"Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao filho, perfeito para sempre." Hebreus 7. 28
Gosto muito de evangelizar pessoalmente, mas confesso que tenho estado um pouco apático para esta atividade de forma mais cotidiana. No ônibus, quando estou indo ao seminário para trabalhar ou estudar, não tenho me concentrado em começar uma conversa evangelística com quem senta do meu lado. Sempre tenho alguma coisa na cabeça que me toma todo o tempo e a capacidade de reação às oportunidades, ultimamente.
Hoje foi um dia como este. Estava na minha cadeira no ônibus, pensando em uma solução numa planilha que estou desenvolvendo e também nas minhas atividades do seminário que tenho que entregar. Daí senta uma jovem e junto a ela uma outra jovem estava de pé e um homem que parecia ser seu líder de célula ou dirigente da sua igreja que parece ser nova.
Eles estavam tratando de uma desavença entre duas das meninas que subiram no ônibus, e após uma delas relatar o seu argumento para estar chateada com a amiga, o homem diz para ela: "Vocês estão correndo o risco de perder a salvação. Vocês precisam parar de brigar. Mulher é assim mesmo."
Aquilo me chocou profundamente. Mas o que mais me chocou foi a minha morosidade em não me expressar, o que fatalmente teria terminado em um debate teológico que talvez não fosse produtivo naquele momento, mas confesso que fiquei preso na minha covardia e também na preocupação de afrontar aquele líder que demonstrava ter todo o carinho daquelas jovens que, pelo que conversavam, mostravam muito prazer em tê-lo à frente delas.
Mas como podemos colocar em risco nossa salvação? Seria realmente isso possível?
Alguns mais aficionados por uma teologia legalista e posturas condenatórias sem muita profundidade diriam logo que se pode perder a salvação. Eu também já disse isso, baseado em uma leitura superficial e que não respeitava o todo das Escrituras.
É fato que este tipo de argumento tem sido usado para escravizar muitos cristãos que não aprenderam a se achegar a Deus percebendo sua Graça e Misericórdia. Historicamente vemos religiões que dominam pelo medo e pelo terrorismo espiritual, visto que esta é a maior e mais densa necessidade humana: se reconciliar com Deus, e a linha tênue entre conduzir e dominar tem sido quebrada pela idolatria do ego.
O texto de Hebreus nos traz o direcionamento de Salvação em uma defesa teológica muito acessível quanto compreendemos o que a Bíblia fala de como eram os sacrifícios e de como funcionava a atividade sacerdotal dos da tribo de Levi. Mas aí o autor de Hebreus vem nos fazendo uma demonstração de que aquela forma de sacerdócio não foi suficiente para nós, humanidade, nos achegarmos de novo a Deus através de nossas ações (Hebreus 7. 18-19), e por isso este sacerdócio foi mudado. Agora não mais a tribo de Levi seria usada, mas UM da tribo de Judá, que nem Moisés tinha previsto.
Agora, este sacerdócio não mais era segundo a Lei que instituía homens falhos, os quais precisavam sacrificar por si antes de sacrificar pelo povo, mas agora o sacerdócio vinha por aquele que é sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque (Hebreus 7. 17).
O sacrifício feito por Jesus Cristo, o sacerdote perfeito e perpétuo, é oferecido para que, todos aqueles que se chegam a Deus por ele, sejam perfeitamente e perpetuamente salvos. Ora, este não é um decreto de homens falhos e passageiros, mas é o determinação de Deus que já em Salmos 110. 4, nos afirma o que é reafirmado em Hebreus.
Não somos salvos por nossas obras, e sim pela fé como nos traz Efésios 2. 8-9. Glória a Deus por isso!!! Somos passageiros e falhos e nossas obras não são eternas. Mas aquele que nos chamou à Salvação por meio do seu Sacrifício, não nos deixará nos perder jamais.
Mas há uma observação a se fazer. Quando não temos a Salvação por convicção de fé e selagem pelo Espírito Santo, é porque não confiamos de todo coração na Salvação e Senhorio de Cristo sobre nossas vidas, e temos outros recursos de fé seja espiritual, seja material... Números 23. 19: "deus não é home, para que minta; nem filho de homem, para que se arrependa; porventura, diria ele e não o faria? Ou falaria e não o confirmaria?"
Como disse doutor Russel Shedd (in memorian) ao responder quando questionado se era possível perder a salvação: "Depende de quem lhe salvou. Se foi Jesus Cristo, é impossível.".
Como disse doutor Russel Shedd (in memorian) ao responder quando questionado se era possível perder a salvação: "Depende de quem lhe salvou. Se foi Jesus Cristo, é impossível.".
Finalizo como comecei: "Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre" (grifo meu)
Aleluia!
A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos.
A graça do Senhor Jesus Cristo seja com todos.
Davyson Gustavo
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