quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Responsabilidades como políticos, que somos

imagem: https://www.churchofjesuschrist.org/media/image/old-testament-stories-queen-esther-5-64d74b7?lang=por


"Então, disse Mardoqueu que tornassem a dizer a Ester: Não imagines, em teu ânimo, que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?"
Ester 4:13‭-‬14

Todos nós somos políticos. Todos nós participamos de decisões e de encaminhamentos para o bem comum (ou para o mal comum, dependendo de nossos valores).

O livro de Ester, e um livro "polêmico", no sentido de que alguns estudiosos não concordavam em estar no cânon bíblico, devido ao fato de não haver uma citação direta de Deus, ou de Seu nome.

Mas este livro tem um forte teor histórico que, até hoje, se testifica o relato com a celebração da Festa de Purim para os judeus. Esta festa marca o livramento do povo judeu que foi ameaçado por Hamã, um oficial do rei Assuero (Xerxes), rei da Pérsia, que, por ódio a Mardoqueu, tio da rainha Ester (ou Hadassa, como preferir), por ele não se inclinar a Hamã, por ser judeu, convenceu o rei a editar uma lei que gratificasse em prata a todo persa que matasse os judeus nas suas cidades, em uma data específica.

No texto em destaque, após Ester ser informada do edito do rei, e esta mostrar temor de entrar na presença do rei sem ser chamado por ele (Com razão. Fazê-lo poderia incorrer em pena de morte), Mardoqueu argumenta que ela também seria alcançada pelo edito, visto que a palavra do rei não poderia ser desfeita.

No verso 14, vemos a fé de Mardoqueu na provisão que viria de algum lugar para o povo judeu, mas que a omissão de Ester custaria a vida de sua família. Mas há um ponto ainda mais interessante. A pergunta mas importante deste livro: 

"Quem sabe para se tal tempo como este chegasse a este reino?".

A Bíblia é cheia de estadistas, intervenções políticas e guerras. A história da Igreja Cristã é cercada de perseguições e mortes dos crentes, principalmente, por mão de governos ímpios. 

Vemos a Reforma Protestante gerando Repúblicas e direitos por meio de uma leitura piedosa e aplicada a mordomia do bem comum, como deve ser. Cristãos piedosos que se aplicaram em ciências políticas e deixaram legados republicanos e de direitos humanos diferenciados, todos com base bíblica.

Não é de estranhar ver tantos líderes cristãos, apenas neste século, tão omissos quanto à sua responsabilidade de instruir o povo de Deus neste sentido?

Estamos passando por um momento de uma extrema omissão por parte de lideranças cristãs.

Perdemos o campo acadêmico, onde a teologia deixou de construir conceitos, valores, axiomas reais, deixando de ser relevante em julgar teorias, permitindo assim o desenvolvimento e fixação no imaginário popular de sofismas (intenção de enganos) e paralogismos perniciosos (por falta de referências da verdade, enganos involuntários). O preço de nos omitir como Igreja, apresentando a Verdade de Deus como única Verdade e Verdade Absoluta, está condenando toda a sociedade por gerações.

O que Ester vivenciou, foi a tebtativa de isolar-se em um "lugar seguro", por medo de perdas pessoais. O temor de colocar sua vida em risco colocaria em total disposição todo o povo judeu a uma caçada covarde, por apenas egocentrismo e ódio de um único homem, e pelo poder e força civil concentrado apenas na mão (selo real) de um rei humano.

Ouvir a voz de Mardoqueu, ainda que vendo como uma chamada direta contra a covardia de Ester, a permitiu ser usada com ousadia e intrepidez para o livramento do povo judeu e, hoje sabemos que, consequentemente, para continuidade da História da Salvação de Deus para todo aquele que crê em Jesus, o Cristo de Deus.

Deus está no controle de tudo! Ainda que a aparente rebeldia de Mardoqueu, de não se dobrar para Hamã (Et 3.1-4), tenha gerado o ódio de Hamã contra todo o povo judeu (Et 3.5,6) e exposto a covardia e egoísmo inicial de Ester (Et 4.10,11), Deus continua reinando eternamente. Nossas fraquezas não determinam o sucesso ou não dos planos de Deus. Todos os planos de Deus se cumprirá, assim como Mardoqueu declara no verso 14 em destaque.

Ainda hoje, óbviamente, Deus continua entronizado e não sairá de Sua posição de Rei Eterno. 

Temos hoje líderes, mas eles não são sacerdotes determinates. A palavra final de nossas regras de fé e práticas são as Escrituras Sagradas. Ainda que líderes se acovardem, tal qual Ester, no pimeiro momento, eles precisam ser confrontados com a nossa responsabilidade como servos do Deius Altíssimos, mordomos da Criação.

Precisamos nos voltar para o Senhor, nos colocar em panos de sacos, visto que negligenciamos, não diante de um império, onde a vontade soberana é do rei, mas negligenciamos diante de uma República, onde o que impera é a vontade do povo. Deixamos de ser norteadores pela Verdade, como "Igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade" (1Tm 3.15b, deixando a indicação dos versos 14-16 para reflexão), isso nos trará um grande peso de culpa, mas que o Juízo de Deus nos leve ao arrependimento.

Nossa vocação é governar, não por sermos melhores, mas pelo fato de que, convertidos e debaixo do senhorio de Cristo, escolhemos abrir mão de nossas paixões mundanas e viver a vontade de Deus.

Que o Senhor nos ajude a cumprir nosso papel, até que Ele venha.
Louvado seja Deus.


Nenhum comentário:

Postar um comentário