Por vezes contemplamos levantes em sociedades de ideias novas, "perspectivas modernas", progresso nas compreensões de fatos e dados. Estas novas interpretações da vida, comumente, gera desejos de revoluções na sociedade. O grande problema é quando a sociedade se deixa levar por novas compreensões, aí entramos nestas "tempestades ímpias" que destroem a convivência da sociedade, prejudicando a percepção da ciência política saudável.
Ser cristão no século XXI é uma tarefa mais difícil do que nos períodos mais sombrios da história da humanidade, onde a carnificina era um idioma comum de perseguição contra a fé cristã.
Pode parecer absurdo esta afirmação, mas digo isto pelo fato de que, em tempos anteriores, havia valores e princípios comuns na sociedade, havia uma busca pelo belo, pelo duravél, pelo que era bom, pelo que era justo. Isto se dava devido a uma forte inclinação aos valores cristãos na sociedade, ainda que com desvios da ortodoxia bíblica, pelo fato de haver mais catolicismo romano do que cristianismo bíblico, mas o contexto geral era de temor a Deus e aos seus preceitos e valores.
Hoje, verificamos uma total perda de perspectiva dos bons valores, do percepção do que é belo, da contemplação do que é bom e justo, do senso crítico de zelar pelo bem. A sociedade deixou-se entregar, gradativamente, a conceitos, ideologias, a um academicismo antiDeus que busca não simplesmente falar que é contra Deus (isto eles blindam usando pessoas que se dizem cristãs atuando nas suas linhas de frente), mas eles se empenham em construir e valorizar filosofias, expressões artísticas, construções literárias, informações contraditórias, sistemas de "educação" que nem ensinam nem educam, tudo isto para estruturar uma sociedade incapaz de perceber a escuridão que é estar afastada de Deus e que deseja relativizar tudo para que consigam ganhar vantagens em tudo.
Podemos perceber isto olhando para aqueles que se dizem igreja, no geral. Há uma tendência natural a buscar virtudes adjetivadas, sobretudo, que contemplem sua individualidade (eu prefiria chamar individualismo, mas confesso que refleti pouco neste ponto), como por exemplo:
- Há muitos que oram por vantagens de "Justiça Social" (virtude adjetivada), quando eles estão, ou se colocam em uma camada inferior a quem eles invejam por terem mais condições financeiras. A Justiça é uma virtude ampla e acolhe aquele que constrói com trabalho a sua riqueza, como aquele que ainda não produziu o suficiente. Ao desejo de justiça social não seria melhor chamar "inveja"? (Provérbios 14.34)
- Há outros que buscam exercer uma "Caridade Cristã" (virtude adjetivada) em ações sociais que, ao invés de buscar apenas o serviço ao menos favorecido, busca na verdade uma aceitação em ambientes de difícil acesso, geralmente por violência, para ampliar poder e controle; não seria melhor chamar isto de "ganância"? (Mateus 6.3)
- Outros, dentro do contexto de instituição religiosa cristã(?), deturpam o "Trabalho Cristão", ou melhor, "Obra de Deus" (virtude adjetivada) no sentido de separar atitudes seculares de atitudes de crentes. Isto se observa quando vemos "crentes" sendo fiéis e diligentes nas Obras da Igreja, mas nos chamados trabalhos seculares não se importam de fazer coisas erradas, seja pela ação direta ou pela conivência pelo silêncio em tais atos. (IPedro 4.10)
Por que trago esta reflexão acerca dos que se dizem cristãos?
Não há esperança para o mundo caído, entregue ao pecado, se não for pelo exemplo e atuação do povo de Deus. Estes foram chamados para serem luz do mundo (Mateus 5.14), não por terem luz própria, mas por resplandecerem a Luz que vem de Deus e o mundo o glorifique como Deus (Mateus 5.16), ainda que não creiam de forma salvífica.
Pois bem, sobre as revoluções, estas tempestades que teimam em recair sobre a humanidade, elas vem e vão, mas o delimitador delas sempre estará posto na mesma medida em que o Povo de Deus se coloca em fidelidade e retidão diante da Verdade do Evangelho.
As revoluções duram o tempo do ideal do revolucionário (Atos 5.34-37). O revolucionário é o que visa mudar a ordem natural das coisas, seja nas questões econômicas, morais, de aprendizado, nas relações humanas com a natureza ou sistemas de poder, estes, lembrando, caso estejam em confronto com os ideais soberanos e eternos de Deus (Mateus 20.18), só subsistirão em dois casos:
1- A Igreja encontra-se apática e/ou acomodada aos sistemas humanos postos (2Tessalonissenses 2.1-3); e,
2- Deus permitirá a submissão da sua Fiel Igreja pois é chegada a hora do Iníquo (2Tessalnissenses 2.3-8)
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