do que no que o Senhor nos ensina que é viver pelo próximo. Estão fechadas em círculos concêntricos que visam a exaltação de homens, grupos e denominações de forma que há uma disputa mascarada por domínio territorial e expansão populacional de suas instituições.
O direto contraste entre Prevaricar X Perseverar, apresentado no texto, aponta para a derrota de quem desiste de estar apenas com o que Cristo ensinou e passa a criar formas e fórmulas para que o plano de Deus se cumpra de maneira pragmática para suas comunidades. Não há a sensibilidade de compreender que o que suas regras causam é um desgaste daqueles que tem buscado um relacionamento firme e consolidado com Deus, mas, graças aos estatutos de cada instituição, o que têm acontecido mais frequentemente é o sufocamento do exercício da vida cristã legítima e da comunhão dos santos em troca de eventos e programas promocionais.

O perseverar tem sido, desde sempre na Igreja do Senhor, o maior desafio para o cristão. Isso significa permanecer firme na posição de forma inalterada. Facilmente isso remete a possibilidade de um caráter e de uma conduta que glorifica a Deus em todos os momentos, mas não deixa solto na individualidade de se manter uma ortodoxia livre de uma preocupação imediata ao próximo. No contexto do texto, João vem reforçando a necessidade de se manter no amor fraternal que era o segundo maior mandamento de amarmo-nos uns aos outros, conforme o que Jesus nos ensinara (v6), e esse amor ao próximo certamente nos levará sempre a perceber o que realmente é importante pois não estaremos mais prezando por monumentos construídos para serem grandes instituições, mas estaremos vivendo dando o devido valor ao ser que Deus demonstrou tanto amor... você e eu.
A busca incessante de encontrarmos a perfeição teológica tem nos levado a levantar grandes muros que nos dividem e que nos impedem de exercer o amor nas diferenças. Não temos a perseverança, pois temos escolhido as formas mais fáceis de nos relacionar com aqueles que concordam com tudo que nós queremos. Isso não é amor, e nem é amar. Estamos nos deixando levar pelas nossas corruptividades e nos enganando que estamos no caminho certo... mas quantos caminhos existem?!

Jesus é o único Caminho que temos que seguir e nos entregar. É de vital importância compreendermos que à parte de Cristo não conseguimos nem poderemos avançar com o Reino de Deus.
É bem verdade que as estruturas têm nos levado a nos perder em nossos caminhos, mas grande parte desta perda tem começado em nós mesmos pela falta de compromisso em lê a Palavra de Deus e buscar compreendê-la de forma sadia e fiel, sem colocar nossas convicções no seu contexto. Precisamos nos propor a ser continuamente transformados pela Palavra de Deus e somente desta forma poderemos viver para glória de Deus e anunciar seu Reino com fidelidade.

Aqui neste espaço pretendo usar como válvula de escape pois não tenho muito espaço para exercitar o ministério que Deus me chamou, mas estou em tempo de preparo e peço que orem por mim para que eu possa chegar ao final desta etapa e estar realmente pronto para conduzir pessoas a Cristo. Mas é fato que este Blog, que começo hoje a escrever, me ajudará a fixar princípios que quero levar durante todo meu ministério e espero poder contar com a ajuda de irmãos com compromisso com a Palavra e com a intenção de edificar vidas.

Deus abençoe a todos.
Graça e paz da parte do nosso Senhor Jesus Cristo.
Davyson Gustavo