segunda-feira, 7 de novembro de 2022

Governos de homens X Governos de Deus - Observando biblicamente traços que determinam direção ou não de Deus em um governo.


Governos de homens X Governos de Deus

Observando biblicamente traços que determinam direção ou não de Deus em um governo.

Introdução 

Provérbios 29.2:
"Quando os justos governam, o povo se alegra; quando os perversos estão no poder, o povo geme."

Muito embora, hoje em dia, muitos líderes cristãos arrogam para si o direito de dividir a vida eclesiástica da responsabilidade no campo político, as Escrituras jamais mudarão seus termos. Deus jamais mudará seus princípios, por Ele é Deus e mudar não é algo possível para Ele.

Começo este material com o texto de Provérbios 29.2. No livro de provérbios já temos uma introdução forte, objetiva e bem clara quanto o objetivo do livro: "Para aprender a sabedoria e o ensino; para entender as palavras de inteligência; para obter o ensino do bom proceder, a justiça, o juízo e a equidade; para dar aos simples prudência e aos jovens, conhecimento e bom siso." Provérbios 1.2-4

No capítulo 29, verso 2, o escritor de provérbios levanta uma questão sobre os governos, dividindo-os, em qualidade, por estar nas mãos de justos e perversos/ímpios. Muitas são as características que os governos recebem, segundo as Escrituras, alguns em sequência neste mesmo texto de provérbios, como: estabilidade da nação (Pv 29.4); preocupação com os pobres (Pv 29.7); alvoroço ou não nas cidades (Pv 29.8); multiplicação do mal sob a égide dos ímpios (Pv 29.16); entre outros...

Há sim, nas Escrituras Sagradas, orientações políticas e preocupação ativa de Deus quanto aos governos que são levantados entre as nações. Em especial nas nações onde há povo seu. Claro que devem ser guardados as respectivas observações de contexto e circunstâncias frente às formas de governo que cada nação tem. Em uma democracia, sobretudo, o povo, em especial, o povo de Deus, tem a obrigação de promover, orientar, se submeter e apoiar governantes que estejam de acordo com os princípios e valores das Escrituras Sagradas.


Leis de governos e seus propósitos

1Timóteo 1.8-11:
"Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela se utiliza de modo legítimo, tendo em vista que não se promulga lei para quem é justo, mas para transgressores e rebeldes, irreverentes e pecadores, ímpios e profanos, parricidas e matricidas, homicidas, impuros, sodomitas, raptores de homens, mentirosos, perjuros e para tudo quanto se opõe a são doutrina, segundo o evangelho da glória de Deus bendito, do qual fui encarregado."

Sabendo que, certamente, logo surgiriam teólogos liberais/progressistas e, na melhor das hipóteses morais, apenas "cristãos teologistas", dizendo algo do tipo: "Mas a 'lei' a que Paulo se refere é a Torah"; eu convido aos leitores a observar o contexto do texto em questão.

Do verso três ao verso sete, perceba que Paulo faz uma preocupação quanto aos resultados das orientações dadas por Timóteo, aos crentes de Éfeso, de forma a não gerar discussões desnecessárias que destoassem do serviço a Deus. Uma preocupação, também, quanto aqueles que se passavam por mestres da lei, mas ignoravam os fundamentos das Escrituras, estas ainda baseadas no AT, e, por desdobramento natural, promovessem ações públicas na sociedade, dizendo ser escriturísticas sem os ser.

Paulo indica a Timóteo da importância de que, sobretudo, era necessário entender as Escrituras, para que fosse possível oferecer à sociedade orientações para que leis fossem promulgadas ("κεῖται" - estabelecido como lei) corretamente, não para justos, mas para todos aqueles que intentassem contra o que é reto, bom e justo.

Ainda pensando em uma possível narrativa de apenas estar no âmbito espiritual, tais orientações, chegando ao ponto de subjetivar a importância de ações práticas, no ambiente político, em qualquer sociedade, pelos cristãos, lembro que em uma República Democrática, onde a forma de governo é por meio de escolha direta pelo povo, é ainda mais importante que, aqueles que detém esclarecimento e melhores valores morais, éticos e estruturais para a manutenção de uma sociedade, devem empregar ainda mais esforços para que, os eleitos pelo povo, estejam de acordo com tais valores. E digo isto não apenas por fatores religiosos, mas pela importância de entregar o poder de legislar, julgar e executar, a pessoas que tenham o máximo possível de tais valores. Isto pelo bem te TODOS.

É certo, e claro, que não nos podemos deixar conduzir por pessoas que invertem os valores, tal qual Isaías aponta em seu livro:

"Ai dos que ao mal chamam bem e ao bem, mal; que fazem da escuridade luz e da luz, escuridade; põe o amargo por doce e o doce, por amargo!
Ai dos que são sábios a seus próprios olhos e prudentes em seu próprio conceito!
Ai dos que são heróis para beber vinho e valentes para misturar bebida forte, os quais por suborno justificam o perverso e ao justo negam justiça!
" Isaías 5.20-23

É muito importante observar-se as ações, os atos de líderes, tanto políticos eleitos como em outras esferas, de modo a perceber se agem com boa ou má conduta. O homem quando pecou, e ao pecar constantemente, tomou para si a responsabilidade de saber o bem e o mal por si mesmo. Podemos discernir, sim. Podemos julgar, sim. Que nossas ações, intenções promovam e enalteçam pessoas de boa índole que nos governe para o bem de todos, segundo os valores de Deus.


Governos de homens

Muito embora, no meio cristão, líderes desencorajem o engajamento político da forma correta, mas não desencorajem o "apoaimento" diante de vantagens pessoais ou institucionais (particularmente, enquadro tal postura nos subornos citados por Isaías), podemos perceber, como já apresentado de algumas formas no texto acima, que as Escrituras segue no rumo diametralmente inverso ao de tais líderes.

Oséias 8.4:
"Eles estabeleceram reis, mas não da minha parte; constituíram príncipes, mas eu não o soube; da sua prata e do seu ouro fizeram ídolos para si, para serem destruídos."

Apesar de Oséias pouco antes escrever que o povo invoca a Deus como "Nosso Deus!"(v2), nos versos seguintes o profeta registra que a verdade era diferente do falado. No verso 3 fala da rejeição do bem por Israel, bem como avisa que o inimigo o perseguirá. Aí vem o verso 4, citado acima.

Tal qual o pecado original do homem, em negar a instrução de Deus e querer andar sozinho, independente do Seu Criador, Israel, no texto, preferiu escolher um caminho ousado de governos a parte da vontade de Deus, providenciando para eles consequências inglórias e de juízo por sua ousadia em apartar-se do seu Deus.

Dos versos cinco ao sete é rejeitado o sacrifício, a ira de Deus se acende contra eles e uma pergunta preocupante é levantada: "até quando serão eles incapazes da inocência?". Do que temos de consequências, quando abandonamos a Deus, nenhuma delas se torna tão grave quanto quando Deus resolve nos abandonar em nossas iniquidades. Mas louvemos a Deus quando Ele nos julga e nos corrige, por mais duro que venha a ser... mas o ideal é que sempre estejamos buscar Sua Soberana Vontade.

Consequências em Oséias:

Oséias 8.7:
"Porque semeiam ventos e segarão tormentas; não haverá seara; a erva não dará farinha; e, se a der, comê-la-ão os estrangeiros."

Utilizo-me, neste momento, do texto de Oséias, também, para trazer as consequências que podemos observar em lugares onde Deus é abolido da sociedade e, comumente se busca filosofias ideologistas que afrontam qualquer pensamento de Deus.

Não é difícil olharmos ao redor do mundo e ver que, em todos os países que são dominados por ideologismos ateístas, materialistas, com a deificação de figuras políticas que se colocam acima do transcendente, e visam a concentração do poder financeiro, produtivo e bélico nas mãos do Estado, subjugando a população a um estado de total dependência deste Estado, a população vivencia todos os males citados por Oséias e muito mais.

Os países convulsionam socialmente, visto que a divisão do povo em diversos seguimentos geram atritos constantes de classes sociais, cor, sexo, culturas religiosas, etc; campos, sejam agrícolas, sejam industriais, são tomados pelo Estado inviabilizando a produtividade visto que o Estado SEMPRE será ineficaz para controlar tais setores; logo, a produtividade cai e falta para o povo, ficando a necessidade de vender o pouco que se produz para fora para que haja algo que sustente a estrutura interna da nação, comprometendo a sustentabilidade de recursos para os nacionais. O princípio dos problemas apontados no texto continuam a serem observados em todo lugar quando a escolha do povo é apartar-se de Deus.

Quando o homem visa ser independente, Deus deixa de tornar-se propício, mesmo que suas misericórdias se renovem a cada manhã, tal qual diz Jeremias em Lamentações 3.22, mesmo este texto é evocado em um momento de dor e lamento pelo Juízo que o povo está sofrendo frente a sua impenitência diante de Deus. Mas o texto vem lembrar--nos que, apesar de estarem vivendo em um momento de angústia, Deus continua Soberano e que, ao amanhecer podemos ter novas esperanças enquanto Ele assim nos permite. Mas, lembrem-se: Há o contexto de impérios e reis que Jeremias vivia, e há o contexto de República Democrática onde nós somos responsáveis pela escolha daqueles que nos governam.

Governos de Deus

Os termos "governos de homens" e "governos de Deus", confesso, me foram trabalhosos a colocar nesta peça, visto que a próxima citação bíblica declara, objetivamente, que "não há autoridade que não proceda de Deus", somado a todo o contexto cultural que vivemos hoje, com tanta resistência eclesiástica sobre as questões políticas e, ainda mais, toda animosidade que o posicionamento político conservador causa, em nosso meio, foi pesaroso intitular este trabalho desta forma, bem como deixar dois tópicos com tais termos.

A intenção direta deste trabalho é marcar na mente que há consequências, sim, na sociedade e, sobretudo, na vida da Igreja quanto as escolhas que são feitas no vida política da sociedade. Vida esta que, acredito eu, ser a forma com a qual a humanidade, seja em qual credo viva, exerça a função de cuidar da Criação, conforme o Mandato Cultural (Gênesis 1.28; 2.15), dado por Deus, antes mesmo da instituição da Igreja, sendo esta ordenança uma ordenança ao ser humano em geral. Dito isto, ainda mais assevero a minha posição de que a Igreja tem a obrigação, primeiramente, diante de Deus, de intervir e influenciar na manutenção de governos que haja a preocupação e o temor a Deus, essencialmente.

O texto abaixo, de Romanos, tem sido usado por muita gente para a imposição de uma posição de isenção, e de uma submissão reverente a desmandos de governos, mesmo que estes já sejam conhecidamente corruptos, historicamente genocida, abertamente contra questões fundamentais cristãs, como: direito à vida, família, religião, liberdade (não libertinagem) em diversos aspectos, etc.

Romanos 13.1-3:
"Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instruídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,

O texto trata de forma clara a posição do cristão, frente a governantes. Mas, geralmente, a leitura do texto se torna tendenciosa quando se ignora fatos importante, no próprio texto, que desfaz qualquer sofisma de aspecto progressista/socialista/comunista, propagado, abertamente ou disfarçadamente, por pessoas que se dizem ser do Caminho, mas que, na verdade, encontram-se comprometidos nestas questões fundamentais, apresentando incoerências nas suas fundamentações argumentativas quanto a forma de observar os pontos que, comumente, se ver reconhecido em Constituições Federais e que nascem, claro, das Escrituras Sagradas por serem valores que são do próprio Deus, este sim, autor, sustentador e consumador da vida.

Já em seu primeiro versículo, é claro ver que Paulo indica aos romanos a atenção de que os reis só são reis por permissão de Deus. Ele é quem levanta e derruba impérios, sendo a oposição às autoridades, uma clara resistência à ordenação do próprio Deus, trazendo sobre si, ao resistir a tais autoridades, condenação sobre si mesmos.

É preciso que até aqui, consigamos entender algo importante. 

Governos são determinados por quem governa, suas regras, limites e poderes concedidos. Todo governo tem uma organização específica que deve viabilizar seus projetos na nação ou localidade onde está posto. Pois bem, no caso do Brasil estamos civilmente submetidos ao que a nossa Carta Magna prevê.

Atualmente, estamos sob as regras previstas na Constituição Federal de 1988, sendo esta a 7ª Constituição formulada, as outras, foram promulgadas, em ordem:
1ª - Constituição de 1824 (Brasil Império); 
2ª - Constituição de 1891 (Brasil República);
3ª - Constituição de 1934 (Segunda República);
4ª - Constituição de 1937 (Estado Novo);
5ª - Constituição de 1946;
6ª - Constituição de 1967 (Regime Militar);
7ª - Constituição de 1988 (Constituição Cidadão).
Vejam em detalhes cada uma na fonte abaixo.
(fonte: https://www12.senado.leg.br/noticias/glossario-legislativo/constituicoes-brasileiras - acessado em 07/11/2022)

No nosso caso (me prenderei a ele, apenas), cada Poder da República (Executivo, Legislativo e Judiciário) tem o compromisso de proteger e zelar pelos princípios e regras previstos na nossa Constituição Federal, sendo descabido qualquer afronta aos termos ali observados, sendo passíveis de crimes quando isto ocorrer.

Visto que uma nação, hoje, segue regras previstas em lei, precisamos ler com mais cuidado o texto escrito por Paulo que está no Texto Sagrado. Não que ele tenha perdido valor, mas para que não tenhamos o entendimento errado, dentro de nosso contexto atual.

Se vivêssemos em um Império, onde a palavras do rei era a lei (REX LEX), estaríamos sujeitos a vontade de um rei bondoso ou de um rei déspota, dependendo do monarca que fosse levantado na hierarquia hereditária. Mas hoje vivemos em um tempo e momento da história em que temos a Lei como sendo nossa diretiva (LEX REX), sendo, desta forma, a nossa orientação, não de acordo com a vontade dos governantes, mas sujeitas ao que está na lei e os governantes devem segui-la fielmente. Assim meus amados, e se alguém se empenhar em observar o texto de nossa Constituição Federal de 1988, vai perceber que, mesmo não sendo um texto Bíblico, mas percebemos que o próprio Deus conduziu em diversos sentidos a blindagem de questões fundamentais que garantiriam a soberania, sustentabilidade, defesa e satisfação dos nacionais. Por isso, é importante saber a quem estamos sujeitos civilmente. Não o estamos a senhores temporários, mas ao texto observado na Carta Magna, desde que esta não fira os princípios de Deus, sendo este, a nossa realidade última de submissão e doação de vida.

Seguindo o trecho do texto acima citado, seguimos na última parte deste trecho lendo: "Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela." Romanos 13.3

Aí começamos a virar a chave para entender a orientação de Paulo. Apesar de ele orientar a submissão (compreensível para aquele contexto de império), ele orienta qual a função da autoridade levantada por Deus. Ela não deve servir ao mal, nem tão pouco perseguir aqueles que fazem o bem. Deus levanta governantes, vocaciona pessoas para esta função, com o intuito de que eles gerem uma vida tranquila e pacífica para o povo. Quando é levantado um governante que não preza por estas condições aos seus nacionais, fica claro que, democraticamente, o povo escolheu por algo que está fora dos padrões de Deus. Talvez pela corrupção massiva do povo, somados ao claro afastamento de buscar conhecer a Deus em seus princípios e valores, o que gera na sociedade um resultado de ações que não alegram nem condizem com o que Deus deseja para Seu povo... mas uma vez, o povo escolhe ser independente daquilo que Deus deseja, e paga o preço de escolher por homens avessos ao Senhor e Criador.

    Consequência em Romanos:

Diante de um governo de Deus, ou seja, conforme as diretivas de Deus, o povo se alegrará e verá, comumente, o mal sendo condenado e o bem sendo reconhecido. A sociedade caminhará para a prosperidade, não só financeira, econômica, mas também para uma prosperidade moral, ética e sobretudo espiritual. A todos os que fazem o bem, não restará porquês de temer as autoridades, visto que elas servirão para apoiar todos os que fazem o bem, passamos assim para as consequências que vemos em Romanos.

Romanos 13.4
"visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.

Não é preciso muita dissertação para se apresentar os resultados frente a um governo que teme a Deus e que busca servir aos fundamentos do Senhor da Vida.

Como cidadania civil, contemplamos a atuação justa e severa, para com o mal, daqueles que são levantados como governantes. Seja em qual for o contexto. Seria possível apresentar o rei Dario que, mesmo quando enganado pelos opositores de Daniel, cumpriu a justiça segundo os decretos de rei (colocando Daniel na Cova dos Leões por não poder voltar atrás em sua palavra), mas logo depois puniu os facínoras que manipularam a situação; o rei Assuero, no livro de Ester, que ao permitir liberdade a Hamã, que conspirou injustamente contra o povo hebreu, depois promulgou uma lei que permitia a justa defesa do povo quando fosse atacado pelos persas; entre outros.

É verdade que em momentos de impérios há ações impositivas dos reis, mas também é possível observar na história a diferença de reis justos e de reis injustos e, considerando que Deus é antes de todas as coisas, e tudo que é bom tem origem em Deus não no pecado, logo precisamos considerar que os princípios eternos de Deus serão sempre aplicáveis, independente da crença ou não dos governantes, mas sendo necessário, apenas, que estes estejam moral e eticamente dispostos a cumprir as boas práticas de governo, zelando pelo que é reto, bom, justo e de acordo com a função natural dos seres criados.


A oração que incluem autoridades, mas tem propósito

1Timóteo 2.1-4:
"Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos os homens, em favor dos reis e de todos o que se acham investidos de autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador, o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade."

Há um ponto muito importante sobre como o cristão lida com os governantes. 

A oração é um recurso que todos buscam. Os bons, com a intenção de serem revestidos espiritualmente com as bênçãos de Deus, e creem que assim, poderão exercer um bom trabalho nas suas atribuições. Mas as "orações" também são procuradas por maus políticos que, ao invés de estar buscando bênçãos, buscam apenas promoção política no meio cristão.

O desafio neste ponto, é trazer uma reflexão sobre a função real desta atividade, também prevista nas Escrituras, e que temos sim que cumprir. Mas como cumprimos esta tão importante disciplina diante de governantes corruptos? 

Não é difícil observar "interseções" por parte de alguns líderes, mesmo de alguns "crentes", diante de governantes corruptos, de forma complacente, condescendente com aquele que é corrupto. Mesmo na muita vontade de servir e fornecer uma "oração agradável" ao indivíduo, ou aos indivíduos, ali presente(s), os "intercessores" esquecem a quem estão (ou deveriam estar) dirigindo a oração.

Sobre esta tal complacência, diante de indivíduos que distorcem o certo como errado, deixo uma fala atribuída ao filósofo André Comte-Sponville, que diz:
"Tolerar o sofrimento dos outros, tolerar a injustiça de que não somos vítimas, tolerar o horror que nos poupa não é mais tolerância: é egoísmo, é indiferença, ou pior. Tolerar Hitler era ser seu cúmplice, pelo menos por omissão, por abandono, e essa tolerância era já colaboração." André Comte-Sponville (fonte: https://port.pravda.ru/news/mundo/12269-tolerar/ - acessado em 07/11/2022-21:03h)

Um texto duro, mas a é complacência à Hitler e a todos os déspotas que abusam do poder a eles investido,  que vem de líderes, muitas vezes religiosos, que dão o aval e a falsa legitimidade a atos absurdos que chegam aos limites absurdos de ações como grupos nazistas e também de comunistas. E esta complacência sempre se dava por covardia ou por coração corrompido pelo suborno de autopromoção, seja social, seja institucional ou mesmo pessoal.

Certamente que:
Elias não se importava com a opinião da rainha Jezabel, ou de seu marido, o rei Acabe, ao confrontar duramente o ídolo deles, bem como aos seus profetas (1Reis 18);
Hananias, Misael e Azarias não estava preocupado com a opinião de Nabucodonosor, nem da fornalha, ao negarem-se dobrar os joelhos diante da estátua do rei (Daniel 3); 
Micaías não se preocuva com a opinião de Acabe (rei de Israel), nem de Josafá (rei de Judá), no momento em que entrega a profecia que vinha de Deus (2Crônicas 18);
Ezequiel aceitou não chorar pela perda de sua amada esposa como ato profético, para que o povo entendesse a vontade de Deus (Ezequiel 24)
Jeremias não estava preocupado com a amizade do povo, nem com a simpatia dos reis, ao profetizar a vontade de Deus em seus dias;
Oséias não se importou com a opinião do povo ao aceitar a ordem de Deus de aceitar o casamento com uma prostituta, como ato profético para ensinar ao povo (Oseias 1.2)...
O próprio Jesus, nosso Senhor, não estava preocupado em ter muitos ou poucos seguidores, mas sim de fazer a vontade de Deus e ensinar aquilo que realmente era a vontade do Pai. (João 6.67)

Pois bem, acima há alguns exemplos de compromisso unicamente com Deus. O homem, multidões, amizades, audiência, instituições ou mesmo amores não são postos, em momento algum, com mais importância do que a vontade de Deus e Seus desígnios.

Hoje vemos a complacência condescendente (talvez uma redundância, mas quero enfatizar mesmo) de muitos em fazer uma oração que ganhe a amizade do corrupto ou corruptor, a parte da orientação de Deus, bem parecido, em diferente proporção, claro, com o que fez o profeta Natã, em 2Samuel 7.3, ao dizer ao rei Davi que ele poderia fazer tudo quanto estava no seu coração (com relação a construção de um templo), afirmando que o SENHOR era com o rei, naquela obra. Mas logo em seguida, conforme o texto contínuo, em 2Samuel 7.4-17, o SENHOR orienta a Natã voltar e desfazer a palavra de encorajamento ao rei Davi, o que ele fez de pronto. Mas, infelizmente, hoje os servos do Senhor tem entregue mensagens e orações condescendentes sem nenhum tipo de posterior arrependimento. Sendo ainda pior aquelas orações feitas sobre a cabeça de conhecidos criminosos.


Segundo o texto de Timóteo, se seguirmos a orientação de Paulo à Timóteo, com relação a oração que, também, deve ser pelas pessoas investidas de autoridade, a oração não deve causar simplesmente sorrisos e tapinhas nas costas, mas deveria causar medo, temor, arrependimento, desejo de buscar a Deus, sabendo que as atribuições recebidas como governante, legislador ou magistrado, são diretamente observadas pelo próprio Deus e, nosso desejo é que Ele abençoe os bons, mas que, em caso de injustos e desonestos, oramos a Deus por juízo sobre eles, para que o povo não pereça. Como pode ser isso?

A orientação de Paulo visa apresentar os quês e os porquês de se orar por eles, também.

1- para que vivamos uma vida tranquila e mansa, com toda piedade e respeito; (1Timóteo 2.2b)
   Assim sendo, tais governantes devem prezar pela boa conduta das pessoas, sendo duro com os ímpios, tal qual prevê o texto de Romanos 13.4, onde é posto que a autoridade não traz a espada de graça e deve usar para punição dos maus. Para promover esta vida tranquila, os tais devem se comprometer com a honestidade e o afastamento de todos que são maus e visam a depravação social como um padrão para a sociedade.

2- o qual deseja que todos os homens sejam salvos, e cheguem ao pleno conhecimento da verdade. (1Timóteo2.4)
    Se tem algo que "poderosos" temem é que, aqueles que eles exercem poder, tenham a capacidade de discernir sobre os fatos que acontecem. É importante que esta disciplina nasça e seja exercitada desde as nossas comunidades cristãs, dando TOTAL clareza nas nossas instituições, possibilitando o máximo de participação do povo, buscando sempre um alinhamento e consenso no nosso meio para o bem comum e a promoção da verdade e do Reino. Transferir a importância disto para aqueles que governam assusta pois é difícil harmonizar poder (que é o que a maioria busca) e coalizão com um todo instruído e entendido em tudo.

O fato é que tais detalhes "é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador"(1Timóteo2.3), de modo que nossas orações, especialmente na presença daqueles que exercem, ou exercerão, autoridade sobre o povo, devem ser de acordo com a vontade do Pai e não de acordo com as conveniências sociais.

Conclusão

Diante de tudo isto, espero ficar claro a importância e necessidade de o povo de Deus se envolver no ambiente político, nas mais diversas formas de atuação e disciplinas do povo de Deus, aplicando os mais diferentes dons que Deus permite, abençoa e santifica no meio do Seu povo, a fim de que toda a sociedade possa ter a paz e a tranquilidade necessária para uma vida tranquila.

Muito embora foram criadas diversas narrativas na sociedade, que buscam o afastamento dos crentes neste ambiente, espero ter, ao menos, fomentado uma visão ortodoxa neste sentido, para que iniciemos um processo de ortopraxia política de cada um daqueles que o Senhor chamou à Salvação.

Que Deus, em Sua infinita misericórdia, reconduza Sua Igreja, no Brasil e no mundo, a tomar as rédeas da história enquanto Ele ainda permite vida e livramento. Mas que não sejamos encontrados anestesiados pelas ilusões do mundo, nem mergulhados em orgulho e egoísmos.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

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