quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Mesmo escondendo-se, Deus encontrará!

 



"E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim."

Gênesis 3.8

No meu início de caminhada cristã, já liberto das perspectivas católico romanas, bem como das perspectivas socialistas/comunistas (que acabam por ser um meio de percepção de fé e religiosidade por obras, ainda que pervertida), tive diversas pessoas que contribuíram no meu crescimento espiritual e me deram possibilidades de observar formas práticas e viver o cristianismo bíblico no dia-a-dia (e como isso soa absurdamente redundante e óbvio, eu sei). Dentre estas pessoas importantes destaco nossa irmã em Cristo, e a quem chamamos como "mãe na fé", que, ao nos "soltar" de uma caminhada discipular mais intensa, a mim e a minha esposa, nos ofereceu uma ilustração de florestas para soltar os anãzinhos (nós dois), agora, para caminharmos sozinhos e, volta e meia nos encontraríamos entre nossas "florestas da vida".

Pode não fazer muito sentido com relação ao texto posto de início, mas explico. Imaginamos florestas diferentes, pela condução como ela nos levou. Minha esposa viu uma floresta mais densa, eu vi uma floresta mais leve, tipo um bosque. Ficou muito próprio sobre em que momentos estávamos na nossa caminhada naquele momento. Eu estava já bastante esclarecido na caminhada, mas com muitos desafios (como ainda o é, e não creio que deixará de ser pela complexidade da vida), e minha esposa ainda bem fechada em um momento de muitas barreiras para ver mais a frente e decisões pessoais a tomar. As árvores significavam a densidade e tamanho dos desafios da nossa caminhada cristã, mas nossa querida discipuladora foi usada por Deus para nos permitir perceber em que ponto estávamos para esta caminhada mais solo, daquele momento em diante.

Pois bem! E o que isso tem a ver com Adão e Eva no texto?

Creio que alguns mais perspicazes tenham feito algumas associações. Aconselho, de preferência, que tais associações sejam mediante um momento de reflexão pessoal e de percepção da própria caminhada. Assim é como será mais útil, certamente. Adão e Eva tinham acabado de realizar a única coisa que lhes era proibida no Jardim, e comido a fruta da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal. Não pelo fruto em si, ou pela sua já sempre vista aparência, mas pelo fustigar da Serpente, e de seus próprios anseios de desejarem "ser como Deus", e de se tornarem independentes em suas percepções, por óbvia constatação dos desdobramentos.

Estes desejos de "independência de Deus" continuam a nos tentar, e tão evidente são que, não raramente, vemos muitas pregações que falam da importância da dependência total de Deus, e não de confiarmos em nossas próprias forças. Como bem vemos, em Jeremias 17.5: "Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!"; por vezes este texto é usado para a fragmentação da vivência de grupo, levando a considerar apenas a desconfiança em outras pessoas, mas a leitura correta é a maldição em o homem confiar na própria humanidade, apartando-se diretamente da dependência das orientações de Deus. Este é o erro principiológico do Éden, nas pessoas de Adão e Eva. Erro este que, sorrateiramente repetimos continuamente quando escolhemos achar que nossas escolhas, segundo nossos achismos, são a melhor solução para as situações, considerando até, ainda que não declarados, que podemos corrigir os "erros de permissão de Deus"... a humanidade miserável, pobre, cega e nua...

As tentações se seguem na humanidade por toda a sua existência, e Deus as observa. E, na mesma certeza que tinha Adão e Eva que o SENHOR Deus caminhava no Jardim na viração do dia, podemos constatar na história que sempre Deus se revelou na história causando o terror nesta humanidade caída, e, agora, muitos estando consciente de sua miserabilidade e incapacidade de fundamentalmente agradar a Deus. Por muitas vezes, e de diferentes formas, Deus atuou na história humana de forma a reconduzir esta humanidade a recentralizar a sua caminhada conforme a ordem original, e não da forma revolucionária que o pecado humano oferece. E aqui já deixo claro que é a única centralização de poder e força que podemos considerar e desejar: Centralizar as ações humanas na vontade de Deus. Qualquer outra centralização, sob perspectivas estritamente humanas, sempre serão prejudiciais e perigosas.

Mas quais as árvores e arbustos que o homem hoje utiliza para esconder-se? Quais as formas que a humanidade desenvolveu para iludir-se que conseguem ocultar-se do SENHOR Deus, ou mesmo ocultar os seus pecados de independência do Criador?

A resposta é: Instituições e cargos!

Não! Não creio que não devamos congregar e termos lideranças. Esta não é uma ideia biblicamente sustentável, apenas se alimenta dentro do mesmo sistema de "árvores e arbustos" que os que se denominam "desigrejados" tanto apontam. E, esclareço, mesmo hoje sendo um crítico das estruturas existentes, não defendo o fim de estruturas, mas a conversão destas para a centralidade das Escrituras e de Cristo, distanciando-se das paixões e devaneios arrogantes e egoístas dos que tomaram por assalto púlpitos e lugares de autoridade dizendo-se cristãos. Dito isto, sigo.

As instituições e cargos como vemos hoje (e aqui estou me referindo apenas aos sistemas eclesiásticos que se dizem cristãos), na sua grande maioria, não seguem a dependência em Deus, e muito menos buscam observar os preceitos das Escrituras para a condução da administração eclesiástica. Há a intenção, mas não há o pleno compromisso, ficando os direcionamentos e decisões muito mais cadenciados pela estrutura social e de oportunidades, do que da santa e majestosa vontade de Deus. Certa vez ouvi em um vídeo do Josemar Bessa a seguinte frase: "Quando a verdade perde a dureza que santifica, perde também o poder que liberta.".

Estas são as formas atuais de "esconder-se" do SENHOR Deus. Os líderes e os associados das instituições religiosas até escutam e sabem da presença de Deus pela possibilidade de O conhecerem em suas leituras e orações, sabem que suas ordens são claras e que nossas decisões nEle implicam abrir mão de nossos desejos e anseios, nos submetendo totalmente a Ele, por vezes a custo e nossas comodidades, mas, utilizam-se da suposta "autoridade eclesiológica" e das lideranças postas para ouvirem que "o amor de Deus supera todos os seus pecados"... nisto estamos nos enganando, não de forma inocente, mas de forma negligente. Temos as cartas às Igrejas no livro de Apocalipse que nos mostra uma realidade de que, nossas omissões serão cobradas por Deus no Grande Dia, e nada sairá impune. Não porque o Sangue de Jesus, derramado na Cruz do Calvário não seja suficiente, mas porque, invariavelmente, ao sermos lavados neste sangue, isto nos dá responsabilidades que não podemos negligenciar. Mesmo vivendo milagres e sobrenaturais, há a necessidade de conhecermos Ele e sermos conhecidos por Ele (Cf. Mateus 7.22-23).

Preciso explicar que aqui não trato de salvação por obras, mas sim que sendo salvos, invariavelmente, teremos obras que glorificam a Deus a apresentar. Isto se verá nos frutos que produziremos, pois, mesmo sendo maus galhos, ao sermos enxertados na Videira Verdadeira, não deixaremos de produzir bons frutos. E a história da Igreja do Senhor nos mostra que os frutos não estão restritos ao ativismo eclesiástico, mas a nossa capacidade de transformação e domínio da sociedade dentro dos preceitos de Deus. Acomodarmo-nos nos modelos pervertidos humanos, com a narrativa de amor e compreensão, é apenas mais uma "árvore e arbusto" de nossas dificuldades na caminhada no Caminho.

Adão e Eva se esconderam. A sociedade ocidental continua escolhendo deixar densas as florestas eclesiásticas para que seja fácil se esconder, mas esquecem-se de que Deus é, dentre outros atributos, Onisciente e Onipresente. Apesar de serem, talvez, dois os mais conhecidos atributos de Deus, mas são os que os tais "arbustos e árvores" ajudam a desmerecer no subconsciente dos que buscam a cristandade em seu caminhar, mas se faz necessário lembrar que, ao mesmo tempo que há um apontamento de maldição daqueles que buscam se apoiar em sua humanidade, Jeremias profetiza a bênção sobre aqueles que inteiramente confiam em Deus.

"Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o SenhorPorque ele é como a árvore plantada junto às águas, que estende as suas raízes para o ribeiro e não receia quando vem o calor, mas a sua folha fica verde; e, no ano de sequidão, não se perturba, nem deixa de dar fruto."

Jeremias 17.7-8 

A ilustração que nossa "mãe na fé" utilizou na nossa despedida discipular fez ainda mais sentido depois deste momento. Mostra que o discipulado não é uma atividade pontual na vida, mas gera na vida uma vida de aprendizado. Depois de 13 anos de um momento de conversa, percebo que a visualização de nossa condição na caminhada cristã, naquele momento, ainda gera frutos e reflexões.

Que o Senhor, Deus todo poderoso, guarde a cada um de se desviar de Seus propósitos, e que nos fortaleça na caminhada cristã, nos permitindo testemunhar com ousadia e intrepidez a única Verdade que liberta e salva: Jesus Cristo.

Deus abençoe a todos, em nome de Jesus.

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