terça-feira, 14 de janeiro de 2025

É luz o que teu olho vê e teu coração resplandece?

 


"Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.
A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz. Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas!"
Mateus 6. 21,22

Perspectivas!

Um certo autor, comunista, já disse que "todo ponto de vista, é a vista de um ponto". Certamente que o Leonardo Boff não construiu esta frase partindo da ideia de esclarecer ou de edificar, mas com apenas o propósito de desconstruir aquilo que já funcionava para o bem, para o belo e para o bom. Confesso, também, que não me gastei em nenhuma obra do tal autor, pois prefiro, no pouco tempo de vida que tenho, somado a minha dificuldade de concentração e aprendizado, dedicar mais atenção aos bons escritores, de bons princípios e valores que me ajudam a construir melhor as ideias, e ideias melhores.

Até isto já é a vista de um ponto. Mas a pergunta que devemos fazer é sempre: Meu ponto de vista vale a pena ser seguido?

Hoje, literalmente, acordei com este versículo na mente. Durante a noite acordava e dormia e este texto e o princípio nele contido me incomodavam a refletir mais e mais. Lembrei das vezes que ouvi este texto sendo mau aplicado, em contextos inapropriados ou em extremo limitantes.

A perspectiva em que os olhos são postos no Evangelho Segundo Mateus, em seu capítulo 6, nos conduz a um embate da cobiça contra a confiança na provisão e misericórdia de Deus. Considerando que o texto está dentro do famoso Sermão do Monte, onde o Senhor Jesus nos deixa diversos ensinamentos, este texto específico vem entrelaçado em um momento que o Senhor está ensinando os discípulos, com uma multidão ouvindo, sobre doação (Mt 6.1-4), oração (Mt 6.5-13), perdão (Mt 6.14-15), postura no jejum (Mt 6.16-18), riquezas (Mt 6.19-21), senhorio de Deus X senhorio das riquezas (Mt 6.24) e sobre descansar na providência de Deus (Mt 6.25-34).

Perceba que há uma atenção às questões de risco de cobiça e as posturas de vida em questões de piedade como oração, jejum e esmolas. Os olhos estão dentro de um contexto de discernimento e ação que o cristão precisa ter.

Os olhos como candeia para o corpo, oferece ao coração as perspectivas corretas, ou não, de como se deve proceder no convívio diário com as outras pessoas. Todas as outras ações de nossas vidas precisam ser observadas, entendidas e precisam de uma resposta de nosso ser diante dos fatos oferecidos. Os olhos, não como órgão, mas como meio de sentido de visão, percepção, são as nossas janelas para o mundo. Mas como o mundo é lido por nós? Qual as lentes que usamos para traduzir e entender o que nos rodeia?

Fazer dos olhos, ou melhor, da nossa visão um recurso bom ou mau depende de como alimentamos nossas lentes. Depende dos princípios que escolhemos fundamentar nossa percepção, e como vamos discernir diante do que nos é posto.

O cristão deve ter o compromisso diário de alimentar seu espírito nas Escrituras Sagradas, refletindo nos atos registrados buscando extrair os princípios para sua vida pessoal. Não há nas Escrituras as respostas específicas para cada ato ou escolha que faremos, mas os princípios que delas extraímos, bem como o que o Espírito Santo nos instrumentaliza, nos conduz a estarmos firmados na Rocha que é Cristo Jesus.

Esta firmeza deve nos compelir não, simplesmente, a julgar outras pessoas, mas, sobretudo, a nós mesmos  com vistas a estarmos sempre prostrados diante de Deus, buscando Sua orientação e o desenvolvimento dos aspectos do Fruto do Espírito Santo que vemos em Gálatas 5.22: "Mas  o fruto do espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança". A principal pessoa que Deus quer transformar é o nosso eu. Mas também esta firmeza deve nos dá a certeza de que, quando necessário confrontar outros, estamos fazendo baseados não em nossos achismos, mas nos preceitos de Deus.

Nisto perceberemos se os nossos olhos estão maus ou bons. Não é sobre soberba, mas sobre submissão. É sobre ter a ousadia suficiente de sermos fiéis a Deus, mesmo com os custos que temos que pagar.

Nas nossas relações pessoais, no trabalho, na escola, na universidade, em uma fila de pagamentos, no ônibus a ceder o lugar para quem mais precisa, na defesa de mais fracos, em todos os aspectos, devemos zelar para que o cuidado não está simplesmente em termos lucros ou vantagens pessoais, mas em honrar a Deus, sobretudo e servir o próximo com inteireza de coração.

Estas ações, com a correta intenção, só será possível quando os olhos estiverem limpos e objetivando valores maiores que o nosso preço de trabalho, valorização do nosso próprio ego e/ou vantagens individualistas que nos corrompem os valores.

Todo ser humano é capaz de discernir certo do errado. Mas aos cristãos é posto a responsabilidade de conhecimento dos valores mais excelentes, para viver sob princípios transcendentes para que, mesmo aqueles que ainda não conhecem a Deus possam glorificar ao Senhor pela vivência daqueles que Ele condicionou a ser candeia entre trevas, como vemos em Lucas 11.33-36. A candeia deve iluminar com todo seu esplendor. Seja pois vista a tua luz que vem de Deus.

É imperativo que o cristão compreenda o que está ao seu redor a luz das Escrituras Sagradas, que revelam a vontade de Deus, caso contrário, ele cairá na cilada posta por Leonardo Boff que condiciona a relativização toda conceituação ou julgamento de situações, inclusive as que são assunto fechado segundo o ponto de vista de Deus.

Que nossos olhos sejam purificados pela Palavra de Deus, que nosso coração seja conduzido em sabedoria e Graça pelo Espírito Santo e nos ajude a glorificar ao Senhor, Deus todo poderoso, diante dos homens, em tempos em que a mentira, a relativização e as perversões são exaltadas.

Deus te abençoe em nome de Jesus.
Davyson Gustavo de Moura Silva.

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